Isto acontece depois de os militares norte-americanos terem lançado ataques contra o Irão, que disseram ser uma resposta a ataques de drones iranianos contra navios no estreito
A agência marítima UKMTO elevou no sábado o nível de ameaça no Estreito de Ormuz para "substancial", após ataques contra navios comerciais naquela via marítima.
A agência indicou mais cedo, no sábado, que o comandante de um navio-tanque tinha comunicado ter sido atingido por um «projétil não identificado» no estreito.
Adiantou que o navio sofreu danos na ponte de comando, mas que a tripulação foi dada como ilesa.
"Não há, para já, registo de danos ambientais", acrescentou.
A UKMTO avisou os navegantes para a presença de minas marítimas no Estreito de Ormuz, um dos principais estrangulamentos das rotas mundiais de energia, e afirmou que devem contar com uma forte presença naval enquanto prosseguem as operações de desminagem.
"Os navegantes devem também esperar congestionamento nas rotas de passagem", advertiu.
O Estreito de Ormuz tem estado no centro das tensões entre Washington e Teerão e é uma peça crucial do «memorando de entendimento» acordado recentemente entre os dois.
Ao abrigo do acordo provisório, os Estados Unidos devem levantar o bloqueio naval ao Irão, enquanto Teerão se compromete a reabrir o estreito, mas as partes divergem sobre quem controla a passagem.
A situação ocorre depois de o exército norte-americano ter realizado ataques contra o Irão, que afirmou serem uma resposta a ataques iranianos com drones contra navios no estreito.
O Comando Central dos EUA (CENTCOM) indicou na sexta-feira que aviões norte-americanos atingiram depósitos iranianos de mísseis e drones, bem como radares costeiros, depois de o Irão ter lançado um ataque com um drone suicida contra o navio cargueiro M/V Ever Lovely quando este navegava na passagem.
"O cargueiro, com bandeira de Singapura, estava a sair do Estreito de Ormuz ao largo da costa de Omã no momento do ataque iraniano", adiantou o CENTCOM.
Teerão acusou entretanto Washington de violar o acordo de cessar-fogo.
Ebrahim Azizi, presidente da comissão de segurança nacional do parlamento iraniano, afirmou que os ataques dos EUA mostram que Trump "não tem qualquer compromisso com os princípios da negociação ou com um cessar-fogo".
"Esta violação imprudente do cessar-fogo levará, como sempre, a recuos e arrependimento da sua parte", escreveu numa publicação nas redes sociais.
Os Guardas da Revolução iranianos anunciaram no sábado que as suas forças atacaram posições militares norte-americanas na região em resposta à "agressão dos EUA", segundo os média estatais iranianos. Mais tarde, o Bahrein anunciou ter sido visado por vários drones iranianos, acusando Teerão de «minar os esforços de paz» na região.
Num comunicado, o ministério dos Negócios Estrangeiros do país afirmou expressar "a condenação do Bahrein, nos termos mais veementes, do ataque contra o seu território ao amanhecer de hoje", acrescentando que os ataques constituem "uma ameaça flagrante à segurança de cidadãos e residentes".