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Austrália e Vanuatu assinam acordo que impede base militar estrangeira na ilha do Pacífico

Praia de Eratap, 13 de abril de 2008
Praia de Eratap, 13 de abril de 2008 Direitos de autor  CC BY 2.0/Phillip Kapper
Direitos de autor CC BY 2.0/Phillip Kapper
De Gavin Blackburn
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Em 2023, a China estabeleceu cooperação policial com Vanuatu e doou drones, lanchas de patrulha e viaturas às forças de segurança locais.

Austrália e Vanuatu assinaram esta segunda-feira um amplo acordo económico e de segurança que impede o estabelecimento de qualquer base militar estrangeira na ilha do Pacífico.

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Vanuatu está no centro da rivalidade estratégica entre a China e os aliados dos Estados Unidos no Pacífico Sul, e a Austrália tem manifestado preocupação com a possibilidade de Pequim procurar uma presença de segurança permanente na região.

O acordo compromete a Austrália a prestar um apoio económico reforçado a Vanuatu, cujo maior credor externo é a China, e impede que uma potência militar estrangeira aí instale uma base.

“O que isto faz é dar à Austrália a certeza de que não haverá qualquer base militar estrangeira”, afirmou o primeiro-ministro Anthony Albanese aos jornalistas, depois de assinar o acordo em Camberra com o homólogo Jotham Napat.

“Concluímos um acordo equilibrado, que vai proteger a nossa segurança coletiva e individual e a nossa soberania”, acrescentou.

A marinha chinesa tem realizado escalas portuárias repetidas em Vanuatu.

O primeiro-ministro de Vanuatu, Jotham Napat, e o primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, assinam o Acordo Nakamal em Camberra, 29 de junho de 2026
O primeiro-ministro de Vanuatu, Jotham Napat, e o primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, assinam o Acordo Nakamal em Camberra, 29 de junho de 2026 AP Photo

Pequim financiou igualmente a expansão de um cais em Luganville, que foi em tempos a maior base militar norte-americana no Pacífico Sul, alimentando preocupações em Camberra e Washington de que a China pretende uma base naval.

China e Vanuatu disseram anteriormente que o cais se destinava a navios de cruzeiro.

O Acordo Nakamal obriga Vanuatu a rejeitar a militarização de infraestruturas, afirmou Napat.

“Enquanto país, aprovamos na verdade uma lei no parlamento para não permitir que qualquer militarização seja utilizada nas nossas infraestruturas críticas”, disse aos jornalistas numa conferência de imprensa após a assinatura.

Infraestruturas militares

O acordo estabelece que, “para reforçar a segurança e a soberania coletivas do Pacífico, Vanuatu não permitirá que o seu território seja utilizado para qualquer base ou infraestrutura militar estrangeira”.

Reconhece ainda a Austrália como “parceiro policial principal e de longa data de Vanuatu” e estipula que Vanuatu dará prioridade aos pedidos de cooperação policial apresentados por outros membros do bloco regional Fórum das Ilhas do Pacífico.

A China estabeleceu laços de cooperação policial com Vanuatu em 2023 e doou material, incluindo drones, lanchas de patruIha e viaturas, à sua polícia.

O acordo indica que a Austrália e Vanuatu vão reforçar a assistência em “formação e meios policiais, policiamento, segurança marítima, cibersegurança, cooperação em matéria de informações e infraestruturas”.

O primeiro-ministro de Vanuatu, Charlot Salwai, participa num encontro com o presidente chinês, Xi Jinping, no Grande Palácio do Povo, em Pequim, 12 de julho de 2024
O primeiro-ministro de Vanuatu, Charlot Salwai, participa num encontro com o presidente chinês, Xi Jinping, no Grande Palácio do Povo, em Pequim, 12 de julho de 2024 AP Photo

O tratado com Vanuatu é o mais recente de uma série de acordos que a Austrália firmou com países insulares do Pacífico, numa tentativa de travar a crescente influência de segurança da China.

A polícia chinesa mantém uma presença nas Ilhas Salomão desde a assinatura de um pacto de segurança secreto em 2022.

Vanuatu afirmou que está a negociar em separado um acordo económico com a China, que construiu estradas e edifícios governamentais no país do Pacífico Sul ao longo da última década.

Um antigo diplomata australiano no Pacífico, James Batley, considerou que a disputa por influência entre Pequim e Camberra vai prosseguir.

“A longa tradição de não alinhamento de Vanuatu significa que o país não vai simplesmente abandonar a sua relação com a China. Nem a China vai desistir das suas tentativas de minar os interesses da Austrália em Vanuatu”, disse à agência noticiosa AFP.

Outras fontes • AFP

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