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Termina janela crítica de salvamento de 72 horas na Venezuela, balanço é de quase 1.500 mortos

Equipas de salvamento procuram entre os escombros de um prédio que ruiu quando sismos atingiram La Guaira, em 28 de junho de 2026
Equipas de resgate procuram entre os escombros de um edifício que desabou quando sismos atingiram La Guaira, em 28 de junho de 2026 Direitos de autor  AP Photo
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De Gavin Blackburn
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Especialistas dizem que as primeiras 72 horas após um desastre natural definem a curta janela para salvar vidas; depois disso, a operação passa sobretudo a recuperar corpos.

As equipas de emergência com cães de busca continuam à procura de eventuais sobreviventes dos poderosos terramotos que atingiram a Venezuela, onde o balanço mortal já ultrapassa 1.450 mortos e quase 200 edifícios desabaram por completo.

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O Ministério dos Negócios Estrangeiros informou entretanto, na noite de domingo, que 53 portugueses e lusodescendentes estão entre as vítimas mortais, 45 adultos e oito crianças. Há ainda 83 desaparecidos entre a comunidade portuguesa.

Um homem e o filho adolescente foram encontrados com vida sob os escombros no domingo por equipas de salvamento francesas e norte‑americanas em Caraballeda, uma localidade a cerca de 40 quilómetros a norte de Caracas.

O salvamento trouxe um ligeiro sinal de esperança numa tragédia em curso que abalou um país já mergulhado numa crise económica profunda, mas dezenas de milhares de pessoas continuam dadas como desaparecidas.

Teme‑se que muitos milhões de pessoas fiquem sem saneamento e outros bens básicos na sequência de um dos mais devastadores desastres provocados por terramotos na América Latina.

Equipas de resgate dos Estados Unidos, do México e de outros países multiplicaram esforços para salvar pessoas, enquanto residentes desesperados escavavam à mão em busca de familiares presos entre os andares esmagados e os escombros de blocos de apartamentos desabados.

Socorristas do Exército mexicano procuram pessoas presas em edifícios colapsados após os terramotos que atingiram La Guaira, 28 de junho de 2026
Socorristas do Exército mexicano procuram pessoas presas em edifícios colapsados após os terramotos que atingiram La Guaira, 28 de junho de 2026 AP Photo

Cerca de 774 edifícios ficaram gravemente danificados nos dois sismos de magnitude 7,2 e 7,5 que abalaram o país na noite de quarta‑feira, incluindo 189 que colapsaram totalmente, disse no domingo o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez.

Numa das zonas mais atingidas, a cidade costeira de La Guaira, Hector Aguilera procurava quatro familiares soterrados nos escombros.

"Não temos apoio para tirar a nossa família, sozinhos não conseguimos. Estão enterrados ali, sabemos que estão mortos, mas continuamos aqui", afirmou.

Especialistas lembram que as primeiras 72 horas após um desastre natural definem a estreita janela de oportunidade para resgatar sobreviventes. Depois disso, as buscas passam geralmente a centrar‑se na recuperação de corpos.

No bairro de San Bernardino, em Caracas, voluntários trepavam pelos destroços de um edifício colapsado, usando berbequins para partir o betão e formando cordões humanos para retirar os escombros à mão.

Em Chacao, outra zona da capital, grandes ecrãs eletrónicos numa fachada habitualmente usada para publicidade exibiam os rostos de desaparecidos para tentar ajudar a encontrá‑los.

No domingo, Rodríguez informou que o número de mortos se cifra em 1.450, um balanço que deverá aumentar, e apontou para 3.150 feridos.

Mesmo com as operações de resgate em pleno andamento, registaram‑se episódios de pilhagem em La Guaira, grande parte da qual está agora em escombros após o desastre natural de quarta‑feira.

Farmácias, supermercados e outros estabelecimentos foram saqueados, relataram moradores, alguns dos quais se queixam da lentidão e escassez da ajuda prestada pelas autoridades após o terramoto.

Equipas de resgate procuram entre os escombros três dias depois dos terramotos que atingiram La Guaira, 27 de junho de 2026
Equipas de resgate procuram entre os escombros três dias depois dos terramotos que atingiram La Guaira, 27 de junho de 2026 AP Photo

"Manter a esperança"

A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, elogiou no domingo as equipas de socorro por continuarem a retirar sobreviventes dos escombros.

"Hoje resgatámos pessoas que ainda estão vivas e, por isso, estes esforços não vão ser suspensos", declarou.

"Mantemos sempre a esperança".

Helicópteros norte‑americanos transportaram ajuda e mais 230 militares dos EUA estavam a chegar para aumentar a capacidade do aeroporto e reabrir um porto estratégico, de forma a reforçar os esforços de assistência, indicou no domingo o Comando Sul dos Estados Unidos.

Os Estados Unidos, que capturaram o antigo presidente venezuelano Nicolás Maduro numa operação militar em Caracas em janeiro, já tinham enviado uma equipa de resposta a desastres com 250 elementos.

Mas as hipóteses de encontrar mais sobreviventes diminuíram consideravelmente.

A presidente interina, Delcy Rodríguez, visita uma zona afetada pelo sismo onde equipas de resgate procuram sobreviventes, em Caracas, 26 de junho de 2026
A presidente interina, Delcy Rodríguez, visita uma zona afetada pelo sismo onde equipas de resgate procuram sobreviventes, em Caracas, 26 de junho de 2026 AP Photo

Um membro salvadorenho de uma equipa de resgate, que pediu para não ser identificado, afirmou: "Nesta fase, provavelmente serão cadáveres. Com a ajuda de Deus, talvez ainda possamos encontrar pessoas com vida".

Nalgumas localidades, a exasperação transbordou, com residentes a alegarem que as autoridades não fizeram o suficiente para resgatar as vítimas dos terramotos.

"O país precisa de vocês. Larguem as armas", gritou um homem a soldados na zona de Tanaguarena, no muito afetado estado de La Guaira, apelando para que pegassem antes em picaretas e pás.

Perante a indignação pública com a resposta das autoridades locais, Rodríguez agradeceu a outros países pelo fluxo de ajuda enviado.

Segundo a responsável, 24 países - entre os quais Portugal - enviaram 521 toneladas de abastecimentos, 86 unidades com cães treinados para localizar pessoas presas sob os escombros e mais de 2.700 elementos de busca e salvamento.

Impacto económico

A agência da ONU para as migrações afirmou que, com base nos dados de população e de danos, até 6,76 milhões de pessoas poderão ser afetadas e precisar de abrigo, água, saneamento, cuidados de saúde e bens essenciais de ajuda humanitária.

Os piores terramotos na Venezuela em mais de um século surgem depois de o país petrolífero ter suportado mais de uma década de colapso económico.

A crise devastou hospitais e serviços públicos, levando milhões de pessoas a abandonar o país.

As Nações Unidas estimam em 6,7 mil milhões de dólares (5,8 mil milhões de euros) os danos materiais, o equivalente a 6% do PIB da Venezuela.

No domingo, a dirigente da oposição venezuelana María Corina Machado, atualmente no exílio, anunciou que regressará "muito em breve" ao país.

"Chegou o momento", disse à estação norte‑americana Fox News.

"Precisamos de estar juntos, de nos abraçar, de chorar e fazer o luto em conjunto, mas também de nos dar força uns aos outros neste momento difícil".

Outras fontes • AFP

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