Na década de 1960, Lee conseguiu trabalho em Hollywood, nomeadamente como Kato na série televisiva «The Green Hornet», mas os estúdios queriam que interpretasse estereótipos racistas e pagavam‑lhe menos do que aos colegas brancos
Ícone das artes marciais nascido em São Francisco, Bruce Lee vai tornar‑se o primeiro sino‑americano na história da Califórnia a ter um dia anual com o seu nome.
O governador Gavin Newsom assinou uma lei, na tarde de terça‑feira, que designa oficialmente 17 de maio como Dia de Bruce Lee, segundo o gabinete do deputado estadual Matt Haney, que representa São Francisco.
Com 18 anos, Lee regressou a São Francisco em 17 de maio de 1959, depois de passar a infância em Hong Kong.
A filha de Lee, Shannon, diretora executiva da Fundação Bruce Lee, afirmou que a distinção é um testemunho do legado duradouro do pai como ponte entre culturas.
“Desde os jovens que encontraram confiança e novas possibilidades na sua filosofia, às famílias que finalmente se viram representadas no ecrã, passando pelos atletas que ainda hoje recorrem aos seus ensinamentos de disciplina e força interior, o seu alcance é profundo”, afirmou em comunicado.
Haney descreveu Lee como a personificação do melhor da Califórnia.
“Numa altura em que os asiático‑americanos estavam muitas vezes ausentes do ecrã ou retratados através de estereótipos, Bruce Lee ajudou gerações a verem‑se representadas com força e dignidade”, afirmou em comunicado.
A fundação e várias organizações de asiático‑americanos esperam que Lee seja celebrado todos os anos em todo o estado através de actividades comemorativas facultativas, como exposições culturais, eventos públicos e aulas nas escolas.
Nascido em 1940, filho de pais chineses que estavam em digressão com uma companhia de ópera, Lee pôde obter cidadania americana por nascimento.
Alguns meses depois, a família regressou a Hong Kong, onde Lee se tornou ator infantil e começou a aprender kung fu chinês.
Em 1959 mudou‑se de novo para os Estados Unidos e, dois anos depois, inscreveu‑se na Universidade de Washington, em Seattle. Acabou por abandonar o curso e dedicou‑se por completo à prática e ao ensino das artes marciais.
Na década de 1960, Lee conseguiu trabalho em Hollywood, nomeadamente como Kato na série televisiva “The Green Hornet”, mas os estúdios queriam que interpretasse papéis baseados em estereótipos racistas e pagavam‑lhe menos do que aos colegas brancos.
Acabou por regressar a Hong Kong e tornou‑se rapidamente uma grande estrela dos filmes de artes marciais, incluindo “The Big Boss” e “Fist of Fury”. Lee morreu em 1973, aos 32 anos, após uma reação alérgica a um analgésico.
O nome e a imagem de Lee continuam a ser muito populares. Um esboço de série de ação para televisão que escreveu inspirou a produção da série “Warrior”, da plataforma HBO Max.