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Trump lucra mais de mil milhões de euros com cripto no primeiro ano de regresso à presidência

O presidente dos EUA, Donald Trump, sorri enquanto se reúne com o secretário-geral da NATO, Mark Rutte, no Salão Oval da Casa Branca, 24 de junho de 2026
Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sorri ao reunir-se com o secretário-geral da NATO, Mark Rutte, no Salão Oval da Casa Branca, em 24 de junho de 2026 Direitos de autor  AP Photo/Jacquelyn Martin
Direitos de autor AP Photo/Jacquelyn Martin
De Quirino Mealha
Publicado a Últimas notícias
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Donald Trump, presidente dos EUA, ganhou 1,2 mil milhões de dólares com negócios de criptomoedas da família, segundo uma declaração federal, enquanto investidores nos mesmos tokens sofriam pesadas perdas.

Na terça-feira, a Casa Branca entregou ao Gabinete de Ética Governamental dos EUA uma declaração financeira de 927 páginas, que oferece o retrato mais completo até agora de como a fortuna do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, cresceu desde que regressou ao cargo em janeiro de 2025.

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Mal existiam quando tomou posse, os negócios de criptomoedas de Trump geram hoje mais receitas do que grande parte do império imobiliário que passou décadas a construir com a família, rendendo no ano passado ao presidente norte-americano mais de 1,2 mil milhões de dólares (1,05 mil milhões de euros).

Dois empreendimentos explicam a maior parte deste encaixe em criptoativos.

A World Liberty Financial, sociedade lançada em 2024 pelos filhos de Trump e por parceiros de negócios, arrecadou mais de 500 milhões de dólares (438 milhões de euros) com a venda de novos produtos de criptomoeda, entre eles os chamados tokens de governação, que dão aos detentores direitos de voto em certas decisões da empresa, mas não qualquer participação no capital.

Um negócio separado ligado à moeda 'meme' $TRUMP, uma criptomoeda com o rosto e o nome do presidente norte-americano, gerou mais 635 milhões de dólares (557 milhões de euros) em vendas de tokens.

A atividade de Trump nas criptomoedas parece ser um dos principais motores do quase triplicar da sua fortuna pessoal, que a revista Forbes estima ter passado de 2,3 mil milhões de dólares (2 mil milhões de euros) para 6,5 mil milhões de dólares (5,7 mil milhões de euros) entre 2024 e 2026.

Para muitos compradores, a história tem sido bem menos lucrativa

A moeda $TRUMP, que chegou a negociar acima dos 74 dólares nos dias a seguir ao lançamento, caiu entretanto para menos de 2 dólares, enquanto os tokens da World Liberty perderam cerca de 80% do valor desde que começaram a ser negociados, em setembro passado.

Como a declaração apresenta apenas receitas e não lucros, a verdadeira dimensão dos ganhos pessoais de Trump permanece desconhecida. Ainda assim, o documento mostra que o presidente norte-americano e a família receberam comissões e royalties à cabeça, enquanto muitos investidores viram o valor das suas posições cair abrutamente.

Entre esses investidores estava o bilionário das criptomoedas Justin Sun, nascido na China, que investiu 75 milhões de dólares (65,7 milhões de euros) em tokens de governação e 200 milhões de dólares (175,3 milhões de euros) nas moedas 'meme' $TRUMP e $MELANIA.

Um processo por fraude nos Estados Unidos contra Sun foi mais tarde suspenso, antes de ser encerrado com um acordo no valor de 10 milhões de dólares (8,7 milhões de euros).

Sun nega qualquer ligação entre esses gastos e o desfecho dos seus problemas judiciais.

Após a divulgação da declaração, a Casa Branca rejeitou também quaisquer insinuações de problemas éticos.

"Nem o presidente nem a sua família se envolveram alguma vez, nem se envolverão, em conflitos de interesses", disse Anna Kelly, principal porta-voz adjunta da Casa Branca, em comunicado à AFP.

Kelly afirmou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, "transformou com orgulho os Estados Unidos na capital mundial das criptomoedas".

"Todas as ações do presidente Trump e da sua administração são tomadas no melhor interesse do povo americano, e quaisquer 'repórteres' assim chamados que digam o contrário estão apenas a reciclar a mesma narrativa falso, gasta, que os democratas e os meios de comunicação tradicionais promovem há uma década", acrescentou Kelly.

Além das criptomoedas: o resto do império empresarial de Trump

A declaração detalha também uma expansão internacional agressiva, com novos contratos de hotéis, resorts e condomínios a gerarem milhões de dólares em países que, ao mesmo tempo, negociavam com Washington questões comerciais e de segurança.

Um empreendimento nos Emirados Árabes Unidos rendeu ao grupo Trump cerca de 10,4 milhões de dólares (9,1 milhões de euros) no ano passado, outro na Arábia Saudita aproximadamente 9 milhões de dólares (7,9 milhões de euros), e projetos no Qatar, na Roménia e no Vietname valeram 5 milhões de dólares (4,3 milhões de euros) cada.

Mais perto de casa, os negócios já estabelecidos do presidente norte-americano também dispararam, a par das novas iniciativas.

Mar-a-Lago, o clube privado de Trump na Flórida, gerou cerca de 77 milhões de dólares (67,5 milhões de euros), um salto de aproximadamente 50% face ao ano anterior, à medida que chefes de Estado e executivos acorreram à propriedade durante o novo mandato.

resort Mar-a-Lago, propriedade do presidente Donald Trump, é visto em Palm Beach, na Flórida, a 21 de novembro de 2016.
resort Mar-a-Lago, propriedade do presidente Donald Trump, é visto em Palm Beach, na Flórida, a 21 de novembro de 2016. AP Photo

A declaração revela ainda a variedade de formas como a marca Trump é hoje monetizada.

O presidente norte-americano ganhou milhões com uma vasta gama de produtos com a sua marca, desde ténis e relógios a autocolantes para automóveis; só os relógios com a marca Trump renderam 4,7 milhões de dólares (4,1 milhões de euros), e mais de 200 mil dólares (175 300 euros) vieram da Bíblia "God Bless the USA", uma edição de marca promovida com o cantor country Lee Greenwood.

Não há precedentes de um presidente dos EUA em funções vender este tipo de produtos de marca própria.

Uma lei de 1978 obriga o presidente e o vice-presidente dos Estados Unidos a declarar não só o património, mas também os rendimentos.

O rendimento da primeira-dama, Melania Trump, também surge na declaração financeira do marido, incluindo mais de 10 milhões de dólares (8,7 milhões de euros) ligados a um documentário biográfico da Amazon e mais de 500 mil dólares (438 250 euros) provenientes das vendas das suas memórias.

Para comparação, o vice-presidente dos EUA, JD Vance, declarou entre 1 milhão de dólares (876 500 euros) e 5 milhões de dólares (4,4 milhões de euros) em royalties do seu livro de 2016 "Hillbilly Elegy".

Os críticos argumentam há muito que estes arranjos esbatem a fronteira entre o cargo público e o lucro privado. A Casa Branca rejeita categoricamente a acusação.

Outras fontes • AFP

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