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UNICEF: 20 milhões de crianças usam IA e adotam-na mais depressa que os adultos

ARQUIVO – Uma criança segura um iPhone numa loja Apple em 25 de setembro de 2015, em Chicago. (Foto AP/Kiichiro Sato, Arquivo)
ARQUIVO - Uma criança segura um iPhone numa loja da Apple em 25 de setembro de 2015, em Chicago. (Foto AP/Kiichiro Sato, Arquivo) Direitos de autor  Copyright 2018 The Associated Press. All rights reserved.
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De Una Hajdari
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Nova análise da UNICEF revela que as crianças adotam a IA mais depressa do que os adultos, recorrendo à tecnologia para trabalhos de casa e, por vezes, conselhos pessoais, enquanto as salvaguardas para utilizadores jovens ficam muito aquém

Pelo menos 20 milhões de crianças, em dez países, já recorreram à inteligência artificial, segundo uma nova análise da UNICEF, com muitos jovens a adotarem a tecnologia muito mais depressa do que os adultos.

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A agência das Nações Unidas para a infância afirmou que as crianças estão a ultrapassar os adultos "ao adotarem-na a ritmos mais de três vezes superiores", com base em dados recolhidos nos dez países analisados.

Os resultados mostram que mais de 2 milhões de crianças, ou uma em cada dez, dizem recorrer à IA "para obter conselhos sobre coisas que as preocupam". Estima-se que cerca de 13 milhões de crianças utilizem ferramentas de IA para apoiar a aprendizagem e os trabalhos de casa.

A UNICEF alerta que a rápida adoção está a avançar mais depressa do que os esforços para regular a tecnologia, deixando as crianças particularmente expostas.

"As crianças estão mais expostas aos sistemas de IA, incluindo à forma como são concebidos, aos respetivos modelos de negócio e à utilização dos seus próprios dados, mas têm muito menos poder para os evitar ou contestar", afirmou a agência, acrescentando que "a maior parte da governação da IA não dá prioridade às crianças".

A organização advertiu ainda que os efeitos a longo prazo da IA sobre os jovens continuam, em grande medida, desconhecidos.

"As provas sobre o seu papel no desenvolvimento cognitivo, na dependência emocional e na exposição a danos estão apenas a começar a surgir", indicou a UNICEF. "Na prática, está a crescer uma geração no interior de uma experiência global."

As próprias crianças manifestaram preocupação em relação à tecnologia.

De acordo com a análise, um terço das crianças nos países estudados disseram estar preocupadas com a utilização da IA "para enganar e ludibriar outras pessoas ou difundir desinformação", enquanto um quarto receava que as suas imagens ou vídeos fossem manipulados em deepfakes de teor sexual explícito.

A UNICEF afirmou que muitos sistemas de IA chegam às crianças com proteções inadequadas, descrevendo a segurança como "aparentemente, uma preocupação secundária".

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As conclusões foram divulgadas antes do primeiro Diálogo Global sobre Governação da IA nas Nações Unidas.

A UNICEF insta governos, setor privado e outros parceiros a integrarem os direitos das crianças, em particular o direito à segurança e à proteção, na governação global da IA.

Entre as recomendações da agência está o investimento em investigação sobre os efeitos da IA no desenvolvimento e bem-estar das crianças, sobretudo no que toca aos riscos.

A UNICEF descreveu o momento atual como "decisivo", sublinhando que "as escolhas feitas agora sobre a IA vão moldar, durante décadas, a segurança, a privacidade, o bem-estar das crianças e o seu acesso em condições de igualdade a oportunidades".

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