Loader
Encontra-nos
Publicidade

Polónia leva Starlink a recuar no aumento de preços do roaming

ARQUIVO - Uma série de satélites Starlink da SpaceX passa sobre Salgótarján, na Hungria, ao início da madrugada de 12 de maio de 2021
FOTO DE ARQUIVO – Uma série de satélites Starlink da SpaceX passa sobre Salgotarjan, na Hungria, na madrugada de 12 de maio de 2021 Direitos de autor  MTVA - Media Service Support and Asset Management Fund (Shared by AP)
Direitos de autor MTVA - Media Service Support and Asset Management Fund (Shared by AP)
De Egle Markeviciute, EU Tech Loop with Euronews
Publicado a
Partilhar Comentários Siga a Euronews no Google
Partilhar Close Button

SpaceX recua e mantém a Polónia na zona europeia de roaming do Starlink, evitando a tempo o aumento para o dobro dos preços e novas dúvidas sobre a fiabilidade da ligação à Ucrânia em guerra

Nos últimos dias, os meios de comunicação polacos têm dado amplo destaque ao descontentamento com a decisão da Starlink de excluir a Polónia da lista de roaming internacional, o que poderá duplicar os preços do serviço para os utilizadores polacos a partir de 17 de agosto de 2026.

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

O canal polaco TVP World refere que as regras que entram em vigor esta semana vão aumentar os preços para os clientes polacos que utilizem o serviço fora da Polónia, de cerca de 42 euros para 107 euros num plano de roaming de 100 GB.

Papel da SpaceX na Ucrânia

Desde 2022, a SpaceX tornou-se um símbolo de inovação, ao ajudar a Ucrânia a combater a invasão russa e a mostrar a muitos governos europeus como a inovação norte-americana pode ser útil em tempos de crise.

O governo polaco, com a ajuda da petrolífera Orlen, tem apoiado de forma ativa a Ucrânia, financiando a Starlink, facto sublinhado várias vezes pelo antigo ministro ucraniano dos Assuntos Digitais e mais tarde ministro da Defesa, Mykhailo Fedorov.

Capturas de ecrã de publicações na rede X do antigo ministro ucraniano da Defesa Mykhailo Fedorov.
Capturas de ecrã de publicações na rede X do antigo ministro ucraniano da Defesa Mykhailo Fedorov. Courtesy of EU Tech Loop

Desde o início da invasão russa na Ucrânia, apesar de frequentes percalços políticos, os governos ucraniano e polaco têm trabalhado em estreita colaboração com a SpaceX e Elon Musk para garantir acesso às forças armadas e aos civis ucranianos e para impedir a utilização ilegal de kits Starlink pela Rússia.

O papel da SpaceX no apoio à Ucrânia tem muitas vezes atenuado as críticas à tecnologia norte-americana na UE, numa altura em que Bruxelas procura substituí-la por soluções tecnológicas próprias.

Riscos reputacionais para a SpaceX

Embora a SpaceX não esteja a comunicar publicamente os motivos para excluir a Polónia da lista de roaming internacional, esta decisão, se não for revertida, pode prejudicar seriamente a reputação da empresa na Europa de Leste, tradicionalmente mais recetiva à inovação tecnológica norte-americana.

Em primeiro lugar, numa altura em que os governos europeus investem em canais de comunicação alternativos para situações de crise e em que a alternativa europeia IRIS2 só deverá estar operacional em 2029, os kits Starlink são atualmente a principal solução prática para governos, militares e civis.

Em segundo lugar, os governos europeus discutem atualmente o Digital Networks Act (DNA) e o Space Act, diplomas que podem centralizar em Bruxelas a gestão das licenças de espectro e introduzir novas regras e exigências para operadores de satélites não europeus.

Se não forem contestadas, estas duas regulamentações podem tornar mais caras e difíceis as operações da SpaceX no mercado da União Europeia.

Por último, o conflito entre a Polónia e a SpaceX pode acabar por influenciar o restante flanco oriental: relações tensas entre o governo polaco e a empresa podem prejudicar a sua reputação, afastar decisores políticos e limitar o desenvolvimento do mercado entre utilizadores individuais nestes países.

Final feliz?

Na noite de quinta-feira, a notícia de que a Starlink voltava a incluir a Polónia na região europeia foi divulgada por Janusz Cieszynski, antigo ministro polaco da Digitalização.

A decisão permite aos clientes polacos utilizar os serviços da Starlink fora do país a um preço razoável, sem encarecer na Ucrânia os kits da empresa adquiridos na Polónia, afastando em simultâneo a especulação de que a medida anterior tinha como alvo a Ucrânia.

Segundo o professor associado Tomasz Pugacewicz, da Universidade Jaguelónica, em Cracóvia, a Polónia não constava anteriormente da lista.

Esta reportagem foi originalmente publicada no EU Tech Loop (fonte em inglês) e foi partilhada na Euronews no âmbito de um acordo de partilha de conteúdos.

Ir para os atalhos de acessibilidade
Partilhar Comentários Siga a Euronews no Google

Notícias relacionadas

União Europeia: capitais ficam atrás de Bruxelas em pessoal e tecnologia

Irlanda consulta cidadãos sobre Presidência da UE no século XXI

Europa: regras de proteção de dados travam lançamento de LLM, revela estudo