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Infantino afirma ter dito a Trump que o órgão disciplinar da FIFA era independente

Árbitro Raphael Claus mostra cartão vermelho a Folarin Balogun, dos Estados Unidos, em Santa Clara, 1 de julho de 2026
Árbitro Raphael Claus mostra cartão vermelho a Folarin Balogun, dos Estados Unidos, em Santa Clara, 1 de julho de 2026 Direitos de autor  AP Photo
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De Gavin Blackburn
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Segundo regras da FIFA, um cartão vermelho direto implica automaticamente uma suspensão de um jogo, que não pode ser objeto de recurso por parte da equipa do jogador sancionado

O presidente da FIFA, Gianni Infantino, afirmou na segunda-feira que explicou ao presidente dos EUA, Donald Trump, que o órgão disciplinar da FIFA era independente quando o presidente lhe telefonou para discutir a revisão do cartão vermelho mostrado ao jogador norte-americano Folarin Balogun, estrela do Mundial.

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"Expliquei que estava em curso um processo judicial envolvendo os órgãos judiciais independentes da FIFA e que o caso seria decidido na devida altura pelos órgãos competentes", afirmou o presidente da FIFA, Infantino, num comunicado.

A reviravolta em relação à suspensão de um jogo imposta a Balogun permite-lhe jogar ainda esta segunda-feira no jogo dos oitavos-de-final do Mundial contra a Bélgica.

Anteriormente, a UEFA, a entidade reguladora do futebol europeu, afirmou que a FIFA "ultrapassou um limite» com a controversa decisão de suspender por um ano a pena de um jogo imposta a Balogun.

A decisão da FIFA, que surgiu após a intervenção do presidente dos Estado Unidos, Donald Trump, permite que Balogun jogue na partida dos oitavos-de-final dos coanfitriões contra a Bélgica, ainda esta segunda-feira.

"A decisão de ontem de suspender, por um período probatório de um ano, a aplicação da suspensão automática de um jogo na sequência do cartão vermelho mostrado ao jogador Folarin Balogun ultrapassou uma linha vermelha", lia-se no comunicado da UEFA.

O comunicado do organismo que superintende o futebol europeu surge depois de a FIFA ter autorizado o avançado estrela norte-americano Folarin Balogun a jogar no confronto dos coanfitriões do Mundial com a Bélgica, apesar da sua suspensão por cartão vermelho, na sequência de uma chamada telefónica pessoal de Donald Trump, como se soube no domingo, o que desencadeou uma discussão acesa que abalou o torneio.

Balogun devia falhar o confronto dos oitavos de final desta segunda-feira contra os belgas, depois de ter recebido um cartão vermelho direto, na sequência de uma revisão de vídeo, por ter pisado o pé de um defesa bósnio num jogo da fase de grupos que os EUA venceram por 2-0.

Folarin Balogun, dos Estados Unidos, reage após marcar o primeiro golo da equipa em Santa Clara, 1 de julho de 2026
Folarin Balogun, dos Estados Unidos, reage após marcar o primeiro golo da equipa em Santa Clara, 1 de julho de 2026 AP Photo

A decisão foi de imediato criticada pelos responsáveis do futebol belga, que divulgaram um comunicado em que se dizem "estupefactos" com uma medida em "clara contradição" com as próprias regras da FIFA.

A Federação Real Belga de Futebol está a "investigar todas as opções possíveis" para "salvaguardar os direitos legítimos de todas as equipas participantes e proteger os princípios fundamentais do fair play no nosso desporto", afirmou.

"Não sabia que, no Mundial da FIFA, 5 de julho é agora 1 de abril, o Dia das Mentiras", ironizou o selecionador da Bélgica, Rudi Garcia, em conferência de imprensa.

O Comissário Europeu para a Equidade Intergeracional, Juventude, Cultura e Desporto também se pronunciou, afirmando que considera que "foi uma decisão errada".

"As decisões sobre regras desportivas e assuntos desportivos competem às entidades desportivas, não aos políticos. Influenciar as decisões desportivas comprometeria a autonomia do desporto", escreveu Glenn Micallef numa publicação no X.

Trump falou com Infantino na quarta-feira, o mesmo dia em que foi mostrado o cartão vermelho, disseram fontes à AFP sob condição de anonimato.

O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, também pediu publicamente a anulação do cartão.

A decisão de suspender o castigo foi tomada pela comissão disciplinar da FIFA.

Captura de ecrã de uma publicação na conta do presidente norte-americano Donald Trump na plataforma Truth Social, 6 de julho de 2026
Captura de ecrã de uma publicação na conta do presidente norte-americano Donald Trump na plataforma Truth Social, 6 de julho de 2026 @realDonaldTrump

Um golpe para os Estados Unidos

O melhor marcador da equipa, Balogun, tem sido fundamental para a evolução dos EUA no torneio, tendo marcado três golos, e a sua ausência contra a Bélgica teria sido um golpe para a equipa no jogo em Seattle.

Muito está em jogo para os coanfitriões. Ao jogarem em casa, o forte início dos EUA no torneio elevou as expectativas a níveis alucinantes entre o público norte-americano.

Os coanfitriões têm como objetivo uma campanha histórica que os leve, no mínimo, aos quartos de final — fase que não alcançam desde 2002 — ou até mais longe.

O próprio Balogun tinha afirmado, na sexta-feira, que a suspensão por cartão vermelho era algo que "tinha simplesmente de aceitar".

Mas os jogadores e dirigentes dos EUA acolheram com agrado a notícia no domingo.

"É uma decisão justa, porque nunca deveria ter sido cartão vermelho", afirmou o selecionador Mauricio Pochettino, considerando o castigo "excessivo" para uma falta não intencional.

"Não é que sejamos vítimas, mas também não somos os maus da fita aqui", acrescentou.

Já o avançado norte-americano Christian Pulisic descreveu a decisão como "um impulso", enquanto a federação norte-americana de futebol disse estar "satisfeita".

O presidente da FIFA, Gianni Infantino, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no Kennedy Center, em Washington, 5 de dezembro de 2025
O presidente da FIFA, Gianni Infantino, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no Kennedy Center, em Washington, 5 de dezembro de 2025 AP Photo

Existência de precedente

No seu comunicado, a FIFA referiu-se ao "artigo 27.º do Código Disciplinar da FIFA", que permite que a sanção seja "suspensa por um período probatório de um ano".

Balogun só cumprirá a suspensão se cometer outra falta semelhante no próximo ano, afirmou a FIFA.

Mas existe, de facto, algum precedente para esta decisão.

Cristiano Ronaldo foi punido com uma suspensão de três jogos por uma cotovelada durante as eliminatórias do ano passado, mas teve duas partidas da sanção que lhe foi aplicada suspensas.

A medida, que permitiu a Ronaldo jogar na estreia de Portugal no Mundial, suscitou críticas na altura.

"Não estamos a defender a seleção ou a federação. Estamos a defender o futebol, seja na ética, seja na integridade", afirmou no domingo o selecionador belga Rudy Garcia, enquanto a Bélgica contestava esta nova reviravolta.

O guarda-redes belga Thibaut Courtois disse que foi "uma pequena surpresa" saber que Balogun foi autorizado a jogar apenas um dia antes do encontro.

"Se tivesse sido decidido mais cedo, talvez tivéssemos podido preparar-nos melhor, também a nível mental", acrescentou.

Outras fontes • AFP

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