Portugal respira de alívio depois de os bombeiros terem controlado os principais grandes incêndios no país, ainda que persistam riscos de reacendimento. Onda de calor também levou a fogos no território de Espanha e a Grécia enfrenta alerta devido a nuvem de fumo tóxica.
Incêndios florestais deflagraram por todo o sul da Europa durante o fim de semana, obrigando milhares de pessoas a abandonar as suas casas. Em França, as autoridades a proibiram espectadores numa etapa da Volta a França em bicicleta.
Os incêndios no sul da Europa já devastaram mais de 190 quilómetros quadrados de terreno, uma área com mais do dobro do tamanho de Manhattan, em Portugal, Espanha, França e Grécia.
As temperaturas continuam altas, com previsões a apontar para 40 ºC em partes de uma região que ainda sofre as consequências de uma vaga de calor recente e recorde.
No sudoeste de França, perto da cidade de Perpignan, cerca de 700 bombeiros, apoiados por meios aéreos especiais, tentam controlar um grande incêndio que se propaga numa zona remota de difícil acesso, tendo já sido retirados mais de 10 000 residentes locais.
Impulsionado pelo vento, pelo calor intenso e por um ar excecionalmente seco, o fogo quase triplicou de dimensão desde o início de domingo, já consumiu 46 quilómetros quadrados e feriu um bombeiro e um residente, indicaram as autoridades locais.
“O fogo aproximou‑se a menos de 300 metros das casas. Ficámos surpreendidos com a rapidez com que se espalhou, foi impressionante, roçou o pânico”, disse Patrice, residente da aldeia de Trevillach, de 53 anos, que não quis revelar o apelido.
“Começámos a ver fumo por volta das 22h30, depois foi‑se aproximando cada vez mais. Alguém da câmara municipal bateu à nossa porta por volta da 1h00 para nos dizer para sairmos”, contou Charlotte Pignol, 30 anos, uma das primeiras pessoas a serem evacuadas de casa, na madrugada de domingo.
Os incêndios surgem pouco depois de uma vaga de calor em junho, uma das piores da Europa, durante a qual foram registadas milhares de mortes em excesso e que teria sido “praticamente impossível” sem as alterações climáticas, segundo o grupo de cientistas World Weather Attribution.
Com nova subida do mercúrio prevista para os próximos dias, as autoridades manifestaram preocupação pelo facto de a época estival de incêndios ter começado um mês mais cedo.
“As alterações climáticas já cá estão, estamos a viver as consequências e estamos apenas no início de julho”, afirmou o coronel dos bombeiros franceses Éric Belgioino, apelando às pessoas que vivem perto do incêndio nos Pirenéus para tomarem precauções e evitarem provocar fogos.
“A época vai ser longa para os ‘soldados do fogo’. Têm de nos ajudar”, pediu.
Grécia: nuvem tóxica após incêndio florestal
Na Grécia, as chamas de um incêndio florestal atingiram duas fábricas em Salónica, no norte do país, durante o fim de semana, obrigando as autoridades a evacuar a área envolvente e a aconselhar os moradores a manterem as janelas fechadas.
Em Espanha, um incêndio perto da costa nordeste da Costa Brava queimou mais de 2 200 hectares em dois dias e os bombeiros avisaram que o combate será “complicado” devido à subida das temperaturas e aos numerosos “pontos quentes ainda a fumegar” no interior do perímetro.
Em Portugal, o grande incêndio em Vouzela está dado como em resolução, segundo a Proteção Civil. Ainda assim, mais de 700 operacionais mantém-se no local, com receios de que possam ocorrer reacendimentos difíceis de controlar, devido às altas temperaturas que se fazem sentir no país. Mais de uma centena de concelhos do interior norte e centro estão hoje em perigo máximo de incêndio.
Na Albânia,grandes incêndios destruíram igualmente centenas de hectares de floresta, vinhas e mato na ilha croata de Hvar e em Tale, segundo as autoridades.
Regiões em Portugal, Espanha e no sul de França reforçaram os alertas de calor para os próximos dias.
Esta segunda‑feira, previa‑se que a mais recente vaga de calor avançasse para norte, podendo prolongar‑se até ao próximo fim de semana, segundo os meteorologistas.
Volta a França cumpre etapa sem público
Em França, responsáveis anunciaram que a terceira etapa da Volta a França em bicicleta, esta segunda‑feira, nos Pirenéus, decorre sem espectadores, que habitualmente ladeiam o percurso da competição.
A etapa, que esta segunda‑feira levará o pelotão de Espanha para França, “ficará limitada, em território francês, à passagem dos corredores e dos veículos essenciais à organização da prova”, afirmou aos jornalistas o perfeito regional Pierre Regnault de la Mothe.
“Pede‑se ao público que não se aproxime do percurso nem da zona de chegada”, acrescentou.
“Ou seja, e lamento ter de o dizer, será, pelo menos em França, uma etapa da Volta a França sem espectadores.”