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Famílias venezuelanas desesperadas denunciam atrasos na recuperação de desaparecidos

Equipas de resgate procuram entre os escombros de um edifício que ruiu durante os terramotos em La Guaira, na Venezuela, na segunda-feira, 6 de julho de 2026.
Equipas de resgate procuram entre os escombros de um edifício colapsado durante os terramotos em La Guaira, Venezuela, na segunda-feira, 6 de julho de 2026. Direitos de autor  Copyright 2026 The Associated Press. All rights reserved
Direitos de autor Copyright 2026 The Associated Press. All rights reserved
De Christina Thykjaer
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A plataforma cidadã "Desaparecidos Terramoto Venezuela" recebeu mais de 31 mil relatos de pessoas com quem familiares não conseguiram contactar, enquanto o Governo mantém por atualizar o número oficial de desaparecidos desde 25 de junho.

Quase duas semanas após o devastador duplo terramoto que atingiu a Venezuela a 24 de junho, a emergência continua longe de terminar. Com as hipóteses de encontrar sobreviventes sob os escombros já praticamente nulas, milhares de famílias continuam à procura dos seus entes queridos entre os edifícios desabados.

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Com boa parte das equipas internacionais de resgate de regresso aos respetivos países, os trabalhos concentram-se agora na recuperação dos corpos e na assistência aos milhares de sinistrados.

O último balanço oficial aponta para 3 535 mortos e 16 740 feridos. Além disso, 6 462 pessoas foram resgatadas com vida, número que se mantém inalterado desde quinta-feira passada, segundo meios de comunicação venezuelanos, enquanto mais de 17 300 cidadãos perderam as suas casas e tiveram de ser transferidos para alojamentos temporários criados pelas autoridades.

A dimensão da catástrofe reflete-se também nos danos materiais. No total, 190 edifícios ruíram por completo e outros 856 apresentam danos de diversa gravidade, sobretudo no estado costeiro de La Guaira, a zona mais atingida pelos sismos.

Apesar de o Governo garantir ter destacado cerca de 30 mil militares e agentes de segurança, bem como milhares de voluntários, muitos moradores denunciam que a falta de maquinaria pesada está a atrasar a remoção de escombros e a recuperação das vítimas que continuam presas sob os imóveis destruídos.

Em paralelo, o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) confirmou que a direção das operações de busca passou para as mãos da Proteção Civil da Venezuela, após o recuo progressivo das equipas internacionais. A organização alerta também que cada vez mais famílias abandonam La Guaira para procurar refúgio noutras regiões do país, perante a destruição das habitações e a escassez de recursos.

Equipas de resgate e voluntários procuram entre os escombros de um edifício desabado durante os terramotos em La Guaira, Venezuela, segunda-feira, 6 de julho de 2026.
Equipas de resgate e voluntários procuram entre os escombros de um edifício desabado durante os terramotos em La Guaira, Venezuela, segunda-feira, 6 de julho de 2026. Copyright 2026 The Associated Press. All rights reserved

Cresce a incerteza sobre os desaparecidos

Um dos principais motivos de preocupação continua a ser o número real de desaparecidos. Embora o Executivo tenha criado uma linha telefónica e uma plataforma digital para receber comunicações de familiares, a cifra oficial permanece congelada desde 25 de junho, quando as autoridades informaram de 157 pessoas em paradeiro desconhecido.

Face a estes números, a plataforma cidadã "Desaparecidos Terremoto Venezuela", criada para facilitar a localização de vítimas, já registou mais de 31 000 comunicações sobre pessoas com quem familiares garantem não ter conseguido contactar desde os terramotos. A diferença entre ambos os registos alimenta a incerteza entre quem continua à procura de notícias dos seus entes queridos.

Agravaram-se as críticas à resposta do Governo

À medida que os dias passam, também aumenta o mal-estar entre os afetados. Moradores das zonas mais devastadas questionam a lentidão dos trabalhos de resgate e denunciam que a ajuda humanitária é insuficiente para responder à dimensão da tragédia.

Em resposta a estas críticas, a presidente interina, Delcy Rodríguez, anunciou um pacote de medidas para apoiar as famílias sinistradas. Entre estas está uma prestação económica mensal durante seis meses para quem perdeu a habitação e um programa de financiamento hipotecário, com apoios públicos que cobrirão até 80% do custo dos novos créditos.

A presidente adiantou igualmente que o Executivo prepara um plano para reconstruir o Aeroporto Internacional de Maiquetía, principal infraestrutura aérea do país, através de acordos de cooperação com parceiros internacionais, embora não tenha precisado nem o calendário nem os países envolvidos.

Entretanto, a tensão continua a aumentar no terreno. Em Caraballeda, uma das localidades mais afetadas pelo duplo terramoto, um grupo de moradores bloqueou a principal via de acesso para exigir a sua transferência para o complexo hoteleiro de Las Caracas, onde, garantem, o governo prometeu realojá-los.

Outros residentes denunciam uma redução na distribuição de alimentos e lamentam que a saída de parte das equipas internacionais esteja a atrasar a recuperação dos corpos que permanecem sob os escombros.

Com milhares de pessoas sem casa, um número de desaparecidos que continua por esclarecer e trabalhos de recuperação que avançam lentamente, a Venezuela enfrenta agora uma nova fase da emergência, marcada pela reconstrução do país e pelo desafio de responder às necessidades de dezenas de milhares de afetados.

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