A Guarda Revolucionária iraniana afirmou ter atacado bases militares dos EUA no Bahrein e no Kuwait, em resposta a novos bombardeamentos americanos, avisando que poderá alargar as represálias a outras bases da região se houver novos ataques.
As sirenes de alerta aéreo soaram no Bahrein e no Kuwait durante a noite, depois de o Irão ter prometido responder aos renovados ataques dos EUA contra o país.
As defesas antiaéreas do Kuwait estavam a intercetar "ataques hostis com mísseis e drones", anunciou na quinta-feira o Exército.
"O Estado-Maior do Exército assinala que quaisquer explosões ouvidas resultam dos sistemas de defesa aérea a intercetar ataques hostis", indicaram as forças armadas do Kuwait, numa publicação na rede X, sem especificar a sua origem.
Os Guardas da Revolução iranianos (IRGC) confirmaram, esta quinta-feira, ter atingido bases militares norte-americanas no Bahrein e no Kuwait em resposta a novos ataques dos Estados Unidos, segundo um comunicado divulgado pela televisão estatal IRIB.
A autoridade indicou ter atingido "infraestruturas e instalações-chave" nas bases norte-americanas de Arifjan e Ali Al Salem, no Kuwait, e de Juffair e Sheikh Isa, no Bahrein, com mísseis e drones.
Alertou ainda que as respostas se irão alargar a outras bases em toda a região se os ataques dos EUA se repetirem.
Trump avisa que situação "vai piorar muito" se ataques à navegação se repetirem
Trump já tinha avisado que, se o Irão continuasse a atacar navios no estreito de Ormuz, a situação "vai piorar muito", depois de ter ordenado novos ataques contra o país, na sequência de ataques contra três navios na importante via de navegação, no dia anterior.
Os meios de comunicação estatais iranianos noticiaram explosões em vários locais ao longo da costa sul do Irão, depois de o Comando Central dos EUA anunciar uma nova vaga de ataques.
Ouviram-se aviões de combate sobre a ilha de Kish e explosões abalaram as cidades portuárias de Bandar Abbas, Konarak e Chabahar, parte da qual ficou sem eletricidade, segundo a agência oficial IRNA.
Antes de ordenar os ataques mais recentes, Trump declarou que o cessar-fogo com o Irão tinha terminado, o que levou os mediadores Paquistão e Qatar, bem como as Nações Unidas, a apelarem à desescalada.
Trump tinha afirmado mais cedo que os mais recentes confrontos não iriam resultar numa ação militar "de longo prazo" e deixou a porta aberta a novas conversações.
O CENTCOM afirmou que os ataques foram realizados para reduzir a capacidade das forças iranianas "de ameaçar a liberdade de navegação" no estreito, por onde normalmente passa um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito mundiais.
"Os Estados Unidos responsabilizam o Irão pela recente agressão injustificada contra a navegação comercial", escreveu o CENTCOM no X.
O principal negociador do Irão afirmou, esta quinta-feira, que o estreito de Ormuz só será aberto segundo "disposições iranianas".
"Os Estados Unidos ainda não aprenderam que intimidar e violar as suas promessas deixou de ficar sem consequências", escreveu Mohammad Bagher Ghalibaf no X. "Deixem-me ser claro: se atacarem, serão atacados."