Newsletter Boletim informativo Events Eventos Podcasts Vídeos Africanews
Loader
Encontra-nos
Publicidade

Procura mundial de petróleo tem primeira queda anual desde a pandemia de covid-19, diz AIE

Fumo ergue-se após um míssil iraniano atingir uma refinaria de petróleo em Haifa, no norte de Israel, 16 de junho de 2025
Fumo eleva-se após um míssil iraniano atingir uma refinaria de petróleo em Haifa, no norte de Israel, 16 de junho de 2025 Direitos de autor  AP Photo/Ariel Schalit
Direitos de autor AP Photo/Ariel Schalit
De Quirino Mealha
Publicado a
Partilhar Comentários Siga a Euronews no Google
Partilhar Close Button

Consumo mundial de petróleo deverá cair este ano pela primeira vez desde a COVID-19, segundo a Agência Internacional de Energia, enquanto a guerra EUA-Irão reduz exportações do Golfo, apesar de a oferta ter aumentado em junho

A procura mundial de petróleo deverá cair um milhão de barris por dia em 2026, anunciou a AIE na sexta-feira, o que fará desse ano a primeira contração anual desde 2020, quando os confinamentos devido à Covid paralisaram a aviação e encerraram a indústria.

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

A comparação acaba por atenuar a queda deste ano num certo sentido, já que a procura desabou cerca de oito milhões de barris por dia no auge da pandemia, mas sublinha a dimensão dos danos que o encerramento do Estreito de Ormuz causou à economia mundial.

A contração está «fortemente assimétrica em termos de produtos e regiões», assinalou a agência no seu relatório mensal.

Análises anteriores da AIE associaram as perdas mais acentuadas às economias asiáticas dependentes de importações e às matérias-primas petroquímicas, como nafta e gás de petróleo liquefeito (GPL), cujas cadeias de abastecimento passam pelo Estreito de Ormuz.

À hora do fecho deste texto, o contrato de Brent para entrega no primeiro mês, referência internacional, negociava-se em cerca de 76 dólares por barril, aproximadamente mais 6% do que antes de os Estados Unidos e Israel lançarem ataques contra o Irão, no final de fevereiro, e muito abaixo dos máximos próximos de 120 dólares atingidos em março, no auge do conflito.

A referência norte-americana, o WTI, era transacionada a um nível inferior, perto de 72 dólares por barril.

Junho regista recuperação frágil

A oferta melhorou de forma acentuada no mês passado, embora partindo de níveis extremamente baixos.

A produção mundial aumentou 4,1 milhões de barris por dia em junho, para 98,8 milhões, à medida que a reabertura parcial do Estreito de Ormuz permitiu aos produtores do Golfo retomar poços anteriormente encerrados, embora o volume extraído continue 9,4 milhões de barris por dia abaixo do nível anterior à guerra.

As exportações do Golfo, incluindo os carregamentos desviados para contornar o estreito, aumentaram 6,5 milhões de barris por dia, para 16,1 milhões. Antes do início dos combates, no final de fevereiro, a região exportava em média 24 milhões de barris.

As reservas mundiais de petróleo aumentaram pela primeira vez desde que os ataques norte-americanos e israelitas ao Irão desencadearam o conflito, interrompendo meses de retiradas recorde, embora os inventários nas economias mais ricas tenham continuado a diminuir, à medida que os compradores adiaram novas importações.

Tréguas desmoronam

As previsões da AIE assentam numa suposição que está agora claramente sob pressão: a manutenção do cessar-fogo e a reabertura gradual do Estreito de Ormuz.

Nessa base, a oferta mundial deverá encolher 3,7 milhões de barris por dia este ano, deixando a produção 860 mil barris diários aquém da procura, antes de aumentar 7,5 milhões no próximo ano e empurrar o mercado para excedente.

Uma produção mais forte noutros pontos do globo e uma procura mais fraca do que se previa antes da guerra ainda poderão restabelecer um excedente até ao final do ano, permitindo aos países reconstruir reservas esgotadas, assinalou a AIE.

Esta semana registou-se a segunda, e muito mais grave, violação das tréguas acordadas no mês passado.

Depois de forças iranianas terem atingido três navios comerciais na segunda-feira e na terça-feira, o Comando Central dos EUA atacou mais de 80 alvos em todo o Irão, incluindo sistemas de defesa aérea, radares costeiros e mais de 60 embarcações ligeiras da Guarda Revolucionária, ao mesmo tempo que Washington revogou a licença que permitia as exportações de petróleo iraniano.

Trump declara fim do cessar-fogo com o Irão

O Irão lançou drones e mísseis contra o Bahrein e o Kuwait, sem provocar danos de maior, e o Presidente norte-americano, Donald Trump, declarou entretanto terminado o cessar-fogo.

Teerão insiste que a única passagem segura é o percurso que define no Estreito de Ormuz, numa altura em que o tráfego caiu para 13 petroleiros na quarta-feira, face a uma média de 33 por dia na semana anterior, segundo dados de navegação da Kpler.

Outras fontes • AFP

Ir para os atalhos de acessibilidade
Partilhar Comentários Siga a Euronews no Google

Notícias relacionadas

Apollo desvia compra da easyJet com oferta de 5,7 mil milhões, supera Castlelake

Volkswagen apresenta plano de quatro anos mas falha consenso para corte de até 100 mil empregos

França regista um novo milionário a cada 15 minutos: como se compara a Europa?