Newsletter Boletim informativo Events Eventos Podcasts Vídeos Africanews
Loader
Encontra-nos
Publicidade

Sudão: economia de guerra alimenta conflito, diz ONU

Autocarro passa junto de hotel destruído pela guerra no centro de Cartum, 19 de abril de 2026
Passa um autocarro diante de um hotel destruído pela guerra no centro de Cartum, em 19 de abril de 2026 Direitos de autor  Copyright 2026 The Associated Press. All rights reserved
Direitos de autor Copyright 2026 The Associated Press. All rights reserved
De Gavin Blackburn
Publicado a
Partilhar Comentários Siga a Euronews no Google
Partilhar Close Button

Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos instou as partes em guerra e as empresas envolvidas na cadeia de valor das mercadorias sudanesas a garantirem o respeito do direito internacional.

As facções em guerra no Sudão estão a lucrar com o controlo dos recursos do país, com a "economia de guerra" a ajudar a sustentar o conflito, afirmou a ONU esta quarta-feira.

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Para financiar o aumento dos custos das operações militares, as partes em conflito dependem do controlo e exploração do território, das rotas comerciais e das mercadorias, alimentando um conflito que se tornou "cada vez mais auto-sustentado", disse o gabinete de direitos humanos da ONU (OHCHR).

A guerra entre o exército regular sudanês e as Forças de Apoio Rápido (RSF), uma milícia paramilitar, rebentou em abril de 2023.

De acordo com algumas estimativas, já causou a morte de 200.000 pessoas e deslocou mais de 11 milhões, atirando várias regiões do Sudão para a fome e situações de fome extrema.

O OHCHR apelou às partes em guerra e às empresas envolvidas na cadeia de valor dos produtos sudaneses para que assegurem o cumprimento do direito internacional.

"A vasta riqueza de recursos naturais do Sudão deve beneficiar a sua população", afirmou o alto-comissário da ONU para os direitos humanos, Volker Türk.

"É preocupante que o que vemos hoje seja tudo menos isso. Na prática, esta riqueza apenas contribui para minar os direitos humanos e alimentar o conflito, causando dor e sofrimento em grande escala.

"Esta economia de guerra tem de ser desmantelada e a comunidade internacional tem de olhar muito mais de perto para as mercadorias e rotas comerciais que contribuem para a manter viva".

Sudão: comércio de goma-arábica

O OHCHR publicou um relatório centrado no comércio de goma-arábica, um ingrediente essencial em produtos como refrigerantes, cosméticos e medicamentos.

Antes da guerra, o Sudão respondia por 70 a 80% das exportações mundiais de goma-arábica em bruto.

Embora tenha um valor de exportação modesto em comparação com outras mercadorias, representa uma fonte de rendimento importante para milhões de sudaneses e continua a ser uma das exportações do país de que o mercado internacional mais depende.

No entanto, o relatório concluiu que muitos dos que dependem do comércio de goma-arábica têm sido alvo de pilhagens, extorsão, detenções arbitrárias e ameaças, sobretudo por parte dos beligerantes e dos seus aliados.

Destroços de um camião blindado no átrio de um hotel destruído durante a guerra em Cartum, 19 de abril de 2026
Destroços de um camião blindado no átrio de um hotel destruído durante a guerra em Cartum, 19 de abril de 2026 AP Photo

Em maio de 2025, a Bolsa de Goma-arábica e os seus armazéns, bem como parte do mercado local em El-Nuhud, no estado de Cordofão Ocidental, terão sido saqueados pelas RSF quando as reservas estavam cheias e prontas para exportação.

Esta situação perturbou gravemente o comércio local e os meios de subsistência, indicou o relatório.

Türk exortou os países a reforçarem a responsabilização, a rastreabilidade e a supervisão regulamentar, bem como o respeito pelos direitos humanos.

"As empresas não podem continuar a operar como se nada fosse quando recorrem a cadeias de valor afetadas por conflitos", afirmou.

Outras fontes • AFP

Ir para os atalhos de acessibilidade
Partilhar Comentários Siga a Euronews no Google

Notícias relacionadas

Sudão e RD Congo lideram lista das crises mais negligenciadas do mundo, diz ONG norueguesa

ONU diz que ataques com drones no Sudão mataram pelo menos 880 civis entre janeiro e abril

Sudão: economia de guerra alimenta conflito, diz ONU