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Sudão e RD Congo lideram lista das crises mais negligenciadas do mundo, diz ONG norueguesa

Deslocados internos que fogem aos combates na província congolesa do Kivu do Sul chegam a Cibitoke, 11 de dezembro de 2025
Deslocados internos que fogem aos combates na província de Kivu Sul, na RDC, chegam a Cibitoke, 11 de dezembro de 2025 Direitos de autor  AP Photo
Direitos de autor AP Photo
De Gavin Blackburn
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O relatório do Conselho Norueguês para os Refugiados indica que a lista de crises esquecidas inclui também o Iémen, o Afeganistão, as Honduras, o Equador e os Camarões.

Sudão, República Democrática do Congo (RDC) e Colômbia lideram a lista das crises de deslocação mais esquecidas do mundo, indicou esta quinta-feira uma importante organização humanitária norueguesa, salientando que o nacionalismo e as campanhas de rearme captaram a atenção nos países ricos.

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Desde 2023, o Sudão tem sido devastado por um conflito sangrento entre dois generais rivais que disputam o poder e conta com mais de 9 milhões de deslocados internos, indicou o Conselho Norueguês para os Refugiados (NRC) em comunicado.

Mais quatro milhões de sudaneses fugiram para países vizinhos e quase 19,5 milhões de pessoas no país sofrem também de fome, acrescenta o NRC no seu relatório anual Relatório sobre Crises de Deslocação Esquecidas.

"É incompreensível que uma crise de deslocação de dimensões semelhantes às crises na Síria e na Ucrânia, nos respetivos picos, possa continuar a agravar-se quase sem ser notada", afirmou o secretário-geral do NRC, Jan Egeland.

"Precisamente quando as necessidades no Sudão dispararam no ano passado e a fome continuou a espalhar-se, o financiamento foi cortado", acrescentou.

Famílias deslocadas de El-Fasher num campo de deslocados em Tawila, 31 de outubro de 2025
Famílias deslocadas de El-Fasher num campo de deslocados em Tawila, 31 de outubro de 2025 AP Photo

A lista da ONG assenta em três critérios: falta de financiamento humanitário, falta de cobertura mediática e falta de vontade política na comunidade internacional.

A RDC, onde uma epidemia de Ébola veio agravar a instabilidade no leste do país, devastado por décadas de conflito, surge na lista do NRC pelo décimo ano consecutivo.

Em 2025, apenas 27,4% do financiamento necessário para a RDC tinha sido garantido, deixando mais de 21 milhões de pessoas em situação de necessidade, segundo o NRC.

"Por detrás de cada número no leste da RDC estão famílias que suportaram anos de violência, deslocações repetidas e uma profunda incerteza quanto ao futuro", afirmou Eric Batonon, diretor do NRC na República Democrática do Congo.

"À medida que a atenção passa de uma emergência global para outra, milhões de congoleses continuam a viver sem proteção adequada, sem assistência e sem esperança".

Montanha-russa de esquecimento

A Colômbia, por seu lado, está há mais de 60 anos marcada por um conflito interno que envolve grupos guerrilheiros, paramilitares, narcotraficantes e forças de segurança, e encontra-se "presa numa montanha-russa de esquecimento", segundo a ONG.

"As pessoas afetadas por este conflito não encontram soluções duradouras. Demasiadas são repetidamente deslocadas e ficam presas, sem fim à vista", comentou no relatório Giovanni Rizzo, diretor do NRC na Colômbia.

A lista de crises esquecidas inclui ainda o Iémen, o Afeganistão, as Honduras, o Equador, os Camarões, a Nigéria e Moçambique.

"Os países tornaram-se muito mais voltados para dentro, mais nacionalistas. O rearme é agora uma prioridade absoluta, porque temos de garantir a nossa própria segurança na Europa. Há o Putin a ameaçar-nos, e por aí fora", disse Egeland, em declarações à televisão pública norueguesa NRK.

"Mas as pessoas esquecem-se de que haverá pandemias, movimentos migratórios e uma enorme perda de vidas humanas se não investirmos em esperança noutros continentes".

Vários países africanos – Burkina Faso, Camarões, República Centro-Africana, Mali e Nigéria – surgiram seis ou mais vezes na lista do NRC, o que revela "um padrão sistémico de negligência deliberada", indicou a organização.

"África fica logo do outro lado do Mediterrâneo, onde vamos de férias. E, se o continente colapsar, também sofreremos as consequências", sublinhou Egeland.

Outras fontes • AFP

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