"Pegaram no melhor jogador e puseram-no a defender", afirmou Trump, numa referência ao avançado inglês Harry Kane. Estará o inquilino da Casa Branca a cobiçar o lugar do selecionador inglês?
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pôs em causa a decisão de Inglaterra de recuar depois de se ter adiantado no marcador na derrota de quarta-feira frente à Argentina, nas meias-finais do Mundial.
"Têm um grande jogador em Inglaterra, com quem jogo golfe, o Harry", disse Trump, numa referência ao avançado inglês Harry Kane, falando ao lado do presidente da FIFA, Gianni Infantino, em Nova Iorque. "Acho que talvez tenham cometido um erro quando o transformaram num jogador defensivo." "Que sei eu de futebol?", acrescentou. "Pegaram no melhor jogador e colocaram-no na defesa."
Após uma primeira parte muito cautelosa, a equipa orientada por Thomas Tuchel adiantou-se no marcador aos 55 minutos, quando o extremo Anthony Gordon desviou para a baliza um cruzamento de Morgan Rogers.
Mas o golo pareceu desencadear uma mudança quase imediata no balanço do jogo, com Inglaterra, de repente, a ter dificuldades em segurar a bola e a permitir onda após onda de pressão da Argentina.
Com os argentinos cada vez mais perto do golo, Tuchel fez várias substituições de cariz defensivo e passou a equipa para um sistema com cinco defesas, lançando o central do Aston Villa, Ezri Konsa, e o lateral do Newcastle, Dan Burn, para tentar segurar o resultado.
A pressão acabou por ser demasiado forte e o médio do Chelsea, Enzo Fernández, restabeleceu a igualdade aos 85 minutos, com um remate de fora da área.
Depois do empate, a equipa de Lionel Scaloni não abrandou e passou para a frente apenas sete minutos depois, com Lautaro Martínez a marcar de cabeça, desencadeando festejos exuberantes entre jogadores e adeptos nas bancadas.
Tuchel assumiu integralmente a responsabilidade pelo resultado, mas disse não se arrepender das decisões tomadas durante o jogo, acrescentando que confiou no seu "instinto" e na sua "experiência".
Foi, ainda assim, mais uma desilusão para Inglaterra e motivo de festa para a Argentina, que vai defrontar Espanha na final do Mundial, no domingo, em busca do segundo título consecutivo.
Inglaterra, por seu lado, enfrenta a pouco apetecível disputa do terceiro lugar, este sábado, frente à França de Didier Deschamps.
A mudança para uma postura defensiva por parte de Inglaterra tem sido alvo de fortes críticas de adeptos e ex-jogadores desde a derrota nas meias-finais, com muitos a lembrarem que Tuchel foi contratado precisamente para se afastar deste tipo de estratégia negativa.
O antigo selecionador Gareth Southgate recolocou Inglaterra entre a elite do futebol mundial, levando a seleção a duas finais do Campeonato da Europa e às meias-finais do Mundial de 2018, mas alguns consideravam que lhe faltava o instinto decisivo para dar o próximo passo, o que levou à escolha de Tuchel.
A Federação Inglesa de Futebol, o organismo que tutela a modalidade, terá dado a Tuchel total apoio para se manter no cargo, apesar dos pedidos de demissão vindos de alguns sectores.
Numa declaração após a derrota, o diretor executivo da Federação, Mark Bullingham, afirmou que é "desolador ficar tão perto".
"Os jogadores e o Thomas deram tudo hoje e o grupo, os treinadores e o restante staff não podiam ter trabalhado mais durante o torneio", acrescentou.