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Síria: chefe da ONU apela a apoio global na primeira visita a Damasco desde 2009

Presidente sírio Ahmad al-Sharaa recebe o secretário-geral da ONU, António Guterres, no palácio presidencial em Damasco, Síria, sábado, 25 julho 2026
Presidente sírio Ahmad al-Sharaa recebe o secretário-geral da ONU, António Guterres, no palácio presidencial em Damasco, Síria, sábado, 25 de julho de 2026. Direitos de autor  AP Photo/Omar Albam
Direitos de autor AP Photo/Omar Albam
De Emma De Ruiter
Publicado a
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O secretário-geral da ONU, António Guterres, é o primeiro chefe das Nações Unidas a visitar a Síria desde Ban Ki-moon, em 2009, dois anos antes do início da guerra civil síria.

Na primeira visita de um secretário-geral da ONU à Síria desde 2009, António Guterres apelou à comunidade internacional para que apoie a população do país na fase de transição após a queda do antigo líder Bashar al‑Assad.

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“Acabei de chegar a Damasco para uma visita de solidariedade. A minha mensagem é clara: a ONU está ao lado da Síria neste momento decisivo e apelo à comunidade internacional para que não poupe esforços em apoiar também o povo sírio”, escreveu Guterres na rede social X.

Pouco depois da chegada, Guterres reuniu-se com o presidente interino da Síria, Ahmad al‑Sharaa, antes de visitar o bairro antigo de Damasco e a célebre Mesquita dos Omíadas.

A visita ocorre numa altura em que a Síria procura recuperar do conflito devastador iniciado em março de 2011, que causou a morte de mais de meio milhão de pessoas.

Desde que o domínio da família Assad, ao longo de cinco décadas, chegou ao fim, em dezembro de 2024, quando forças lideradas pelos combatentes de al‑Sharaa entraram em Damasco, o país tem vindo a lutar para recuperar de anos de guerra e dos efeitos de sanções ocidentais asfixiantes.

Embora os Estados Unidos e a Europa tenham levantado muitas das sanções impostas durante o regime da dinastia Assad, o impacto no terreno tem sido até agora limitado.

Desde que al‑Sharaa assumiu o poder, a comunidade internacional tem instado as novas autoridades islamitas a criarem instituições sólidas e eficazes e a estabelecerem um sistema de governação que inclua todos os componentes da sociedade síria, multiétnica e multiconfessional.

Síria: situação nas Colinas de Golã é “inaceitável”

Está previsto que Guterres se reúna com representantes da sociedade civil síria e de organizações não-governamentais que trabalham questões relativas às mulheres, e visite uma força de manutenção de paz da ONU estacionada desde 1974 nas Colinas de Golã, território sírio ocupado por Israel no sul do país.

Após a queda de Assad, Israel enviou tropas para a zona tampão patrulhada pela ONU que separava as forças israelitas e sírias nas Colinas de Golã e tem realizado ataques e incursões repetidas mais profundamente em território sírio.

As autoridades israelitas afirmaram que tencionam manter forças numa “zona de segurança” no sul da Síria, onde pretendem uma área desmilitarizada mais ampla.

“O que está a acontecer na região em torno das Colinas de Golã é totalmente inaceitável”, afirmou Guterres numa conferência de imprensa ao lado do ministro dos Negócios Estrangeiros sírio, Asaad al‑Shaibani, que apelou a uma “retirada imediata e incondicional de Israel” das áreas onde as suas forças avançaram.

Presidente sírio Ahmad al‑Sharaa passeia com o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, no palácio presidencial sírio em Damasco, Síria, sábado, 25 de julho de 2026.
Presidente sírio Ahmad al‑Sharaa passeia com o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, no palácio presidencial sírio em Damasco, Síria, sábado, 25 de julho de 2026. AP Photo/Omar Albam

Apesar das tensões entre os dois vizinhos, Israel e as novas autoridades sírias realizaram várias rondas de negociações diretas e concordaram em criar um mecanismo de partilha de informações, mas essa iniciativa não conseguiu travar a atividade militar israelita.

Desde a destituição de al‑Assad, regressaram, segundo a ONU, cerca de 1,9 milhões de deslocados internos e 1,7 milhões de refugiados que estavam no estrangeiro, enquanto cerca de 5,5 milhões de pessoas permanecem deslocadas dentro do país e outras seis milhões no exterior.

Com muitos sírios a viver na pobreza, calcula-se que 15,6 milhões de pessoas necessitam de ajuda humanitária.

Outras fontes • AP, AFP

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