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Eis o salário necessário para poder comprar uma casa de 1 milhão de euros em qualquer parte da Europa

Portofino, Itália
Portofino, Itália Direitos de autor  Canva
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De Servet Yanatma
Publicado a Últimas notícias
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Um terço do salário bruto médio não é suficiente para cobrir a prestação mensal de quase 3 600 € de uma casa de 1 milhão de euros em qualquer ponto da UE. O Luxemburgo é o país que mais se aproxima, embora os compradores ainda precisem de 1,6 vezes o salário médio.

Uma casa de 1 milhão de euros pode ser um apartamento comum no centro de Paris ou uma vivenda de luxo perto de Sofia. Mas, seja qual for o mercado, é preciso um rendimento muito acima da média nacional para a conseguir pagar.

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Quanto teriam então de ganhar?

A Euronews Business calculou o salário necessário com base num cenário típico de crédito à habitação: uma entrada de 20%, taxa de juro fixa de 3,5% e prazo de reembolso de 30 anos. Partiu ainda do princípio de que os compradores destinam no máximo 33% do rendimento bruto à prestação da casa.

Isto corresponde a uma entrada de 200 000 euros e a um empréstimo de 800 000 euros.

Os cálculos não incluem impostos sobre o património, seguros, custos de transação ou outras comissões, e as condições reais de concessão de crédito variam entre países e mutuários.

Prestação mensal aproxima-se dos 3.600 euros

Com estas premissas, a prestação anual do crédito à habitação seria de 43 108 euros, o que equivale a 3.592 euros por mês.

Dado que 33% do rendimento bruto são reservados para a prestação, o comprador precisaria de um rendimento bruto anual de 130 631 euros, ou seja, 10 886 euros por mês.

Os níveis de rendimento diferem significativamente na Europa. Este patamar pode ser mais fácil de atingir nuns países do que noutros, e o esforço financeiro também varia dentro de cada país.

Os cálculos deste artigo assentam nos dados de 2025 do Eurostat sobre salários brutos de um trabalhador a tempo inteiro, solteiro e sem filhos, que recebe 100% do salário médio. Como dois rendimentos tornam uma casa de 1 milhão de euros mais acessível e é provável que os casais se interessem, os valores mostram também como muda o esforço para um casal em que ambos ganham o salário médio.

Bulgária: compradores precisam de quase oito salários médios

O número de salários médios necessários para comprar uma casa de 1 milhão de euros varia muito na Europa. Dentro da UE, a diferença entre o valor mais baixo e o mais elevado é quase de cinco vezes.

Os assalariados médios na Bulgária estão na situação mais difícil, enquanto os do Luxemburgo são os que mais se aproximam de conseguir suportar o empréstimo. Na Bulgária, uma pessoa solteira, sem filhos, que ganha 100% do salário médio precisaria de um rendimento equivalente a 7,8 salários médios. No Luxemburgo, o valor fica abaixo de dois, em 1,6.

O número de salários médios necessários situa-se entre dois e três na Dinamarca (2,1), Irlanda (2,3), Bélgica (2,4), Áustria (2,5), Países Baixos (2,6), Alemanha (2,7), Finlândia (2,8) e Suécia (2,8).

Os trabalhadores médios destes países são os que mais perto estão de poder comprar uma casa de 1 milhão de euros.

Entre as quatro maiores economias da UE, a Alemanha está na melhor posição, com 2,7 salários médios, contra 3,1 em França, 4,0 em Espanha e 4,1 em Itália.

O valor mantém-se também abaixo de quatro na Eslovénia (3,7) e em Malta (3,9).

Dez países da UE precisam de mais de cinco salários

Para comprar uma casa de 1 milhão de euros, seria necessário um rendimento equivalente a mais de cinco salários médios em dez países da UE. A Grécia (7,2) surge logo a seguir à Bulgária (7,8), com a segunda exigência mais alta na União.

A Hungria (6,7), a Eslováquia (6,3) e a Polónia (5,8) completam o grupo dos cinco países onde o esforço é maior.

A Roménia (5,8), a Letónia (5,7), a Chéquia (5,2), Portugal (5,2) e a Croácia (5,2) também exigem mais de cinco salários médios. A Estónia fica exatamente em 5,0, elevando para onze o número de países que requerem o equivalente a cinco salários ou mais.

Luxemburgo: só casal com salários médios cumpre o critério

Num casal em que ambos os parceiros ganham o salário médio, a relação de esforço cai para metade, porque o cálculo se baseia no rendimento conjunto. No Luxemburgo, o rendimento necessário é equivalente a 0,8 vezes o total dos salários brutos do casal, o que significa que dois assalariados médios ficam dentro do limite de 33% assumido para a prestação.

A Dinamarca aproxima-se, com um rendimento necessário equivalente a 1,05 vezes o salário conjunto de um casal com dois rendimentos. A Irlanda e a Bélgica apresentam ambas uma relação de cerca de 1,2, o que significa que nem os salários combinados de dois assalariados médios seriam suficientes. De acordo com as premissas usadas, o Luxemburgo é, contudo, o único país da UE onde dois trabalhadores com o salário médio cumprem o limiar de acessibilidade.

Na Bulgária, um casal que ganha salários médios precisaria ainda de um rendimento equivalente a quase quatro vezes o total que recebe, o que continua a tornar a casa muito difícil de suportar.

Quanto valem os salários médios?

Segundo o Eurostat, os salários brutos anuais médios variam muito na Europa em 2025. Para uma pessoa solteira e sem filhos, os salários brutos médios mensais, calculados dividindo o valor anual por 12, vão de 1 398 euros na Bulgária a 6 713 euros no Luxemburgo.

Os salários brutos médios mensais ultrapassam também os 4 000 euros na Dinamarca (5 300 euros), Irlanda (4 708 euros), Bélgica (4 630 euros), Áustria (4 306 euros) e Países Baixos (4 167 euros).

Em contraste, o salário médio fica abaixo dos 2 000 euros em sete países, longe de cobrir a prestação mensal de 3 592 euros. Além da Bulgária, são eles a Grécia (1 510 euros), Hungria (1 625 euros), Eslováquia (1 734 euros), Polónia (1 862 euros), Roménia (1 885 euros) e Letónia (1 904 euros).

Diferença entre salário e prestação da casa

Dado que o cálculo assume que apenas 33% do salário podem ser destinados ao crédito à habitação, um salário médio não chega, em nenhum país da UE, para uma pessoa sozinha.

Na Bulgária, isto deixa um défice de 3 131 euros. É a diferença entre a prestação de 3 592 euros e 461 euros, ou 33% do salário.

No Luxemburgo, a lacuna é de 1 377 euros, já que 33% do salário bruto representam 2 215 euros.

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