Apesar de ter sido declarada há menos de três meses, a epidemia já é a maior alguma vez registada na República Democrática do Congo.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) apelou, esta terça-feira, ao reforço do apoio para combater o surto de Ébola na República Democrática do Congo (RDC), alertando que a resposta continua a não conseguir acompanhar a propagação da doença.
"O surto continua, infelizmente, a expandir-se para além da nossa capacidade de resposta", afirmou o porta-voz da OMS, Tarik Jasarevic, aos jornalistas, em Genebra.
"Precisamos de mais apoio financeiro, mas também de outros recursos, para reforçar todas as áreas da resposta, desde a capacidade de tratamento às equipas de investigação no terreno, de inumação segura e aos agentes comunitários".
No país, foram já registados 3.802 casos confirmados de Ébola, incluindo 1.707 mortes. Outros 727 doentes recuperaram e 275 casos suspeitos continuam sob investigação.
Cerca de 17 mil contactos estão sob vigilância e mais de 80 % são acompanhados diariamente.
Embora tenham sido registados casos em cinco províncias, quase 90 % concentram-se em Ituri, no nordeste do país, e quase todos os restantes na província vizinha do Kivu do Norte.
Jasarevic afirmou que a resposta deve concentrar-se nas zonas onde o vírus está atualmente a propagar-se e naquelas para onde poderá alastrar.
O Ébola é uma febre hemorrágica viral que se transmite através do contacto próximo com pessoas infetadas e com os seus fluidos corporais.
A República Democrática do Congo declarou o 17.º surto de Ébola a 15 de maio, depois de terem sido registadas várias mortes em Ituri.
O surto é provocado pela estirpe Bundibugyo do vírus Ébola, para a qual ainda não existem tratamentos, vacinas ou opções de profilaxia pós-exposição comprovadamente seguras e eficazes.
Estão, no entanto, em curso vários ensaios de potenciais terapêuticas, vacinas e medicamentos antivirais de pós-exposição.
Vasee Moorthy, responsável pelo programa de investigação e desenvolvimento da OMS, afirmou que os primeiros resultados são promissores.