As Filipinas, primeiro grande território voltado para a cintura de ciclones do Pacífico, são atingidas por cerca de 20 tempestades e tufões por ano.
Chuvas intensas durante nove dias, equivalentes a mais de um mês de precipitação em algumas zonas, provocaram cheias, deslizamentos de terras e acidentes que causaram pelo menos 13 mortos no norte das Filipinas,segundo os números dados pelos serviços de emergência esta segunda-feira.
As chuvas, agravadas por tempestades tropicais, levaram ao encerramento de escolas e serviços públicos em toda a ilha principal do arquipélago, Luzon, e inundaram ruas na capital, Manila.
Quatro das mortes ocorreram na estância montanhosa de Baguio, quando uma encosta encharcada desabou sobre várias casas, matando quatro moradores, disse o responsável municipal pela gestão de catástrofes, Charles Carame, à agência AFP.
As equipas de salvamento escavavam entre os escombros à procura de pelo menos mais seis pessoas que continuavam desaparecidas um dia depois do incidente, acrescentou.
O meteorologista estatal Dan Villamil afirmou que, na estância turística situada quatro horas a norte da capital, a chuva já era 47% superior ao normal para todo o mês. “A precipitação registada entre 1 e 9 de agosto foi mais elevada em Baguio, com um acumulado de 1 413,2 milímetros”, disse, acrescentando que a média habitual da cidade para o mês é de 963,2 milímetros.
Algumas zonas da região metropolitana de Manila registaram chuva equivalente a cerca de 90% de um agosto típico, acrescentou.
Deslizamentos de terras causaram a morte de outras seis pessoas noutras partes de Luzon, enquanto outra se afogou, uma foi atingida pela queda de uma árvore e outra morreu eletrocutada, de acordo com um balanço dos serviços de proteção civil.
Embora a chuva intensa continuasse a cair no início da noite de segunda-feira, o ministro das Obras Públicas, Vince Dizon, afirmou em conferência de imprensa que as águas das cheias estavam a recuar: “As nossas intervenções continuam, mas precisamos mesmo de corrigir anos e décadas de obras defeituosas de mitigação de cheias”, disse Dizon aos jornalistas, numa referência a um escândalo em torno de falsos projetos de controlo de cheias que custaram milhares de milhões de dólares aos contribuintes.
As Filipinas são a primeira grande massa terrestre na rota dos ciclones do Pacífico. O arquipélago é atingido, em média, por 20 tempestades e tufões por ano, deixando milhões de pessoas em zonas vulneráveis a catástrofes, já em situação de pobreza, num estado ainda mais frágil.
Os cientistas afirmam que as alterações climáticas provocadas pelo ser humano estão a tornar os fenómenos meteorológicos extremos mais frequentes, prolongados e intensos.