Loader
Encontra-nos
Publicidade

Quem é Mohsen Rezaei, o novo chefe de segurança do Irão procurado pela Interpol?

ARQUIVO: Um apoiante do candidato presidencial iraniano Mohsen Rezaei, antigo comandante dos Guardas da Revolução, segura o seu cartaz num comício em Teerão, 10 junho 2012
ARQUIVO: Apoiante do candidato presidencial iraniano Mohsen Rezaei, ex-comandante dos Guardas da Revolução, segura o cartaz num comício em Teerão, 10 junho 2012 Direitos de autor  AP Photo
Direitos de autor AP Photo
De Euronews Persian
Publicado a Últimas notícias
Partilhar Comentários Siga a Euronews no Google
Partilhar Close Button

Mohsen Rezaei é uma figura militar fundadora da República Islâmica, quatro vezes candidato presidencial derrotado e alvo de um alerta da Interpol pelo atentado de 1994 em Buenos Aires, que matou 85 pessoas. Eis o que se sabe sobre o novo chefe do conselho de segurança do Irão.

Mohsen Rezaei, uma das figuras fundadoras do Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (IRGC), foi nomeado secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irão, passando a deter autoridade formal sobre o órgão responsável pelas decisões estratégicas de Teerão.

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

A nomeação foi feita por decreto presidencial, assinado por Masoud Pezeshkian no domingo.

Umas horas antes, o aiatola Mojtaba Khamenei tinha nomeado Rezaei como seu representante pessoal no conselho.

Com quase cinco décadas no topo do aparelho de segurança e militar da República Islâmica, Rezaei, de 71 anos, sucede a Mohammad Bagher Zolghadr, comandante veterano da Guarda Revolucionária que se demitiu após cerca de quatro meses no cargo e foi nomeado conselheiro político de Khamenei.

Logo após o anúncio da nomeação, Rezaei declarou publicamente que o Irão não abrirá um segundo corredor marítimo no estreito de Ormuz, que os navios de guerra dos Estados Unidos que entrem no estreito serão alvo de ataques e que a guerra tem de terminar e os ativos iranianos congelados têm de ser libertados antes de Ormuz poder voltar a ser reaberto.

Quem é Mohsen Rezaei?

Rezaei, de nome de nascimento Sabzvar, nasceu em 1954 na província de Khuzestan, numa família tribal bakhtiari.

Inicialmente ativista político contra o regime do xá Reza Pahlavi, no início da década de 1970, Rezaei foi detido pela agência de inteligência do xá, a SAVAK, e preso em Ahvaz.

Foi um dos fundadores do grupo armado Mansouroun, que ajudou a lançar as bases para a Organização dos Mojahedin da Revolução Islâmica.

Após a revolução de 1979, Rezaei integrou o conselho central da República Islâmica e fez parte de uma comissão de 12 membros que redigiu o estatuto da Guarda Revolucionária.

Em setembro de 1981, com 27 anos, o aiatola Ruhollah Khomeini nomeou-o comandante-chefe dos Guardas da Revolução.

Comandantes do IRGC, incluindo Mohsen Rezaei, saúdam o líder supremo, aiatola Ali Khamenei, em Teerão, 20 de maio de 2015
Comandantes do IRGC, incluindo Mohsen Rezaei, saúdam o líder supremo, aiatola Ali Khamenei, em Teerão, 20 de maio de 2015 AP Photo

Rezaei manteve o cargo durante 16 anos, tornando-se um dos comandantes militares com mais longevidade na história da República Islâmica, antes de abandonar a chefia em setembro de 1997.

Passou então a secretário do Conselho de Discernimento do Interesse do Estado, o órgão que resolve disputas entre o parlamento e o Conselho dos Guardiães e define grandes linhas da política de Estado, função que desempenhou durante quase 24 anos.

Em 2021, foi nomeado vice-presidente para a Economia no governo do presidente Ebrahim Raisi, cargo que deixou em junho de 2023.

Apesar deste percurso de destaque institucional, Rezaei concorreu quatro vezes à presidência e perdeu em todas. Nas eleições de 2021, obteve 3,4 milhões de votos, menos do que o número de boletins considerados inválidos.

Atentado ao centro judaico na Argentina

O nome de Rezaei tem sido associado internacionalmente ao atentado de 1994 contra o centro comunitário judaico AMIA, em Buenos Aires, que matou 85 pessoas e feriu centenas, o ataque terrorista mais mortífero da história da Argentina.

Em 2007, procuradores argentinos pediram mandados de captura para nove pessoas em ligação com o ataque, incluindo Rezaei, então comandante do IRGC. A Interpol então um alerta vermelho para a sua captura, que continua em vigor.

ARQUIVO: O candidato presidencial iraniano Mohsen Rezaei mostra o seu cartão de identificação ao registar-se como candidato às eleições, no Ministério do Interior em Teerão, 8 de maio de 2009
ARQUIVO: O candidato presidencial iraniano Mohsen Rezaei mostra o seu cartão de identificação ao registar-se como candidato às eleições, no Ministério do Interior em Teerão, 8 de maio de 2009 AP Photo

Teerão e Rezaei negaram sempre qualquer envolvimento no ataque, descrevendo as acusações como motivadas politicamente.

O processo teve, ainda assim, consequências práticas: a Argentina protestou contra a sua nomeação como vice-presidente para a Economia em 2021, já antes se tinha oposto à sua presença em tomadas de posse de presidentes da Nicarágua e pediu ao Qatar que o detivesse e extraditasse durante uma visita a Doha, pedido que não foi cumprido.

Operação Karbala-4

O episódio mais controverso do comando militar de Rezaei, no plano interno, foi a Operação Karbala-4, uma ofensiva de dezembro de 1986, durante a guerra Irão-Iraque, destinada a recuperar partes da área de Faw, que foi detetada e repelida pelas forças iraquianas, causando pesadas baixas iranianas, incluindo em unidades de mergulhadores de combate.

Em 2015, foram descobertos e identificados os restos mortais de 175 mergulhadores que tinham participado na operação, alegadamente sepultados com as mãos atadas.

A afirmação posterior de Rezaei, segundo a qual a continuação da operação depois de ter sido comprometida foi uma manobra deliberada de engano antes da mais ampla Operação Karbala-5, o cerco de Basra, a maior ofensiva militar da guerra, suscitou fortes críticas de antigos responsáveis, jornalistas e utilizadores das redes sociais.

ARQUIVO: Um apoiante do candidato presidencial iraniano Mohsen Rezaei, antigo comandante da Guarda Revolucionária do Irão, participa numa campanha de rua em Teerão, 6 de junho de 2013
ARQUIVO: Um apoiante do candidato presidencial iraniano Mohsen Rezaei, antigo comandante da Guarda Revolucionária do Irão, participa numa campanha de rua em Teerão, 6 de junho de 2013 AP Photo

Qassem Soleimani, então comandante da Força Quds, contrariou esta versão, afirmando que Karbala-4 sempre tinha sido a operação principal.

Outro caso polémico surgiu em novembro de 2011, quando o filho mais velho de Rezaei, Ahmad, que anteriormente tinha fugido para os Estados Unidos e dado entrevistas aos media criticando altos responsáveis da República Islâmica, foi encontrado morto num quarto de hotel no Dubai.

A polícia do Dubai atribuiu a morte a uma overdose de antidepressivos. A família de Rezaei e a secretaria do Conselho de Discernimento rejeitaram essa conclusão e qualificaram a morte como suspeita. A causa da morte de Ahmad Rezaei nunca foi estabelecida de forma conclusiva.

Guerra, sucessão e regime em transformação

A nomeação de Rezaei surge após um dos períodos mais turbulentos na história da República Islâmica.

Os Estados Unidos e Israel lançaram, a 28 de fevereiro, ataques alargados contra alvos militares iranianos, que mataram o aiatola Ali Khamenei, o ministro da Defesa Mohammad Reza Ashtiani e cerca de 40 altos comandantes militares e de segurança.

Ali Larijani, que era secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional desde agosto de 2025 e era considerado por muitos analistas a figura mais poderosa do Irão na véspera da guerra, foi morto numa vaga posterior de ataques israelitas contra Teerão.

Zolghadr sucedeu então a Larijani no cargo. Nos termos da constituição, um conselho provisório, composto pelo presidente Pezeshkian, pelo chefe do poder judicial, Gholam-Hossein Mohseni Ejei, e por um religioso nomeado pelo Conselho dos Guardiães, assumiu as funções de liderança do país até que Mojtaba Khamenei foi escolhido como terceiro aiatola em 9 de março.

Ir para os atalhos de acessibilidade
Partilhar Comentários Siga a Euronews no Google

Notícias relacionadas

Trump elogia o bloqueio da “muralha de aço” e afirma que os EUA vão manter o controlo do Estreito de Ormuz

Trump vai exigir uma indemnização ao Irão pelo conflito, no âmbito das negociações de paz

Empresa portuguesa investigada e sancionada pelos EUA por venda de helicópteros ao Irão