O forte crescimento da energia solar ajudou a responder ao aumento da procura de eletricidade causado pelas ondas de calor extremas na Europa, indica uma nova análise.
A energia solar tem assumido o grosso do esforço para ajudar a Europa a satisfazer as suas necessidades energéticas numa sucessão de ondas de calor intensas.
Uma nova análise do think tank de energia Ember concluiu que a produção solar nos países europeus aumentou até 17% nos dias de onda de calor em junho e julho.
Os investigadores afirmam que isso ajudou a alimentar a rede numa altura em que a procura de eletricidade aumentou até um quarto nos dias mais quentes. As ondas de calor provocam frequentemente um pico no consumo de eletricidade devido à necessidade súbita de arrefecimento, sobretudo através de unidades de ar condicionado (A/C) com elevado consumo de energia.
A Agência Internacional da Energia (AIE) estima que o arrefecimento de espaços, sobretudo com unidades de A/C e ventoinhas, tenha consumido cerca de 7% da eletricidade mundial em 2022. Mesmo em países onde a posse de aparelhos de A/C é baixa, registam-se picos de procura de energia quando as temperaturas disparam.
Durante as ondas de calor no início do verão de 2025, França, por exemplo, registou um pico de consumo de eletricidade à noite 25% acima da média fora de época devido ao ar condicionado.
Energia solar funciona ‘melhor do que o habitual’ durante ondas de calor
Segundo a análise da Ember, durante a onda de calor de finais de junho deste verão, a procura diária de eletricidade aumentou até 26% na Hungria, 22% em Itália, 11% em França e 8% em Espanha face à semana anterior.
Segundo o relatório, à medida que a procura impulsionada pelas ondas de calor aumentava, a energia solar foi a única grande fonte de eletricidade a ter um desempenho “melhor do que o habitual”. Em comparação com outros dias de junho e julho, a produção solar média diária durante as ondas de calor foi 17% superior em França e na Hungria, 5% superior em Espanha e igual em Itália.
“A energia solar já está a suportar o grosso do esforço durante as ondas de calor, mas o verdadeiro desafio começa depois do pôr do sol”, afirma o analista sénior de energia Chris Rosslowe.
“À noite, quando a procura de arrefecimento continua elevada, a rede fica mais exposta à eletricidade produzida por centrais a gás, mais cara.”
Europa enfrenta verão abrasador e maior pressão sobre a energia
Ondas de calor sucessivas na Europa, que os cientistas dizem que teriam sido “praticamente impossíveis” sem as alterações climáticas, desencadearam secas generalizadas em todo o continente.
Os baixos níveis de água ao longo do Danúbio obrigaram a reduzir a produção nuclear na Hungria, enquanto especialistas alertam que a energia hidroelétrica se aproximou de um “mínimo histórico” na região alpina.
A energia produzida a partir de combustíveis fósseis também foi afetada pela seca: a Polónia foi obrigada a reduzir a produção numa central a carvão devido a níveis de água criticamente baixos no rio Vístula.
Durante as ondas de calor de finais de junho e início de julho, os preços médios diários da eletricidade dispararam, ficando 119% mais altos na Hungria, 44% em França, 13% em Itália e 7% em Espanha do que em dias comparáveis das semanas anteriores.
Especialistas afirmam que esta escalada de preços reforça a necessidade de sistemas de armazenamento em baterias, capazes de evitar o desperdício de excedentes de energia solar.
“Se a energia solar salva o dia, o armazenamento em baterias pode salvar a noite”, afirma Rosslowe.
“Em conjunto, constituem uma das formas mais claras de tornar o sistema elétrico europeu mais resiliente nos verões mais quentes. À medida que a produção solar aumenta durante as ondas de calor e outras fontes têm dificuldades, o armazenamento pode levar essa eletricidade barata até à noite.”