Irão mantém controlo do estreito de Ormuz, corredor energético vital, desde o início da guerra a 28 de Fevereiro, obrigando navios a obter autorização e pagar taxas de trânsito antes de usarem a via marítima.
As forças armadas iranianas classificaram esta quinta-feira como “mentiras” as declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que reivindicou o controlo do estreito de Ormuz, afirmando que a via marítima estratégica permanece totalmente sob controlo iraniano.
“As falsas alegações dos Estados Unidos de que os navios atravessam o estreito de Ormuz normalmente... não passam de mentiras e invenções”, declarou Ebrahim Zolfaghari, porta-voz do comando militar central do Irão.
“O estreito de Ormuz está, como no passado, sob a gestão e o controlo completos da República Islâmica do Irão e nenhum navio comercial ou petroleiro, sem a autorização e a supervisão das poderosas forças armadas iranianas, teve ou terá a possibilidade de passar em segurança por este estreito”, afirmou Zolfaghari num vídeo transmitido pela televisão estatal.
O Irão mantém o controlo do estreito de Ormuz, um corredor energético vital, desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, exigindo que os navios obtenham autorização e paguem taxas de trânsito antes de utilizarem a via marítima.
Numa publicação na Truth Social na quarta-feira, Trump afirmou que os Estados Unidos “têm controlo total sobre o estreito de Ormuz. ACHO QUE VAMOS MANTÊ-LO!”
“O nosso bloqueio naval está a ser descrito, por todos, como ‘UMA PAREDE DE AÇO’ e não há nada que o Irão possa fazer quanto a isso”, acrescentou.
Também na quinta-feira, o chefe das forças paramilitares Basij, subordinadas à Guarda Revolucionária, afirmou que o estreito se encontra sob controlo iraniano.
“Hoje, vê-se que o estreito de Ormuz está sob a gestão e o controlo da República Islâmica, e o nosso país prossegue o seu caminho em total segurança”, declarou Hossein Taeb, citado pela televisão estatal.
O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, afirmou esta quinta-feira que os Estados Unidos estão a cometer erros de cálculo em relação à via marítima.
“Os Estados Unidos há muito que se enganam devido a falhas de informação. Exemplo disso: a guerra contra o Irão. Agora, um erro de cálculo ainda maior no estreito de Ormuz”, escreveu numa publicação na rede X.
O deputado iraniano e membro da comissão de segurança nacional Behnam Saeedi afirmou que o estreito está fechado a navios dos Estados Unidos e de Israel.
“Navios pertencentes ao regime sionista não terão o direito de passar pelo estreito de Ormuz em circunstância alguma, seja em tempo de guerra ou de paz”, disse à televisão estatal, acrescentando que “os navios militares dos EUA também ficarão impedidos de atravessar o estreito”.
Irão e Omã mantêm conversações para estabelecer uma nova rota através do estreito, mas as negociações ainda não foram concluídas.
O porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros, Esmaeil Baghaei, afirmou no início deste mês que Teerão e Mascate estavam a preparar uma declaração conjunta sobre o acordo, que inclui aspetos técnicos, jurídicos, de segurança e ambientais.
Em paralelo, os meios de comunicação iranianos citaram fontes oficiais segundo as quais a reabertura do estreito dependerá do fim do bloqueio naval norte-americano aos portos do país.