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Israel abre inquéritos criminais às mortes de Hind Rajab e de socorristas palestinianos

Enlutados reúnem-se em torno dos corpos de oito elementos do Crescente Vermelho em Deir al-Balah, Gaza, a 31 de março de 2025.
Enlutados reúnem-se em torno dos corpos de oito elementos do Crescente Vermelho em Deir al-Balah, na Faixa de Gaza, em 31 de março de 2025. Direitos de autor  (AP Photo/Abdel Kareem Hana,File)
Direitos de autor (AP Photo/Abdel Kareem Hana,File)
De Greta Ruffino
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O comunicado não menciona vários outros homicídios de grande impacto que o exército se tinha comprometido a investigar, incluindo ataques israelitas a um hospital no sul de Gaza, em agosto de 2025, que mataram cinco jornalistas, bem como outros incidentes a envolver trabalhadores humanitários.

O exército israelita anunciou esta quarta-feira que vai abrir investigações criminais a dois incidentes de grande visibilidade relacionados com a morte de palestinianos durante a guerra em Gaza, incluindo a de Hind Rajab, de cinco anos, e de membros da sua família, bem como de 15 paramédicos palestinianos.

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O anúncio surge depois de o exército ter concluído a análise de 150 incidentes relacionados com a atuação das tropas israelitas em Gaza, com decisões tomadas em cinco casos.

O comunicado não menciona vários outros homicídios de grande impacto que o exército se tinha comprometido a investigar, incluindo ataques israelitas a um hospital no sul de Gaza, em agosto de 2025, que mataram cinco jornalistas.

O exército indicou ainda que não vai abrir investigações criminais sobre outros três incidentes envolvendo trabalhadores humanitários da World Central Kitchen e da organização Médicos Sem Fronteiras.

Como ocorreram as mortes

A morte de Rajab, em fevereiro de 2024, e a dos 15 paramédicos palestinianos, em maio de 2025, chamaram a atenção da comunidade internacional.

Rajab seguia viagem com seis familiares, tentando fugir da Cidade de Gaza, quando tropas israelitas abriram fogo sobre o veículo. A sua prima de 15 anos, Layan Hamada, telefonou ao Crescente Vermelho Palestiniano, dizendo que um tanque se aproximava e que a família tinha sido morta.

Segundos depois, ouviram-se mais tiros antes de os gritos de Layan cessarem, de acordo com uma gravação divulgada pelo Crescente Vermelho.

Hind sobreviveu inicialmente ao ataque e manteve contacto com o Crescente Vermelho, que procurava obter autorização do exército israelita para chegar até ela. Doze dias depois, a criança, os familiares e dois elementos das equipas médicas enviados para a resgatar foram encontrados mortos.

Os 15 paramédicos foram mortos em Rafah depois de as tropas israelitas terem aberto fogo contra ambulâncias e outros veículos de emergência, que estavam a socorrer feridos e a procurar uma ambulância desaparecida, de acordo com imagens gravadas por telemóvel e com o único sobrevivente.

Os corpos e os veículos danificados foram posteriormente enterrados numa vala comum. Equipas das Nações Unidas e de resgate recuperaram os restos mortais cerca de uma semana depois.

O exército israelita afirmou inicialmente que os veículos avançavam “de forma suspeita”, sem faróis nem sinais de emergência. Mais tarde reviu essa versão, depois de imagens terem mostrado os veículos de emergência em movimento com luzes intermitentes e símbolos visíveis do Crescente Vermelho e da Defesa Civil.

“Não estamos obrigados a provar a verdade, porque ela já está comprovada perante todo o mundo”, declarou à agência AP o porta-voz do Crescente Vermelho Palestiniano, Eid Azizi. “Não deveríamos ter chegado a este ponto se tivessem respeitado e aplicado o direito humanitário internacional.”

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