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Estados Unidos criticam Israel por “escalada desnecessária” após ataques a base síria

Aviões desativados da Força Aérea síria são vistos no aeroporto militar de Abu al-Duhur, a leste de Idlib, em 7 de dezembro de 2024
Aviões desativados da Força Aérea síria são vistos no aeroporto militar de Abu al-Duhur, a leste de Idlib, em 7 de dezembro de 2024 Direitos de autor  AP Photo
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De Greta Ruffino
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Israel afirmou ter atacado a base por considerar que a Síria estava prestes a violar o “status quo em matéria de segurança” ao permitir o envio de tropas turcas.

Os Estados Unidos criticaram Israel por ter atacado uma base militar síria perto da fronteira com a Turquia, classificando a ofensiva como “uma escalada desnecessária”.

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A televisão estatal síria indicou que oito ataques atingiram a pista e instalações de armazenamento na base aérea de Abu Duhur, na terça-feira. Não houve registo de vítimas.

O enviado especial de Donald Trump para a Síria e o Iraque, Tom Barrack, que acumula funções como embaixador dos EUA na Turquia, criticou os ataques israelitas numa publicação nas redes sociais.

“Estamos profundamente preocupados com o facto de os ataques aéreos israelitas confirmados contra a base aérea de Abu al-Duhur constituírem uma escalada desnecessária que não contribui para a estabilidade regional”, escreveu Barrack na plataforma X.

Damasco e Ancara acusaram as forças armadas israelitas de terem conduzido os ataques, alertando que estes poderiam aumentar as tensões em toda a região.

O gabinete do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, afirmou em comunicado que Israel atacou a base porque a Síria estava “à beira de violar” o “status quo em matéria de segurança” acordado, ao permitir o destacamento de tropas turcas no local.

“Israel avisou repetidamente a Síria de que tal destacamento representaria uma ameaça para a segurança de Israel. A Síria optou por ignorar esses avisos”, acrescentou a nota.

O ministério dos Negócios Estrangeiros sírio condenou os ataques como “um ato de agressão injustificado”, alertando que estes ameaçavam a “segurança e estabilidade” regionais.

Ancara não esclareceu se as forças turcas tinham sido ou não destacadas para a base de Abu Duhur, situada a cerca de 70 quilómetros da fronteira turca, mas rejeitou as alegações de Israel de que a Turquia representa uma ameaça à segurança.

“As alegações infundadas avançadas pelo gabinete do primeiro-ministro israelita visam legitimar os ataques aéreos ilegais de Israel, que visam a soberania e a integridade territorial da Síria”, afirmou a Direção de Comunicação da Turquia, citada pela agência noticiosa estatal Anadolu.

O Qatar, o Egito e a Arábia Saudita figuraram entre vários países da região que condenaram os ataques.

Um posto de controlo do exército sírio abandonado perto do aeroporto militar de Abu al-Duhur, a leste de Idlib, em 7 de dezembro de 2024
Um posto de controlo do exército sírio abandonado perto do aeroporto militar de Abu al-Duhur, a leste de Idlib, em 7 de dezembro de 2024 AP Photo

As tensões entre Israel e a Turquia em torno da Síria têm aumentado desde a queda do regime de Bashar al-Assad, em dezembro de 2024, quando forças insurgentes assumiram o controlo de Damasco.

Desde então, Israel realizou centenas de ataques em todo o território sírio, dirigidos sobretudo a antigos ativos militares do regime, para impedir que caíssem nas mãos das novas autoridades do país. As forças israelitas assumiram ainda o controlo de uma zona tampão no sul da Síria, anteriormente patrulhada pela ONU, onde continuam destacadas.

As novas autoridades sírias afirmaram não procurar um confronto com Israel, enquanto Israel se mantém cauteloso em relação ao governo liderado por antigos insurgentes islamistas.

Conversações mediadas pelos Estados Unidos entre Israel e a Síria sobre um eventual acordo de segurança decorrem há mais de um ano, mas ainda não produziram qualquer entendimento.

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