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Lucas Murillo, o menino de Cúcuta que pediu a De la Espriella um transplante de coração

Abelardo de la Espriella faz saudação militar
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De Cristian Caraballo
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Lucas Murillo, uma criança de Cúcuta com grave cardiopatia congénita, pediu ao presidente colombiano Abelardo de la Espriella um transplante de coração. A Nova Entidade Promotora de Saúde respondeu em horas após ano de espera e burocracia.

“Só tenho meio coração”. Com essas palavras, o pequeno Lucas Murillo, de 7 anos, resumiu num vídeo que se tornou viral a cardiopatia congénita que o acompanha desde que nasceu.

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No vídeo, pediu ajuda direta ao presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, para conseguir aquilo que a família procurava há mais de um ano, sem sucesso: que a Nueva EPS (Nova Entidade Promotora de Saúde) autorizasse os exames necessários para o incluir na lista de transplante de coração. O caso comoveu o país e voltou a pôr em destaque as falhas de um sistema de saúde criticado por doentes, médicos e órgãos de controlo.

Quem é Lucas Murillo e que cardiopatia tem

Lucas Francesco Murillo García vive em Cúcuta, capital de Norte de Santander, e nasceu com o síndrome de coração esquerdo hipoplásico, uma malformação congénita que impede que esse lado do coração se desenvolva com normalidade.

Já foi submetido a três cirurgias de peito aberto, entre elas uma operação de Glenn, que liga a veia cava superior à artéria pulmonar, e depende permanentemente de oxigénio.

Atualmente apresenta cianose, a coloração azulada da pele por falta de oxigénio, acompanhada de hipertensão pulmonar. Apesar da sua condição, Lucas é um apaixonado por futebol: joga à baliza, embora reconheça que o coração não lhe permite correr como qualquer colega da mesma idade.

Há mais de um ano, a mãe, Andrea García, tentava que a Nueva EPS autorizasse um cateterismo e vários exames numa clínica de quarto nível, etapa prévia para avaliar se Lucas podia entrar na lista de transplantes. Perante a ausência de resposta, a família decidiu tornar pública a sua história.

Em 29 de agosto, o presidente reagiu ao vídeo e ordenou à ministra da Saúde, Ana María Vesga, que assumisse a condução do caso. Em menos de três horas, a Nueva EPS confirmou a transferência do menor para Bucaramanga, para ser tratado na Fundação Cardiovascular da Colômbia.

A resposta, que provavelmente lhe salvou a vida, também não ficou livre de um componente de encenação: De la Espriella falou ao telefone com Lucas e partilhou a chamada nas redes sociais, na qual o pequeno acabou por repetir, timidamente, o slogan de campanha do presidente: “Firme pela pátria”.

Voo com acompanhamento médico até Bucaramanga

Na segunda-feira, 31 de agosto, Lucas voou de Cúcuta até Bucaramanga num avião-ambulância da própria Fundação, que preferiu evitar um voo comercial devido ao risco de o menino sofrer uma descompressão durante a viagem, dada a sua cianose profunda.

À chegada, dezenas de pessoas e o pessoal do centro receberam-no com aplausos. A mãe explicou que o menino viajou tranquilo e dormiu grande parte do voo, acompanhado também pelo pai, Luis Murillo.

A equipa médica da Fundação, que soma mais de 300 transplantes de coração em duas décadas e é uma das poucas instituições latino-americanas que realiza transplantes cardíacos pediátricos, submeteu Lucas a radiografias, um ecocardiograma e um cateterismo.

Com esses resultados, uma junta médica terá de decidir entre dois possíveis caminhos: uma cirurgia de Fontán ou a inclusão do menino na lista de transplante cardíaco; alguns meios locais também referiram a hipótese de um coração artificial como alternativa. Para já, a Fundação tem evitado criar expectativas sobre qual será a via definitiva. Andrea García, por seu lado, tem saudado a viragem no caso do filho após meses de processos sem resposta.

Crise do sistema de saúde que vai para lá de Lucas Murillo

A reação do Governo ao caso de Lucas contrasta com o que aconteceu com Kevin Acosta, outro menino de 7 anos com hemofilia que morreu em fevereiro depois de o sistema de saúde ter deixado de lhe fornecer a medicação de que precisava, apesar de a sua história também ter tido impacto mediático.

O pano de fundo desta história é uma crise estrutural. Segundo um estudo de abril da Associação Colombiana de Hospitais e Clínicas, as dívidas da EPS ultrapassam os 25,7 biliões de pesos, cerca de 6.900 milhões de euros.

Essa situação provocou o encerramento de centros de saúde, a suspensão de serviços e atrasos em consultas, cirurgias e entrega de medicamentos, com consequências que em alguns casos têm sido mortais. A Defensoria do Povo documentou um aumento contínuo de queixas por estas demoras, algo que tanto De la Espriella como a sua ministra da Saúde se comprometeram a corrigir.

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