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Abelardo de la Espriella: de advogado polémico a presidente da Colômbia

Abelardo de la Espriella, vencedor das eleições na Colômbia
Abelardo de la Espriella, vencedor das eleições na Colômbia Direitos de autor  Copyright 2026 The Associated Press. All rights reserved
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De Sergio Garcia
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O presidente eleito lançou o seu movimento há apenas 11 meses e seguiu o modelo em voga na Argentina e em El Salvador: discurso patriótico, mão pesada contra o crime e desdém pela política tradicional

Há um ano, o nome de Abelardo de la Espriella não figurava em nenhuma aposta presidencial. Ninguém, dentro ou fora da Colômbia, conhecia o seu nome e hoje, após a segunda volta das eleições e ainda à espera da contagem final, tornou-se o próximo presidente da Colômbia

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Advogado de profissão, de la Espriella fundou o movimento "Defensores por la Patria" há menos de um ano. Em julho de 2025 registou o partido com um objetivo declarado: travar a esquerda de Gustavo Petro e do seu sucessor, o senador de esquerda Iván Cepeda, que ficou a menos de dois pontos do rival.

A sua biografia não é a de um político de carreira e fez precisamente disso a sua bandeira. De la Espriella, de 47 anos, fez fortuna à frente do seu escritório de advocacia penal, onde defendeu clientes tão polémicos como o empresário colombiano-venezuelano Alex Saab (atualmente detido nos Estados Unidos) ou David Murcia Guzmán, responsável pelo maior esquema de pirâmide financeira do país.

Advogado e empresário

Mas de la Espriella não é apenas advogado; é também empresário. 'De La Espriella Style' é o seu negócio pessoal. No seu site vende desde bebidas alcoólicas, como rum e vinho, até livros, café e roupa masculina.

"Sempre Avanti" é a sua marca de roupa. Apresenta-se como "uma homenagem à arte e ao estilo, à virtude dos homens que perceberam que somos tratados como nos veem, que tudo comunica e que vestir-se bem é fazer as coisas bem; é atrair o triunfo e a plenitude".

No site comercializa peças de inspiração italiana e, segundo garante a própria marca, de "altíssima qualidade".

Abelardo de la Espriella, vencedor das eleições na Colômbia
Abelardo de la Espriella, vencedor das eleições na Colômbia Copyright 2026 The Associated Press. All rights reserved

A quem o critica por nunca ter exercido um cargo público, responde que essa é precisamente a sua virtude. A ausência de um percurso político conhecido tem sido o maior trunfo deste candidato até agora desconhecido, que conseguiu capitalizar o descontentamento de milhões de colombianos ao apresentar-se como um 'outsider' afastado da casta que domina a política.

Um modelo já conhecido

O modelo, embora novo na Colômbia, é já bem conhecido. De la Espriella inspira-se no mesmo manual que Nayib Bukele em El Salvador, Javier Milei na Argentina ou Donald Trump nos Estados Unidos, a quem admira sem disfarçar.

Saudação militar, invocações a Deus, mensagens patrióticas e a promessa de combater "com mão de ferro" criminosos e corruptos. Uma receita que conquistou os eleitores católicos e evangélicos e sobreviveu às críticas por comentários machistas e homofóbicos que o acompanharam durante toda a campanha.

Da esquerda para a direita: o presidente de El Salvador, Nayib Bukele, e o presidente da Argentina, Javier Milei.
Da esquerda para a direita: o presidente de El Salvador, Nayib Bukele, e o presidente da Argentina, Javier Milei. Natacha Pisarenko/Copyright 2024 The AP. All rights reserved.

Nascido em Bogotá em 1978, de la Espriella mantém ao mesmo tempo três nacionalidades: a colombiana, a norte-americana e a italiana. Esse tem sido o ponto mais frágil do candidato, que teve de contornar críticas que, ao longo de toda a campanha, lançaram dúvidas sobre se era compatível ter tantas nacionalidades e concorrer à presidência do país.

A eliminação, na primeira volta, da única candidata mulher, a conservadora Paloma Valencia, também jogou a seu favor. Ela apelou ao voto nele, tal como o ex-presidente Álvaro Uribe, que defendeu publicamente o candidato contra a continuação do 'petrismo'.

Casado e pai de quatro filhos, chega à Casa de Nariño com um desafio enorme: tentar reduzir o crime organizado no país, que coloca a Colômbia como o segundo país do mundo com maior nível de criminalidade.

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