Trump tentou restringir o voto por correspondência antes das decisivas intercalares de novembro, que vão definir a composição do Congresso nos seus últimos dois anos de mandato.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou duramente o Supremo Tribunal, após este ter rejeitado o seu pedido para anular a decisão que impedia a aplicação das restrições ao voto por correspondência que pretendia implementar.
"Os republicanos acabaram de receber mais uma decisão negativa do Supremo Tribunal dos Estados Unidos", escreveu numa longa publicação na rede Truth Social na terça-feira, classificando a decisão de "horrível e altamente política".
"Certos juízes estão apavorados com estes democratas enlouquecidos e depravados, sendo totalmente incapazes de demonstrar a coragem necessária para salvar a nossa América", acrescentou.
Antes das importantes eleições intercalares de novembro, que determinarão a composição do congresso nos últimos dois anos do seu mandato, Trump tentou limitar o voto por correspondência, alegando, sem apresentar provas, que o sistema é vulnerável à fraude.
Em março, emitiu um decreto presidencial que ordenava ao Serviço Postal dos EUA que elaborasse novas regras para impedir a entrega de boletins de voto por correspondência a eleitores que não constassem de listas específicas de cada estado. Esta ordem levou 23 estados a intentarem uma ação judicial contra a administração Trump, a fim de travar a medida que qualificaram como "tão sem precedentes quanto inconstitucional".
Na segunda-feira, o Supremo Tribunal rejeitou o pedido de Trump para anular a decisão que suspende o seu plano. Num voto concordante, o juiz Brett Kavanaugh declarou que "existe pelo menos uma possibilidade razoável de a regra final se enquadrar na competência legal do Serviço Postal", mas que "os responsáveis eleitorais estaduais e locais não dispõem de tempo suficiente para aplicar a regra de forma razoável antes das eleições".
Os juízes Samuel Alito e Clarence Thomas discordaram.
Entidades defensoras dos direitos civis, como a NAACP, acolheram a decisão com agrado.
"Grande vitória para os eleitores antes das eleições intercalares", escreveu a organização numa publicação na plataforma X, acrescentando que "o nosso país funciona melhor quando todos os eleitores elegíveis podem fazer ouvir a sua voz".
Apesar de se opor, o próprio Trump recorreu a um voto por correspondência para participar numa eleição na Flórida no início deste ano.
Ao explicar a sua decisão aos jornalistas, afirmou: "Pelo facto de ser Presidente dos Estados Unidos, usei um boletim de voto por correspondência para as eleições que decorreram na Flórida."
"Decidi votar por correspondência porque não podia estar presente, tinha muitos outros compromissos", acrescentou.