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Custos dos smartphones deixam milhares de milhões fora da revolução da IA

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De Jonathan Benton
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Relatório da GSMA conclui que 3,4 mil milhões de pessoas continuam offline, apesar de viverem em zonas com banda larga móvel, porque o encarecimento dos componentes afasta ainda mais os smartphones do alcance dos mais pobres.

Organização mundial do setor das telecomunicações GSMA apela a medidas urgentes para tornar os smartphones mais acessíveis às populações de países de baixo e médio rendimento, para que todos possam “beneficiar da revolução da IA”.

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Este apelo surge com o lançamento do seu Relatório sobre o Estado da Conectividade com Internet Móvel 2026 (fonte em inglês), um estudo anual sobre a conectividade móvel global.

O relatório conclui que, apesar de 4,8 mil milhões de pessoas já utilizarem a internet móvel nos seus próprios dispositivos, 3,4 mil milhões continuam sem o fazer, embora 90% vivam em zonas cobertas por banda larga móvel. A GSMA designa esta diferença por “lacuna de utilização da internet móvel”.

Também o crescimento da população digital mundial está a abrandar, com cerca de 160 milhões de novos utilizadores a ligar-se em 2025, contra 190 milhões em 2024.

Comentando o relatório, o diretor-geral da GSMA, Vivek Badrinath, afirmou: “A inteligência artificial tem potencial para melhorar vidas numa escala sem precedentes, mas a IA não significa nada se as pessoas nem sequer conseguem aceder à internet.”

“O maior risco não é apenas uma divisão em matéria de IA entre países, mas entre quem tem meios para participar na economia digital e quem não tem.”

Segundo a GSMA, é fundamental “evitar que uma grande parte da população das economias emergentes fique completamente excluída da economia digital” e, por isso, a organização apela a várias medidas.

Lacuna de utilização em crescimento

Segundo o relatório, um dos principais fatores por detrás do agravamento da desigualdade digital global é o “forte aumento do custo da memória e dos chipsets de smartphones, impulsionado pela procura mundial de infraestruturas de IA e de centros de dados”.

Os preços da memória dispararam recentemente, mais do que duplicando entre o terceiro trimestre de 2025 e o primeiro trimestre de 2026, seguidos de um novo aumento de 80 a 90% no segundo trimestre de 2026.

Estes custos crescentes dos componentes acabam por ser repercutidos nos consumidores, fazendo com que os preços dos smartphones de entrada de gama se tornem incomportáveis para muitas pessoas em todo o mundo. Esta dinâmica, alerta a GSMA, ameaça inverter “anos de progressos na redução da lacuna de utilização da internet móvel”.

“Se não preservarmos a acessibilidade dos smartphones de entrada de gama, milhares de milhões de pessoas correm o risco de ficar excluídas da próxima geração de serviços digitais antes mesmo de terem tido oportunidade de experimentar a internet”, afirmou Badrinath.

O relatório deste ano conclui que, até ao final de 2025, os smartphones de entrada de gama representam até 44% do rendimento médio mensal dos 20% mais pobres nos países de baixo e médio rendimento e até 76% na África Subsariana, prevendo-se que os preços continuem a subir.

A GSMA considera que esta forte subida dos preços dos smartphones se vai traduzir na “maior queda anual de que há registo” nas remessas globais de smartphones, sendo os mercados emergentes os mais vulneráveis.

Reduzir a divisão digital

Para enfrentar o agravamento da desigualdade digital no mundo, a organização apela aos fabricantes para que reduzam o preço dos smartphones de entrada de gama para 30 dólares, argumentando que isso poderia “tornar estes dispositivos acessíveis para quase 1,6 mil milhões de pessoas”, enquanto um preço de 20 dólares os poderia tornar acessíveis para cerca de 2,2 mil milhões de pessoas que atualmente vivem em zonas cobertas por banda larga móvel.

Esta organização do setor das telecomunicações apela ainda aos fabricantes de chipsets e de memória para que “tomem medidas concretas no sentido de aumentar a disponibilidade de componentes acessíveis destinados a aparelhos de entrada de gama”, defendendo que isso ajudaria os fabricantes de smartphones a tornar estes modelos mais acessíveis.

A GSMA recomenda também que se enfrentem “outros obstáculos essenciais à inclusão digital”, como “baixos níveis de literacia e de competências digitais, preocupações com a segurança e proteção, e a disponibilidade de conteúdos e serviços relevantes”.

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