Trump tem dito que os 257 milhões de dólares (cerca de 222,72 milhões de euros) aprovados pelo Congresso para reparações só serão desbloqueados se a mudança de nome avançar, condição que tribunais federais já rejeitaram duas vezes sem aval do Congresso.
Grande parte do Kennedy Center, na capital dos Estados Unidos, Washington, DC, vai encerrar para obras de reparação após uma votação do conselho de administração, esta terça‑feira, horas depois de um juiz federal voltar a impedir que o emblemático espaço seja rebatizado em honra do presidente Donald Trump.
“Em termos simples, os réus não podem instalar memoriais para o presidente Trump nem para qualquer outra pessoa ou coisa no Kennedy Center sem a autorização do Congresso”, afirmou o juiz federal de distrito Christopher Cooper na mais recente decisão, terça‑feira.
Em resposta à decisão, Trump afirmou que os 257 milhões de dólares (cerca de 222,72 milhões de euros) atribuídos pelo Congresso para as obras só seriam libertados se a mudança de nome fosse autorizada a avançar, uma condição que os tribunais federais já consideraram por duas vezes impossível de cumprir sem aprovação do Congresso.
Em maio, Cooper considerou ilegal a colocação do nome de Trump no edifício do Kennedy Center e ordenou a sua remoção. Os dirigentes da instituição cumpriram em junho, mas deixaram no local a lona e os andaimes onde o nome de Trump tinha sido exibido.
O Departamento de Justiça já apresentou recurso da decisão mais recente.
Trump, nomeado presidente do conselho do Kennedy Center no ano passado por aliados no próprio conselho, participou na reunião virtual e afirmou nas redes sociais que doou 17 milhões de dólares a um fundo de dotação destinado a apoiar a instituição.
A reunião teve momentos de tensão entre Trump e a deputada Joyce Beatty, democrata de Ohio, que lidera a campanha para travar os esforços de memorializar o presidente no Kennedy Center.
Estados Unidos: público receia possível demolição
Os últimos desenvolvimentos deixaram em suspenso o futuro de uma das instituições culturais mais proeminentes dos Estados Unidos, um espaço onde, há décadas, presidentes, legisladores e celebridades de todas as correntes políticas se reúnem para reconhecer e celebrar o melhor das artes e da cultura norte‑americanas.
Os dirigentes do espaço têm defendido que o enorme edifício, cuja construção começou em 1965, precisa urgentemente de obras de renovação. A queda parcial do teto no corredor principal do edifício, no início deste mês, intensificou os apelos às obras.
“O edifício não está atualmente preparado para durar; o presidente sabe isso porque está entre os melhores construtores do mundo”, afirmou em comunicado Brian Ballard, membro do conselho de administração do Kennedy Center.
Mas a insistência de Trump, numa forma física de reconhecimento do seu contributo para o edifício que lembra a sua tendência para colocar o próprio nome em prédios enquanto promotor imobiliário, tem sido um ponto de fricção constante, afastando muitos apoiantes de longa data da instituição e enfrentando sucessivos obstáculos legais.
A disputa em torno do Kennedy Center representa um raro revés na tentativa de Trump, no segundo mandato, de remodelar profundamente a capital norte‑americana segundo os seus gostos dourados. Demoliu a Ala Leste da Casa Branca, que está a ser substituída por um salão de baile, planeia construir um arco triunfal perto do Cemitério Nacional de Arlington e pondera renovar um campo de golfe junto ao rio Potomac.
Em agosto, o conselho do Kennedy Center votou a favor de inscrever o nome de Trump na fachada, de forma a que passasse a ler‑se “The John F. Kennedy Center for the Performing Arts Restored and Renovated By President Donald J. Trump”. Se o Trump Kennedy Center Fund atingir os 100 milhões de dólares (cerca de 86,66 milhões de euros), seria acrescentada outra inscrição: “Endowed by the Trump Kennedy Center Fund”.
A praça em frente ao Kennedy Center seria igualmente rebatizada em honra de Trump.
Existem receios de que a administração possa tentar demolir o Kennedy Center. Segundo um requerimento apresentado no mês passado, os advogados da administração disseram ao tribunal que, sem reconhecimento do presidente, o Kennedy Center terá dificuldades em angariar dinheiro para as obras.
Sem esse financiamento, sugeriram, o edifício poderá ter de ser demolido.