Loader
Encontra-nos
Publicidade

Nascidos numa Europa em chamas: como as condições meteorológicas extremas vão ser mais graves para as crianças

Um bombeiro afasta colmeias das chamas enquanto combate um incêndio florestal em San Martín de Valdeiglesias, a oeste de Madrid, Espanha, 26 de julho de 2026
Um bombeiro afasta colmeias das chamas enquanto combate um incêndio florestal em San Martín de Valdeiglesias, a oeste de Madrid, Espanha, em 26 de julho de 2026. Direitos de autor  Copyright 2026 The Associated Press. All rights reserved
Direitos de autor Copyright 2026 The Associated Press. All rights reserved
De Liam Gilliver
Publicado a Últimas notícias
Partilhar Comentários Siga a Euronews no Google
Partilhar Close Button

Cientistas alertam que um país europeu em particular será duramente afetado por condições meteorológicas extremas propícias a incêndios se não acabarmos com a dependência de combustíveis fósseis.

Os bebés e as crianças de hoje irão enfrentar mais três anos de “condições meteorológicas extremas de incêndio” ao longo da vida do que os avós, a menos que as emissões sejam reduzidas, alerta um novo estudo.

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

A Europa está a aquecer a mais do dobro da média global, o que abre caminho a mais episódios de fenómenos meteorológicos extremos. Depois de vagas de calor sucessivas que abrasaram o continente, grande parte da Europa foi este ano atingida por longos períodos de seca.

Isto criou condições ideais para incêndios florestais mortíferos que devastaram Espanha, França e Grécia, queimando centenas de milhares de hectares e desencadeando uma das maiores operações de evacuação desde a Segunda Guerra Mundial.

Uma nova investigação da Vrije Universiteit Brussel alerta que o aquecimento acelerado da Europa terá consequências graves para as gerações mais jovens, apesar de serem as que menos contribuíram para as alterações climáticas.

Europa: crianças vão enfrentar mais dias de perigo extremo de incêndio

O estudo (fonte em inglês), publicado na revista científica Environmental Research Letters, conclui que uma criança nascida na Europa em 2025 irá viver mais de três anos adicionais sob condições meteorológicas extremas de incêndio em comparação com alguém nascido em 1950, se continuarmos com as atuais políticas climáticas. Isto representa um aumento de 84% para os bebés de hoje face aos avós.

“Uma criança que nasça hoje na Europa passará mais anos da sua vida sob condições meteorológicas extremas de incêndio e, no Mediterrâneo, esse fardo é particularmente pesado”, afirma Rosa Pietroiusti, autora principal do estudo.

Os investigadores definem condições meteorológicas extremas de incêndio como os dias em que o índice meteorológico de incêndio (FWI) excede os 5% de dias com valores mais elevados em cada país, no período de 1985-2014.

Os maiores aumentos são previstos para a região mediterrânica, já hoje fortemente afetada por incêndios.

De acordo com os investigadores, as pessoas nascidas aqui em 2025 poderão enfrentar até 2,5 vezes mais exposição a condições meteorológicas extremas de incêndio do que quem nasceu em 1950. Isto corresponde a mais de cinco anos adicionais de condições meteorológicas extremas de incêndio ao longo da vida, se o aquecimento global atingir mais 2,6 °C até 2100.

Portugal é o país europeu que viu a maior proporção do seu território arder nas últimas décadas. Aqui, os dias de condições meteorológicas extremas de incêndio deverão mais do que duplicar, passando de 14 dias por ano em 1950-1970 para 32 dias por ano até 2100, com as atuais políticas climáticas.

Significa que uma criança nascida hoje em Portugal deverá passar cerca de 6,5 anos da sua vida sob condições meteorológicas extremas de incêndio, se nada mudar nas políticas atuais.

“Os jovens são quem menos contribuiu para as alterações climáticas, mas serão aqueles que mais tempo viverão com as suas consequências.”
Rosa Pietroiusti
Investigadora de doutoramento na Vrije Universiteit Brussel

Cada grau adicional de aquecimento global até ao final do século acrescenta cerca de 272 dias de condições meteorológicas extremas de incêndio à vida de uma criança portuguesa nascida em 2025, acrescentam os investigadores.

Pietroiusti defende que é por isso que movimentos de justiça climática liderados por jovens e iniciativas legais começam a exigir ações climáticas mais ambiciosas por parte de governos e empresas, para que “os piores impactos dos riscos climáticos futuros nas suas vidas possam ser evitados”.

Europa: como proteger futuras gerações de condições extremas de incêndio

O estudo conclui que uma redução rápida do uso de combustíveis fósseis diminuiria a exposição a condições perigosas de incêndio em todas as regiões.

Cumprir o objetivo do Acordo de Paris, limitando o aquecimento a 1,5 °C até 2100, reduziria, em média, a exposição ao longo da vida das pessoas nascidas em 2025 em 1,3 anos na Europa e em mais de dois anos nas regiões mais afetadas do sul da Europa.

Wim Thiery, autor sénior do estudo, afirma que, à medida que os custos da energia eólica e solar continuam a cair, alcançar este objetivo é “absolutamente exequível”.

“Cada fração de grau de aquecimento que evitarmos traduz-se diretamente em menos condições meteorológicas extremas de incêndio ao longo da vida de uma criança, dando‑lhe a possibilidade de ter uma vida plena e mais saudável e de receber educação”, acrescenta.

“Isso significa menos vidas cruelmente interrompidas, menos casas e sonhos consumidos pelas chamas e menos pessoas traumatizadas por ferimentos e luto.”

No início deste mês, a ONU avisou que já não é possível manter o aquecimento global abaixo do limite de 1,5 °C, apontando para um cenário mais otimista de 1,8 °C de aquecimento e para mais de 2 °C nalguns cenários.

“Ultrapassar, atingir o pico e descer” é agora a melhor hipótese, acrescenta o relatório do Programa das Nações Unidas para o Ambiente (UNEP).

A transição para energias limpas foi identificada como um elemento-chave para manter esse excesso de aquecimento “tão pequeno e curto quanto possível”. Em 2025, as energias renováveis geraram quase 34% da eletricidade mundial, mas esta quota terá de subir para 60 a 70% até 2030 para ajudar o mundo a atingir um cenário de sobreaquecimento limitado, segundo o relatório do UNEP.

Ir para os atalhos de acessibilidade
Partilhar Comentários Siga a Euronews no Google

Notícias relacionadas

Europa pode descarbonizar sem travar o crescimento económico: novo estudo traça roteiro

Suécia: empresa encontra novos usos criativos para turbinas eólicas desativadas

El Niño ameaça pinguins e árvores de margaridas gigantes das Galápagos