Volvo Cars nomeou Klaus Zellmer, atual CEO da Škoda da Volkswagen, como próximo presidente e CEO, encarregando-o de relançar o construtor cujas ações caíram cerca de 40% este ano.
O fabricante automóvel sueco Volvo já definiu a sua liderança para o futuro.
Klaus Zellmer assumirá o cargo até 1 de outubro de 2027, o mais tardar, mantendo-se o atual presidente executivo, Håkan Samuelsson, até lá para acompanhar a transição, indicou a empresa este domingo.
O executivo alemão aporta mais de três décadas de experiência na indústria automóvel.
Desde 2022, Zellmer lidera a Škoda, que transformou numa das marcas mais vendidas da Europa, com resultados recorde no ano passado e entregas recorde de veículos elétricos no primeiro semestre de 2026.
Antes disso, integrou o conselho de gestão da divisão de veículos de passageiros da Volkswagen e passou mais de 20 anos na Porsche, onde chegou a dirigir as operações da marca na Alemanha e na América do Norte.
“Klaus Zellmer combina um profundo conhecimento do setor automóvel com ampla experiência de liderança internacional e um sólido historial a conduzir organizações através de processos de transformação e de mudanças nas condições de mercado”, afirmou Eric Li, presidente da Volvo, em comunicado.
Zellmer reconheceu igualmente a dimensão do desafio que irá assumir.
“Ao fim de quase 100 anos, a capacidade da Volvo Cars para se reinventar repetidamente é, ao mesmo tempo, uma conquista notável e um desafio permanente”, disse.
Empresa em plena reestruturação
Zellmer chega com esse processo de reinvenção já em curso.
Samuelsson regressou ao cargo de presidente executivo em abril de 2025, para estabilizar uma empresa fortemente atingida pelas tarifas norte-americanas, já que a maioria dos carros destinados aos Estados Unidos é produzida na Europa. Para o conseguir, lançou um plano de redução de custos e reforço de liquidez de 18 mil milhões de coroas suecas (1,6 mil milhões de euros), eliminou 3 000 postos de trabalho e revogou o compromisso da Volvo de passar a ser totalmente elétrica até 2030.
Na semana passada, apresentou a fase seguinte num encontro com investidores em Estocolmo.
Volvo pretende alcançar uma margem operacional superior a 8%, face aos apenas 3,5% de 2025, recorrendo a uma gama de 13 modelos eletrificados, dividida entre sete veículos para os mercados ocidentais e seis para a China, e a uma dependência muito maior do acionista maioritário, a Geely, no fornecimento de componentes e na escolha de fornecedores.
“Um único modelo global não vai funcionar, e limitar-se a adaptá-lo com cores ou acabamentos diferentes não será suficiente”, disse Samuelsson aos investidores.
As vendas globais têm continuado a cair, e Samuelsson tinha indicado que o seu sucessor deveria vir de dentro da indústria e compreender a cultura sueca, o que admitiu reduzir bastante o número de candidatos potenciais.
A combinação, no percurso de Zellmer, entre experiência em marcas de topo e em produção de grande volume na Porsche e na Volkswagen foi o aspeto destacado pelo presidente Li como fator que o torna especialmente adequado ao cargo.