Em Nova Iorque, na segunda‑feira, o presidente francês apresentou ao homólogo norte‑americano propostas para moderar o preço do petróleo, incluindo uma “moratória” sobre ataques a infraestruturas energéticas ucranianas e russas.
Com a abertura em Nova Iorque da Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), na segunda-feira, 21 de setembro, o presidente francês deslocou-se à Trump Tower, na Quinta Avenida, em Manhattan. Segundo um participante, o presidente norte-americano fez questão de receber o seu convidado no apartamento.
Ao longo de meia hora de conversa, qualificada por Emmanuel Macron como “muito construtiva”, o chefe de Estado francês apresentou várias iniciativas a Donald Trump para tentar travar a escalada dos preços do petróleo.
Entre essas propostas, uma resolução na ONU para desbloquear o estreito de Ormuz, por onde circulam habitualmente cerca de 20% do transporte mundial de hidrocarbonetos, mas que está, na prática, bloqueado desde o início da guerra com o Irão.
“Foram evocadas várias soluções (…) que permitiriam, sem um acordo global, encontrar vias e meios para fazer passar mais porta-contentores e petroleiros”, explicou o presidente francês.
Noutra frente de guerra, aberta no início de setembro no mar Vermelho pelos rebeldes houthis iemenitas aliados do Irão, Paris propõe, segundo uma fonte diplomática, contribuir para a proteção das infraestruturas da Arábia Saudita.
Isto poderia dizer respeito, em particular, ao oleoduto saudita Este-Oeste, uma importante via de exportação atualmente parada depois de ter sido alvo de ataques de drones.
Ucrânia: ajudar ainda mais rápido e com mais força os nossos amigos
Emmanuel Macron falou igualmente com o presidente norte-americano sobre “a necessidade de ajudar ainda mais rápido e com mais meios os nossos amigos ucranianos em matéria de [mísseis] intercetores”.
Segundo o Financial Times (fonte em inglês), na véspera, Donald Trump voltara a pressionar o presidente ucraniano para que interrompesse os ataques em território russo contra as refinarias.
Emmanuel Macron acabou por quase o corroborar, ao sugerir uma “moratória” que poderia abranger tanto os ataques ucranianos como os russos, apelando simultaneamente a um reforço do apoio ao sistema energético do país.
Desde o início da invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia, em fevereiro de 2022, o Kremlin não deixou de atacar as infraestruturas ucranianas para fazer sofrer os civis à medida que se aproxima o inverno.
Depois da reunião com Donald Trump, Emmanuel Macron encontrou-se com Volodymyr Zelenskyy para lhe apresentar essa proposta. Mas a posição do presidente ucraniano parecia já estar definida.
“[O nosso] setor energético, as infraestruturas críticas e as exportações alimentares têm de deixar de ser alvos da Rússia, e isso conduzirá a etapas de abrandamento correspondentes da nossa parte. Há soluções possíveis”, garantiu segunda-feira na rede social X o presidente ucraniano, reiterando junto de Donald Trump que a guerra tinha de terminar.
Mais cedo, nessa segunda-feira, Donald Trump afirmara nas redes sociais que a Rússia tinha “perdido o controlo da sua indústria do gasóleo por causa da guerra com a Ucrânia”. “Esta guerra ridícula e sem fim com a Ucrânia tem de ser travada”, escreveu o presidente norte-americano na plataforma Truth Social (fonte em inglês)