Os preços recorde do gasóleo e margens de refinação fazem petrolíferas europeias subir entre 40% e 87% este ano: estas são as dez mais fortes.
Os condutores europeus estão a pagar preços recorde nas bombas, enquanto os investidores nas empresas que produzem e refinam esses combustíveis estão a ter um ano notável.
A renovada crise dos combustíveis na Europa impulsionou uma forte recuperação das empresas de petróleo e gás da região, com os preços das ações a subirem entre 40 % e quase 90 % desde janeiro.
Os maiores ganhos não se devem apenas ao petróleo bruto. O que é mais importante está a acontecer dentro das refinarias.
A escassez de gasóleo, gasolina e combustível para aviões elevou a diferença entre o preço do petróleo bruto e o preço dos combustíveis dele derivados — conhecida como “crack spread” — a níveis recorde.
Esta situação transformou uma crise de abastecimento para os consumidores numa fonte de lucros extraordinários para parte do setor energético europeu.
Refinação torna‑se subitamente tão lucrativa
Os preços do gasóleo na Europa têm subido muito mais depressa do que os do crude porque a oferta mundial de combustíveis refinados foi perturbada por dois fatores.
O conflito em torno do Irão e do estreito de Ormuz reduziu as exportações de gasóleo e combustível de aviação provenientes das refinarias do Golfo.
A Rússia, por seu lado, proibiu este verão as exportações de gasóleo após ataques de drones ucranianos às suas refinarias, apertando um mercado mundial de que a Europa depende.
Segundo a agência de preços OPIS, o “crack spread” do gasóleo na Europa quase duplicou desde novembro de 2025, quando rondava os 46 dólares (40 euros) por barril.
O Banco Central Europeu já tomou nota.
Falando após a subida das taxas de juro do BCE em 10 de setembro, a presidente Christine Lagarde afirmou que há seis meses poucas pessoas sabiam o que eram as margens de refinação, mas que agora “todos sabemos do que se trata”.
Apontando para o gasóleo, descreveu‑o como “mais um estrangulamento”.
O BCE indicou que a inflação da energia subiu para 14,3% em agosto, face a 10,3% em julho, em parte devido ao aumento das margens de refinação nos combustíveis líquidos.
Os peritos do banco estimam que a margem do gasóleo represente agora cerca de 41 cêntimos de cada litro vendido, quase um quinto do preço na bomba.
Este contexto ajuda a explicar porque as ações das energéticas europeias estão entre as que mais sobem no mercado este ano.
Europa: as 10 ações petrolíferas com melhor desempenho em 2026
A Euronews analisou empresas europeias de petróleo e gás com capitalização bolsista de pelo menos 10 mil milhões de euros.
Eis as dez maiores valorizações de 2026, com base em dados de mercado até 23 de setembro.
10. TotalEnergies: +40,58%
A TotalEnergies valorizou 40,6% desde o início do ano, o que a torna o décimo melhor desempenho do grupo.
O gigante energético francês obteve 6 mil milhões de dólares (5,3 mil milhões de euros) em lucro líquido ajustado no segundo trimestre, face a 3,6 mil milhões de dólares um ano antes. Os fluxos de caixa operacionais atingiram 9,8 mil milhões de dólares (8,6 mil milhões de euros), e a empresa aumentou o dividendo intercala em 5,9%, para 0,90 euros por ação.
A margem de refinação europeia subiu para 13,5 dólares por barril, face a 4,7 dólares.
A TotalEnergies apresenta resultados do terceiro trimestre a 29 de outubro. Os analistas esperam receitas de 54,2 mil milhões de dólares (47,5 mil milhões de euros), uma subida de 24% face ao ano anterior, e lucros ajustados por ação de 3,14 dólares, mais 77%.
9. Eni S.p.A: +44,9%
A Eni ganhou 44,9% desde janeiro, ocupando o nono lugar do ranking.
O grupo energético italiano mais do que duplicou o lucro líquido ajustado, para 2,33 mil milhões de euros, e elevou o programa de recompra de ações para 3,4 mil milhões de euros. Os volumes refinados fora de Itália caíram 35% após o encerramento do estreito de Ormuz.
Os resultados serão divulgados a 23 de outubro, e os analistas antecipam receitas de 27,6 mil milhões de euros, mais 37% no ano, e lucros por ação de 0,79 euros, uma subida de 92%.
8. OMV: +48,67%
As ações da OMV sobem 48,7% este ano, o que coloca o grupo austríaco em oitavo lugar.
A empresa apresentou um resultado operacional limpo, que exclui ganhos de inventário e itens extraordinários, de 1,71 mil milhões de euros no segundo trimestre, impulsionado por uma contribuição muito mais forte da produção de petróleo e gás.
As refinarias europeias operaram a 90% da capacidade, acima dos 83% de há um ano, embora medidas regulatórias temporárias, sobretudo na Roménia e na Áustria, tenham limitado os ganhos.
A OMV divulga resultados a 29 de outubro. Os analistas esperam receitas de 7,7 mil milhões de euros, mais 23%, e lucros por ação de 2,77 euros, uma subida de 49%.
7. Galp: +49,28%
A Galp avançou 49,3% em 2026, o que lhe vale o sétimo lugar.
O grupo português aumentou o lucro líquido ajustado em 45%, para 540 milhões de euros, ao mesmo tempo que a margem de refinação quase triplicou, para 16,8 dólares por barril. A produção cresceu 12%, apoiada pelo campo de Bacalhau, no Brasil.
Os resultados serão apresentados a 26 de outubro, com os analistas a apontarem para receitas de 6,7 mil milhões de euros, mais 31%, e lucros por ação de 0,69 euros, uma subida de 92%.
6. Romgaz: +53,55%
A Romgaz soma 53,6% este ano, o que a torna o sexto melhor desempenho, apesar de resultados bem menos lineares. A empresa estatal romena vende gás natural a preços regulados e não faz refinação de combustíveis.
As receitas do primeiro semestre recuaram 8,6%, para 3,88 mil milhões de lei romenos (735 milhões de euros), enquanto o lucro líquido subiu 3,4%, para 1,74 mil milhões de lei (330 milhões de euros). As ações caíram quase 23% no último mês.
A Romgaz divulga resultados a 13 de novembro.
5. Orlen: +55,59%
A Orlen ganhou 55,6% este ano, ocupando o quinto lugar no grupo.
A refinadora controlada pelo Estado polaco gerou 76,5 mil milhões de zlotys (17,5 mil milhões de euros) em receitas no segundo trimestre e um lucro líquido de 7,68 mil milhões de zlotys (1,75 mil milhões de euros), mais de cinco vezes o valor de há um ano. Lucros recorde nas estações de serviço no estrangeiro ajudaram.
A empresa antecipou a divulgação de resultados para 5 de novembro, quando os analistas esperam receitas de 63,4 mil milhões de zlotys (14,5 mil milhões de euros), mais 4%, e lucros por ação de 5,52 zlotys (1,26 euros), quase três vezes o nível do ano passado.
4. Vår Energi: +56,18%
A Vår Energi soma 56,2% em 2026, o quarto melhor desempenho do grupo.
Ao contrário das empresas fortemente expostas à refinação, a subida da companhia norueguesa está diretamente ligada à produção de petróleo e gás.
A produção do segundo trimestre aumentou 31% face a igual período do ano passado, para 376 mil barris de equivalente de petróleo por dia. A empresa gerou 2,1 mil milhões de dólares (1,84 mil milhões de euros) de fluxos de caixa operacionais após impostos e reduziu a dívida líquida para 3,4 mil milhões de dólares (2,98 mil milhões de euros).
Em julho, a Vår Energi acordou fundir‑se com a BlueNord, criando aquilo que as empresas descrevem como o maior produtor independente de petróleo e gás da Europa.
Os resultados serão apresentados a 21 de outubro. Os analistas esperam receitas de cerca de 30,6 mil milhões de coroas norueguesas (2,83 mil milhões de euros), mais 43%, e lucros por ação de 1,48 coroas (0,14 euros), quase três vezes o nível de há um ano.
3. Equinor: +67,89%
A Equinor acumulou uma valorização de 67,9% este ano, o que coloca o gigante norueguês em terceiro lugar.
O grupo apoiado pelo Estado registou um rendimento operacional ajustado de 11,48 mil milhões de dólares (10,07 mil milhões de euros) no segundo trimestre. Os lucros ajustados foram de 1,33 dólares (1,17 euros) por ação, e a produção aumentou 3%.
A Equinor beneficia do renovado foco da Europa na segurança energética, já que a Noruega continua a ser o principal fornecedor de gás por gasoduto ao continente e uma importante fonte de crude.
A empresa apresenta resultados a 28 de outubro, quando os analistas esperam receitas de 33,2 mil milhões de dólares (29,1 mil milhões de euros), uma subida de 27%, e lucros ajustados por ação de 1,36 dólares, quase quatro vezes os 0,37 dólares de há um ano.
Os analistas esperam que as receitas cresçam quase 20% este ano, antes de recuarem cerca de 9% em 2027.
2. Neste: +76,35%
A Neste disparou 76,4% este ano, ficando apenas atrás da Repsol.
O grupo finlandês ilustra bem a importância das margens de refinação.
O EBITDA comparável, medida do lucro operacional antes de depreciações e itens extraordinários, atingiu um máximo histórico de 1,20 mil milhões de euros no segundo trimestre, face a 341 milhões de euros um ano antes.
A divisão de produtos petrolíferos mais do que duplicou a contribuição, para 334 milhões de euros, algo que a empresa atribui sobretudo a margens excecionalmente elevadas no gasóleo e no combustível de aviação.
O lucro por ação passou de uma perda de cinco cêntimos há um ano para 1,00 euro.
A Neste produz também gasóleo renovável e combustível de aviação sustentável, o que a torna uma das vencedoras mais claras da combinação entre escassez de combustíveis convencionais e procura por alternativas.
Os resultados serão apresentados a 29 de outubro. Os analistas esperam receitas de 5,1 mil milhões de euros, mais 12%, e lucros por ação de 0,81 euros, quase seis vezes o nível de há um ano.
1. Repsol: +87,19%
A Repsol ganhou 87,2% este ano, o melhor desempenho entre as grandes energéticas europeias.
O lucro líquido ajustado atingiu 2,71 mil milhões de euros no primeiro semestre. A divisão industrial, que inclui a refinação, gerou por si só 1,68 mil milhões de euros, contra apenas 235 milhões de euros um ano antes.
A Repsol apresenta resultados a 29 de outubro. Os analistas esperam lucros por ação de 2,06 euros, cerca de três vezes os 0,68 euros do ano passado.
Prevê‑se que as receitas aumentem mais de 31% em 2026. Mas os analistas anteveem uma queda de quase 17% no próximo ano, a descida mais acentuada entre as dez empresas analisadas.