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Preços dos alimentos e salários mínimos: onde na Europa os salários acompanham?

Arquivo - Uma cliente com máscara espera para comprar legumes no mercado de Maravillas, em Madrid, quinta-feira, 12 de maio de 2022
Arquivo - Cliente de máscara espera para comprar legumes no mercado de Maravillas, em Madrid, quinta-feira, 12 de maio de 2022. -  Direitos de autor  AP Photo/Manu Fernandez
Direitos de autor AP Photo/Manu Fernandez
De Servet Yanatma
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Euronews Business analisa cinco anos de subida dos preços dos alimentos e do salário mínimo em 26 países europeus para saber onde quem ganha menos consegue comprar mais comida do que em 2021

Em toda a Europa, os preços dos alimentos subiram de forma acentuada nos últimos cinco anos, mas os salários mínimos avançaram ainda mais depressa na maioria dos 26 países analisados pela Euronews Business.

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Malta é uma das exceções. Um trabalhador a receber o salário mínimo no país consegue comprar cerca de 6 % menos alimentos com o vencimento bruto do que há cinco anos, apesar da subida dos salários. Trabalhadores com salário mínimo em Espanha e França também perderam terreno.

Segundo o Eurostat, os preços dos alimentos e das bebidas não alcoólicas aumentaram 34 % em toda a UE entre agosto de 2021 e agosto de 2026. A Hungria registou a maior subida no bloco, de 57 %, seguida da Bulgária (54 %) e da Roménia (53 %). Chipre teve o aumento mais baixo, de 21 %.

Entre o conjunto mais alargado de 35 países europeus, a Suíça registou a menor subida, de 5 %.

Turquia destacou-se como caso extremo: os preços dos alimentos e das bebidas não alcoólicas dispararam 752 % no mesmo período.

A subida excecional na Turquia reflete anos de elevada inflação, alimentada em parte por uma forte desvalorização da lira, que encareceu bens e matérias-primas importadas. A queda da lira foi em parte impulsionada por uma série de cortes nas taxas de juro iniciados em 2021, mesmo com a inflação a subir. Juros mais baixos tornaram a moeda menos atrativa para manter, aumentando a pressão sobre o seu valor. A Turquia inverteu essa política em 2023 e aumentou fortemente as taxas, mas os preços continuaram a subir.

Na UE, os preços dos alimentos já estavam a subir antes de a Rússia invadir a Ucrânia, em fevereiro de 2022. A guerra agravou a pressão ao fazer aumentar os custos da energia, dos fertilizantes e do transporte, além de perturbar os mercados agrícolas. Esses custos acabaram por refletir-se nos preços praticados nos supermercados.

Nas maiores economias da UE, os preços dos alimentos subiram 25 % em França, 30 % em Itália, 34 % na Alemanha e 35 % em Espanha entre agosto de 2021 e agosto de 2026.

Salários mínimos na Europa: como se comparam

Também aumentaram, no mesmo período, os salários mínimos mensais brutos em muitos países europeus com salário mínimo legal.

Na Hungria registou-se o maior aumento na UE, de 93 %, enquanto o salário mínimo subiu 46 % na Alemanha, 29 % em Espanha e 20 % em França. Estas variações são medidas nas moedas locais.

Entre os países comparados, a Turquia registou a maior subida, de 823 % em cinco anos. Os salários mínimos também mais do que duplicaram na Sérvia (103 %) e no Montenegro (102 %).

Salários mais altos não significam necessariamente que os trabalhadores consigam comprar mais alimentos. A comparação mede quanta comida um salário mínimo mensal bruto permitia adquirir em agosto de 2021 e em agosto de 2026. Não mostra quanto dinheiro sobrava para compras de supermercado depois de impostos, renda e outras despesas.

Subtrair simplesmente a subida dos preços dos alimentos ao aumento do salário mínimo pode ser enganador, sobretudo quando a inflação é elevada, como na Turquia. Comparar o que o salário permitia comprar em cada momento dá uma imagem mais clara.

Em três dos 26 países analisados, quem recebe o salário mínimo perdeu poder de compra quando medido face ao preço dos alimentos.

Malta registou a maior queda, de 6 %. Um trabalhador com salário mínimo que em agosto de 2021 conseguia comprar 100 cabazes de alimentos passou a poder adquirir apenas 94 em agosto de 2026. Espanha e França seguiram-se, com descidas de 5 % e 4 %, respetivamente.

Sérvia e Montenegro registaram os maiores aumentos na quantidade de alimentos que o salário mínimo permite comprar, de 37 %. Um trabalhador com salário mínimo que em agosto de 2021 podia adquirir 100 cabazes de alimentos passou a comprar 137 em agosto de 2026.

Croácia, Albânia, Roménia, Hungria, Bulgária e Lituânia também registaram aumentos superiores a 20 %.

Subiu o poder de compra em alimentos 10 % na Irlanda, 9 % na Alemanha, 7 % na Grécia, 6 % na Bélgica e nos Países Baixos, e 3 % em Portugal.

O gráfico acima, indexado a 100 em agosto de 2021, mostra como mudou, ao longo de cinco anos, a quantidade de alimentos que um trabalhador com salário mínimo consegue comprar.

Na Turquia, o salário mínimo aumentou 823 % e os preços dos alimentos 752 %. A diferença é de 71 pontos percentuais, mas o ganho de poder de compra em alimentos foi de apenas 8 %. Salários e preços dos alimentos subiram fortemente em liras, com os salários a avançarem ligeiramente mais depressa.

O gráfico acima acompanha a evolução do salário mínimo e dos preços dos alimentos na Turquia, ambos indexados a 100 em agosto de 2021. Mostra que, em alguns momentos de 2021 e 2022, quem recebia o salário mínimo perdeu terreno, porque os preços dos alimentos subiram mais depressa do que os salários. Desde janeiro de 2024, o salário mínimo tem mantido vantagem sobre os preços dos alimentos, permitindo aos trabalhadores comprar mais comida do que no ponto de partida.

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