No ano passado, Maja T. fez uma greve de fome de 40 dias para contestar a “entrega ilegal” e as condições “desumanas” na prisão, alegações negadas pelo serviço prisional húngaro.
Um tribunal de recurso de Budapeste reduziu esta quarta-feira de oito para sete anos a pena de prisão aplicada a uma ativista alemã antifascista e não binária, condenada por participação em atos de violência contra nazis.
Em fevereiro, Maja T., 25 anos, foi considerada culpada por envolvimento em agressões ocorridas em 2023, na véspera do “Dia da Honra”, comemoração anual em Budapeste em memória de soldados nazis.
Segundo o Ministério Público, a ativista integrava um grupo multinacional de extrema-esquerda que atacou nove pessoas na via pública, entre as quais cidadãos alemães e polacos, que as autoridades identificaram como extremistas de direita.
De acordo com o juiz presidente, o Tribunal Regional de Recurso de Budapeste-Capital reclassificou o papel de Maja T. de coautora para cúmplice, reduzindo a pena em um ano.
A decisão é definitiva e não admite novo recurso.
A arguida entrou na sala de audiências conduzida por guardas, presa por uma trela, ao som de discretos aplausos e gritos de “Maja” vindos do público.
Antes da leitura da decisão, apoiantes colocaram faixas junto à entrada do tribunal a exigir a libertação da ativista, numa altura de forte presença policial nas ruas envolventes.
Ativistas, entre os quais alguns políticos alemães, tinham questionado se Maja T. teria um julgamento justo, uma vez que os grupos associados aos ataques foram classificados como organizações terroristas no ano passado pelo anterior governo nacionalista de Viktor Orbán.
Várias pessoas acusadas de participar nos ataques de 2023 foram levadas a julgamento na Hungria e na Alemanha, tendo uma delas sido condenada, na Alemanha, a cinco anos de prisão.
Itália e França recusaram entregar dois suspeitos à Hungria, com tribunais de ambos os países a invocar o risco de “tratamento desumano” nas prisões húngaras.
Em 2024, o Tribunal Constitucional alemão concluiu que Maja T. corria o risco de ser alvo de tratamento discriminatório na Hungria devido à sua identidade não binária e não deveria ser extraditada.
Mas a decisão foi proferida horas demasiado tarde para impedir a entrega.
No ano passado, Maja T. realizou uma greve de fome de 40 dias em protesto contra a “entrega ilegal” e as condições “desumanas” nas prisões, acusações negadas pelo serviço prisional húngaro.