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Menos consumo e menos problemas entre adolescentes, mas o risco concentra-se nos mais vulneráveis

As redes sociais constituem a principal preocupação entre os comportamentos aditivos sem substância
As redes sociais constituem a principal preocupação entre os comportamentos aditivos sem substância -  Direitos de autor  AP Photo
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De Joana Mourão Carvalho
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Os adolescentes portugueses estão a consumir menos álcool e drogas e a experienciar menos situações problemáticas, mas o risco concentra-se cada vez mais nos jovens que acumulam vulnerabilidades individuais, familiares e sociais. A conclusão é do novo estudo do ICAD sobre comportamentos aditivos.

Há menos problemas e menos consumo entre os adolescentes portugueses, mas os comportamentos de maior risco estão cada vez mais concentrados nos jovens que acumulam vários fatores de vulnerabilidade. Esta é a principal conclusão do novo estudo do Instituto para os Comportamentos Aditivos e as Dependências (ICAD).

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O Estudo sobre o Consumo de Álcool, Tabaco, Drogas e outros Comportamentos Aditivos (ECATD-CAD 2024) analisa a dimensão problemática dos comportamentos aditivos entre alunos do ensino público português com idades compreendidas entre os 13 e os 18 anos.

Os resultados apontam para uma uma evolução globalmente favorável relativamente ao cenário observado na anterior edição do estudo, realizada em 2019. Segundo o ICAD, registou-se "uma redução consistente da experiência de todas as situações problemáticas analisadas, incluindo condutas violentas, acidentes, hospitalizações, comportamentos sexuais de risco e outros episódios potencialmente geradores de consequências negativas”.

Esta evolução ocorre num contexto em que os alunos referem ter melhor rendimento escolar, maior supervisão parental e sair à noite menos frequentemente, fatores que, segundo o relatório, “parecem contribuir para um ambiente globalmente mais protetor relativamente a comportamentos de risco”.

Apesar desta evolução positiva, o ICAD alerta que “em vários indicadores observa-se uma concentração crescente dos comportamentos de maior risco num grupo relativamente reduzido de adolescentes, caracterizado por perfis de maior vulnerabilidade individual e social, o que torna claro que a redução do número global de consumidores não descarta a necessidade de intervenção junto de determinados grupos”.

O consumo recente de álcool e, sobretudo, de drogas ilícitas continua a constituir um dos principais fatores associados ao envolvimento em situações problemáticas. O relatório assinala que, face a 2019, se verifica um acentuar desta tendência.

“O grupo dos alunos que consome substâncias psicoativas apresenta prevalências significativamente superiores de comportamentos sexuais de risco, problemas com a polícia, violência interpessoal, acidentes e outras situações potencialmente gravosas”, refere o ICAD, que ressalva, contudo, que a maioria das situações problemáticas não ocorre na sequência de um episódio de consumo.

O relatório faz ainda distinção entre o consumo de apenas álcool e o policonsumo, como fatores importantes para a propensão para a experienciação de situações problemáticas.

Assim, os adolescentes que acumulam consumo recente de álcool e de drogas ilícitas “apresentam níveis substancialmente mais elevados de envolvimento em acidentes, problemas com a polícia, cyberbullying e comportamentos sexuais de risco quando comparados com aqueles que consomem apenas bebidas alcoólicas”.

A análise da dimensão problemática dos diferentes comportamentos aditivos revela igualmente que, no consumo de álcool, mantêm-se predominantes as motivações associadas ao prazer, à diversão e à sociabilidade.

No entanto, sublinha o ICAD, verifica-se uma proporção relevante de jovens que referem consumir álcool para esquecer problemas. De acordo com o instituto, este é um “indicador frequentemente associado ao desenvolvimento de padrões de consumo nocivo e de dependência”.

O relatório destaca também que, no caso da canábis, embora a maioria dos consumidores não apresente indicadores de risco de dependência, “observa-se um aumento da proporção de consumidores classificados de risco elevado, coexistindo com um crescimento do grupo sem qualquer risco identificado”.

Redes sociais constituem a principal preocupação entre comportamentos aditivos sem substância

Entre os comportamentos aditivos sem substâncias, as redes sociais continuam a surgir como a principal preocupação, com uma proporção relevante de jovens a reconhecer um tempo excessivo de utilização destas plataformas.

No jogo eletrónico, incluindo o videojogo jogado exclusivamente online, os indicadores de utilização problemática permanecem globalmente estáveis relativamente à edição anterior do estudo. Por sua vez, o jogo a dinheiro, apesar de continuar a envolver uma minoria dos adolescentes, regista um aumento da prevalência, embora acompanhado por uma ligeira diminuição dos indicadores associados à dimensão problemática, como a necessidade de aumentar as quantias envolvidas.

Há ainda diferenças importantes entre rapazes e raparigas. O sexo masculino continua a apresentar maior envolvimento no que respeita aos problemas com a polícia, ao risco associado ao jogo eletrónico e ao jogo a dinheiro. Em contrapartida, as raparigas destacam-se pela maior prevalência de utilização problemática das redes sociais e pelo recurso ao consumo de álcool como estratégia para lidar com dificuldades emocionais.

Os fatores sociais e familiares também têm impacto. O perfil mais associado a comportamentos problemáticos inclui baixo rendimento escolar, menor supervisão parental, saídas noturnas frequentes, menor bem-estar físico e emocional. Em sentido contrário, bom desempenho escolar, supervisão parental e maior bem-estar funcionam como fatores protetores.

A análise por regiões evidencia ainda alterações relativamente ao estudo anterior. O Alentejo surge como a região que concentra maior número de indicadores desfavoráveis, seguindo-se a Região Autónoma dos Açores, enquanto Lisboa deixa de assumir a posição de maior vulnerabilidade observada em 2019.

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