Loader
Encontra-nos
Publicidade

Primeiro-ministro britânico diz que Rússia interferiu na votação do Brexit

Burnham na conferência anual do Partido Trabalhista
Burnham na conferência anual do Partido Trabalhista -  Direitos de autor  AP Photo
Direitos de autor AP Photo
De Simon Ormiston
Publicado a
Partilhar Comentários Siga a Euronews no Google
Partilhar Close Button

Primeiro-ministro afirmou que Friedrich Merz lhe disse que a AfD de extrema-direita estava ligada à Rússia, enquanto enfrenta questões no país sobre os laços do Labour com os Emirados Árabes Unidos.

O primeiro-ministro britânico Andy Burnham afirmou que a Rússia interferiu no referendo britânico de 2016 sobre a saída da União Europeia, naquela que se acredita ser a primeira vez que um líder britânico reconhece publicamente esse tipo de ingerência.

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Burnham disse no podcast “The Rest is Politics” que, ao assumir o cargo em julho, perguntou aos seus conselheiros se a Rússia tinha interferido na votação do Brexit.

“Tive uma resposta clara de que sim, houve interferência”, afirmou. “É importante colocar agora estes factos de forma inequívoca no registo e creio que isso ajuda os eleitores na Alemanha e em França a perceber que parte desta política é instigada pelos nossos inimigos, nomeadamente pela Rússia.”

Moscovo nega há muito qualquer ingerência nas eleições ou referendos de outros países.

As declarações de Burnham surgem numa altura em que os serviços de informações britânicos alertam para uma ameaça crescente de interferência russa nas instituições democráticas do país. Em 2020, uma comissão parlamentar concluiu que o governo não avaliou plenamente o possível impacto dos meios de comunicação estatais russos e de contas de “trolls” no referendo.

Primeiro-ministro britânico Andy Burnham e chanceler alemão Friedrich Merz discutem a interferência russa na política europeia. 8 de outubro de 2026
Primeiro-ministro britânico Andy Burnham e chanceler alemão Friedrich Merz discutem a interferência russa na política europeia. 8 de outubro de 2026 AP Photo

Burnham acrescentou que tinha discutido possíveis ligações entre a Rússia e o partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD) com o chanceler Friedrich Merz, em Berlim, na semana passada.

“Sabes, ele dizia-me que a AfD está claramente ligada à Rússia, financiada, creio eu”, disse Burnham. “Há certamente informação errónea e desinformação que emana da Rússia para a política alemã.”

Reino Unido: ligações do Partido Trabalhista aos Emirados Árabes Unidos

No plano interno, Burnham enfrenta pressão devido às suas ligações ao Manchester City, o clube da Premier League apoiado por um Estado do Golfo que foi dado como culpado, no mês passado, de múltiplas violações das regras financeiras.

O antigo presidente da câmara de Greater Manchester foi criticado por afirmar que ficaria “muito preocupado” se o clube perdesse os seus abastados proprietários árabes. Deputados do Labour receberam cerca de 325 500 euros em hospitalidade e viagens ao estrangeiro dos Emirados Árabes Unidos, muito mais do que qualquer outro partido, segundo registos oficiais analisados pelo jornal britânico The Sun.

No podcast, Burnham aceitou um pedido da oposição para publicar detalhes das suas reuniões com os proprietários do clube, afirmando que só teve um encontro significativo, em 2021.

Essa divulgação não incluirá informações sobre a reunião privada entre o presidente do Manchester City, Khaldoon Al Mubarak, e o ministro das Empresas, Jonathan Reynolds, em Downing Street, a 14 de setembro, 11 dias antes de o clube ter sido considerado culpado.

A coincidência de datas é considerada suspeita, embora relatos indiquem que as conversações ocorreram no âmbito do seu papel distinto de diretor executivo do fundo soberano de Abu Dhabi, a Mubadala, e se centraram em defesa, informações de segurança e comércio.

Burnham afirmou que as questões relacionadas com o futebol são graves e estão sujeitas a um processo independente, mas devem manter-se separadas das decisões de investimento.

Outras fontes • AP

Ir para os atalhos de acessibilidade
Partilhar Comentários Siga a Euronews no Google

Notícias relacionadas

Menos consumo e menos problemas entre adolescentes, mas o risco concentra-se nos mais vulneráveis

Suécia: IKEA lança novo mercado de móveis usados mas vai deixar de produzir “fast furniture”?

Estados Unidos: petróleo cai e bolsas sobem após Trump falar em “cessar-fogo energético”