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Alemanha: taxas hipotecárias sobem ao máximo desde 2009, impulsionadas pela guerra no Irão

ARQUIVO. Novos edifícios de habitação em construção em Frankfurt, Alemanha, 25 set. 2023
ARQUIVO. Novos prédios de apartamentos em construção em Frankfurt, Alemanha, 25 set. 2023 -  Direitos de autor  AP Photo/Michael Probst
Direitos de autor AP Photo/Michael Probst
De Quirino Mealha
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Créditos hipotecários na Alemanha atingem o nível mais caro desde 2009, com a taxa média a dez anos perto de 4,5%, segundo a Interhyp, devido à guerra no Irão e aos receios de inflação.

Contrair um empréstimo para comprar casa na Alemanha está agora mais caro do que em qualquer momento desde a crise financeira de 2009, devido aos receios de que a guerra no Irão mantenha a inflação elevada e faça subir as taxas de juro, afirmou a mediadora de crédito hipotecário Interhyp, sediada em Munique.

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Num empréstimo a dez anos, a taxa de juro típica aproxima-se agora de 4,5%, acima do máximo anterior, ligeiramente acima de 4,4%, registado no final de 2023, segundo a empresa.

Segundo o presidente executivo da Interhyp, Jörg Utecht, a taxa média dos créditos hipotecários a dez anos subiu de 3,9% em maio para os níveis atuais.

O mais recente inquérito da Interhyp junto dos bancos, publicado a 15 de outubro, apontava para uma taxa média de cerca de 4,4% nos empréstimos a dez anos, mas o valor continua a subir. A maioria das instituições sondadas espera, no entanto, que os juros se mantenham estáveis nos próximos dois meses, enquanto 60% antecipam quedas num horizonte de seis a 12 meses e 40% admitem novas subidas.

Quer os números da Interhyp, quer os dados sobre créditos à habitação às famílias divulgados pelo Bundesbank, o banco central alemão, mostram que o custo do financiamento não era tão elevado desde a crise financeira de 2009.

As estatísticas do Banco Central Europeu (BCE) confirmam também a rapidez da inversão dos custos de financiamento.

Em média, a taxa dos empréstimos hipotecários na Alemanha passou de 1,48% no início de 2022 para 4,15% no final de 2023, recuou para 3,57% no início de 2025 e voltou a subir para 3,91% no segundo trimestre deste ano, antes do aumento mais recente.

Guerra no Irão e BCE

Utecht atribuiu a subida mais recente sobretudo à guerra no Irão e aos receios de inflação que esta alimenta.

Para conter a subida dos preços, o BCE aumentou as taxas de juro duas vezes este ano, elevando a sua taxa de depósito de referência para 2,5%.

Num crédito à habitação médio, o aumento recente acrescenta quase 200 euros à prestação mensal, adiantou Utecht, acrescentando que alguns clientes se mostram agora mais cautelosos.

Explicou também que as taxas só deverão descer de forma significativa quando o conflito estiver definitivamente resolvido, algo para o qual vê, até agora, poucos sinais.

Apesar da subida dos custos de financiamento, “os preços das casas na Alemanha continuam a subir ligeiramente”, afirmou o banco neerlandês ING numa análise divulgada no mês passado, sustentando que a fraqueza do mercado imobiliário se manifesta em tudo menos nos preços.

Os preços subiram 0,6% em termos homólogos no segundo trimestre deste ano, segundo o gabinete federal de estatística Destatis, ficando mais de 5% acima do mínimo de 2024, mas ainda 8,2% abaixo do máximo atingido em 2022.

Entretanto, a concessão de novos créditos hipotecários recuou mais de 1,5% entre janeiro e julho.

O ING referiu que “a falta crónica de oferta de habitação impediu uma correção mais acentuada dos preços”, acrescentando que a construção residencial “permanece em níveis reduzidos”.

Avisou ainda que “uma retoma significativa da procura de habitação parece improvável no curto prazo”.

Os mutuários vão agora aguardar pela próxima decisão sobre juros do BCE, marcada para 29 de outubro.

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