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Estados Unidos: Elon Musk quer unir Tesla e SpaceX antes de Trump sair da Casa Branca

ARQUIVO. Elon Musk reage enquanto o Presidente eleito dos EUA, Donald Trump, discursa num comício antes da 60.ª tomada de posse presidencial, em Washington, 19 jan. 2025
ARQUIVO. Elon Musk reage enquanto o Presidente eleito dos EUA, Donald Trump, fala num comício antes da 60.ª tomada de posse presidencial em Washington, 19 jan. 2025 -  Direitos de autor  AP Photo/Alex Brandon
Direitos de autor AP Photo/Alex Brandon
De Quirino Mealha
Publicado a •Últimas notícias
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Elon Musk abriu a porta à fusão da Tesla e da SpaceX num gigante avaliado em 3,5 biliões de dólares (3,1 biliões de euros), num acordo que deverá ser fechado antes de Donald Trump deixar a Casa Branca.

Esta semana, o homem mais rico do mundo confirmou que a Tesla e a SpaceX estão a estudar uma fusão. Em conjunto, as empresas valem cerca de 3,5 biliões de dólares (3,1 biliões de euros), o que poderá tornar esta operação na maior fusão de sempre.

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O negócio coroaria uma série de operações que têm vindo a interligar as empresas de Elon Musk, e o objetivo passa por concluí-lo enquanto Donald Trump continuar a ser presidente dos Estados Unidos, segundo a Bloomberg, que cita fontes conhecedoras do processo.

Uma fusão entre a Tesla e a SpaceX seria o capítulo mais recente de uma história que começou há uma década, quando Musk começou a unir as suas empresas.

Em 2016, a Tesla comprou a SolarCity, instaladora de painéis solares dirigida pelos seus primos, num negócio que só foi confirmado por um tribunal do Delaware após anos de litígios.

Em março de 2025, a sua start-up de inteligência artificial xAI absorveu a X, a rede social anteriormente conhecida como Twitter, que Musk tinha comprado por 44 mil milhões de dólares (39,1 mil milhões de euros) em 2022.

Em fevereiro deste ano, a SpaceX absorveu a xAI, numa operação que avaliou o fabricante de foguetões em 1 bilião de dólares (890 mil milhões de euros) e a empresa de IA em 250 mil milhões de dólares (222 mil milhões de euros), antes da oferta pública inicial (IPO) da SpaceX.

Quatro meses depois, a SpaceX entrou em bolsa no Nasdaq, angariando 85,7 mil milhões de dólares (76,3 mil milhões de euros) na maior estreia bolsista da história.

ARQUIVO. Trabalhadores celebram durante a cerimónia de fecho da sessão da IPO da SpaceX no Nasdaq MarketSite, em Nova Iorque, 12 de junho de 2026ARQUIVO. Trabalhadores celebram durante a cerimónia de fecho da sessão da IPO da SpaceX no Nasdaq MarketSite, em Nova Iorque, 12 de junho de 2026

Vistas em conjunto, estas operações parecem integrar um plano de longo prazo para reunir todas as empresas de Musk num único grupo cotado em bolsa. Musk chegou a falar em “cada vez mais sobreposição” entre a Tesla e a SpaceX numa conferência de resultados em julho.

Na terça-feira, Musk disse a analistas, na apresentação de contas da SpaceX, que ambas as empresas criaram comissões de administradores independentes para estudar a fusão. Considerou-a “uma boa ideia”, admitindo ao mesmo tempo que se sente “a dançar num campo minado”.

Porquê uma única empresa

Musk defende que será a inteligência artificial a decidir o rumo das duas empresas.

As duas já estão a desenvolver em conjunto a Terafab, uma fábrica de chips de IA no Texas, enquanto os carros sem condutor da Tesla e os robots humanoides Optimus poderão beneficiar da capacidade de computação que a SpaceX está a construir, incluindo centros de dados previstos em órbita.

Também os números parecem alinhar-se.

A SpaceX registou o primeiro lucro trimestral desde a entrada em bolsa, com ganhos de 4,4 mil milhões de dólares (3,9 mil milhões de euros), graças a uma subida de 161% nas receitas, mas o investimento em capital atingiu 19,6 mil milhões de dólares (17,4 mil milhões de euros) no trimestre, sobretudo em IA.

Já a Tesla, um dia depois, informou que o lucro líquido caiu 43%, para 787 milhões de dólares (700 milhões de euros), com receitas estáveis em 28 mil milhões de dólares (24,9 mil milhões de euros), devido a uma descida de 2% nas entregas. Numa empresa combinada, o forte crescimento das receitas da SpaceX poderia ajudar a compensar os números da Tesla.

Fundir as empresas permitiria ainda a Musk gerir todas as operações sob o mesmo teto, deslocando engenheiros e recursos entre elas sem necessidade de divulgações adicionais ou de enfrentar processos por negócios entre partes relacionadas.

Mais controlo surge como outro benefício potencial.

Musk detém cerca de 48% da SpaceX e controla mais de 80% dos votos através de ações especiais, mas possui apenas cerca de 20% da Tesla. Desde 2024, tem dito que não se sente confortável em transformar a Tesla num líder em IA e robótica sem pelo menos 25% dos direitos de voto.

Uma fusão poderia também aumentar a sua fortuna, já que o pacote remuneratório da Tesla considera muitos dos objetivos de desempenho atingidos se determinados tipos de fusões forem concretizados.

Correr contra o relógio político

Segundo a Bloomberg, o objetivo passa por anunciar um acordo de fusão na primeira metade de 2027 e concluí-lo antes de terminar o mandato do presidente norte-americano Donald Trump, em janeiro de 2029, com base em fontes conhecedoras do processo.

Concluir o negócio com Trump ainda na Casa Branca poderia garantir-lhe uma receção política mais favorável, embora continuasse sujeito ao escrutínio dos reguladores e dos acionistas.

Musk, que liderou em 2025 o esforço de redução de custos da administração Trump antes de uma rutura pública, reconciliou-se entretanto com o presidente norte-americano e regressou à administração.

Tornou-se também o maior doador conhecido a apoiar candidatos republicanos nas eleições intercalares norte-americanas do próximo mês, com contribuições superiores a 276 milhões de dólares (245 milhões de euros) desde julho, segundo um porta-voz da America PAC, o super PAC conservador de Musk.

Uma vitória democrata poderia traduzir-se numa fiscalização mais apertada dos contratos federais da SpaceX e do software de condução autónoma da Tesla.

A própria SpaceX alertou, nos documentos da entrada em bolsa, que uma mudança de poder no Congresso poderia ter “um impacto material e adverso no nosso crescimento e posição competitiva”.

As comissões ainda não chegaram a acordo sobre os termos e qualquer negócio teria de receber o apoio de mais de metade de todas as ações da Tesla, algo que Musk classificou como “uma fasquia bastante elevada”. Alertou que a fusão está longe de ser certa.

A 3 de dezembro, os acionistas da Tesla reúnem-se.

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