Na Alemanha, o índice ifo de clima empresarial subiu em outubro, impulsionado por maior confiança na indústria, embora energia e juros mais altos ameacem a recuperação económica.
Subiu para 90,2 pontos em outubro o muito acompanhado índice ifo de clima empresarial da Alemanha, face aos 89,9 pontos em setembro, segundo dados divulgados esta segunda-feira.
O índice ifo de clima empresarial é considerado um importante indicador avançado da evolução económica na Alemanha, publicado mensalmente pelo Instituto de Investigação Económica, sediado em Munique.
“A resiliência da economia alemã mantém-se, com o índice ifo a subir pelo sexto mês consecutivo”, escreveu Carsten Brzeski, responsável de macro global no ING, numa nota de análise.
Apesar de as empresas estarem ligeiramente menos satisfeitas com a situação atual, o panorama geral sugere que a recuperação económica da Alemanha continua.
Alemanha: indústria regista melhoria na confiança
Na indústria transformadora, o índice subiu de forma expressiva, com as empresas a referirem melhorias significativas na situação atual e nas expectativas.
Ambos os indicadores regressaram a terreno positivo pela primeira vez em mais de três anos. As encomendas aumentaram, levando as empresas a planear uma expansão da produção.
Nos serviços, a confiança empresarial enfraqueceu, com as empresas menos satisfeitas com o desempenho atual. As expectativas, porém, melhoraram, com os prestadores de serviços de TI a registarem resultados particularmente positivos.
No comércio, o índice manteve-se inalterado. As empresas tornaram-se mais pessimistas quanto à situação presente, embora as expectativas tenham melhorado ligeiramente. No conjunto, o comércio grossista apresentou um desempenho superior ao retalho.
Na construção, o índice subiu, com as empresas a manifestarem maior satisfação com as condições atuais de negócio. As expectativas para o futuro também melhoraram ligeiramente.
Apesar disso, subsistem riscos relevantes para a recuperação económica da Alemanha.
“Apesar desta esperança, permanecem riscos claros: a guerra no Médio Oriente e o potencial de nova escalada após as eleições intercalares nos Estados Unidos, com os preços do petróleo a manterem-se em níveis elevados (ou pior), bem como o provável choque da subida dos preços do gás na atual época de aquecimento”, escreveu Brzeski.
Níveis de água baixos em vias de transporte essenciais podem também perturbar, a curto prazo, as cadeias de fornecimento industriais e a produção.
“Quanto mais a economia resistir aos riscos de curto prazo, maior é a probabilidade de surgir uma história de crescimento surpreendente”, acrescentou Brzeski.
Embora os dados mais recentes apontem sinais de recuperação, economistas alertam que o crescimento de longo prazo dependerá de enfrentar desafios estruturais, como a burocracia, os custos elevados da energia e a fraca competitividade.