O sindicato Semaf exige alterações urgentes nos protocolos de segurança para impedir que os comboios retomem a circulação normal em determinadas situações de risco.
Após o trágico acidente ferroviário de Urda (Toledo), que provocou a morte de pelo menos 69 pessoas, os maquinistas exigem medidas urgentes para reforçar a segurança ferroviária em Espanha. O Sindicato Espanhol de Maquinistas e Auxiliares Ferroviários (Semaf) pediu a revisão das normas que regulam a circulação dos comboios quando falham os seus sistemas automáticos de proteção.
O pedido surge apenas alguns dias depois da colisão entre dois comboios de alta velocidade, um da Renfe, a empresa ferroviária estatal espanhola, e outro da Iryo, um operador privado.
Num comunicado, o Semaf apela à Agência Estatal de Segurança Ferroviária (AESF) para que aja "com caráter de urgência" a fim de "esclarecer e alterar a norma que regula o sistema LZB", bem como os procedimentos relacionados com o sistema europeu ERTMS.
Que medidas exigem os maquinistas?
O sindicato pede que sejam tornadas mais rigorosas as condições para retomar a circulação normal quando os sistemas automáticos de proteção dos comboios falham. Mais concretamente, exige que "se impeça a retoma da circulação em marcha normal nas situações em que sBSL) quando o ERTMS ou o LZB deixam de funcionar".
O LZB é um sistema de proteção ferroviária desenvolvido na Alemanha que supervisiona continuamente a velocidade e a circulação dos comboios. O ERTMS é o sistema europeu de gestão do tráfego ferroviário, concebido para melhorar a segurança e facilitar a circulação de comboios entre diferentes países.
Ambos permitem supervisionar o movimento dos comboios e intervir caso sejam ultrapassados determinados limites de segurança. Quando estes sistemas deixam de funcionar, a circulação pode ser gerida através do Bloqueio de Sinalização Lateral (BSL), que utiliza sinais instalados junto às vias para regular a passagem dos comboios.
O Semaf pretende evitar que os comboios retomem as condições normais de circulação caso exista o risco de dois comboios se cruzarem num mesmo troço de via.
Falha do LZB sob investigação
A queixa surge enquanto se investigam as causas do acidente de Urda. De acordo com as informações iniciais da Autoridade Independente para a Investigação Técnica de Acidentes e Incidentes (AITAT), o sistema LZB deixou de funcionar às 8h31 de quarta-feira, antes da colisão.
A partir desse momento, a circulação passou a ser gerida através do sistema de sinalização lateral, com a intervenção do administrador das infraestruturas ferroviárias espanhol, a Adif, e dos maquinistas. Ainda não foi determinado que a falha do LZB tenha sido a causa direta do acidente. Os investigadores continuam a reconstruir a sequência dos factos.
Semaf quer evitar novas tragédias
O sindicato ofereceu-se para continuar a colaborar "em todos os aspetos que possam surgir desta e das restantes investigações em curso", com o objetivo de "que não se repitam acontecimentos como os que ocorreram recentemente".
Por seu lado, o ministro dos Transportes, Óscar Puente, que na sexta-feira descartou a possibilidade de se demitir, anunciou novas medidas para reduzir os riscos técnicos e "recuperar a confiança" dos cidadãos no sistema ferroviário, embora ainda não tenha especificado quais serão.
As queixas dos maquinistas não são novidade. Os trabalhadores do setor público vêm denunciando, há anos, deficiências na manutenção e problemas de segurança na rede ferroviária espanhola. Em janeiro de 2026, o Semaf denunciou que centenas de maquinistas vinham, há algum tempo, a comunicar incidentes na rede ferroviária à Adif sem obter resposta nem ver medidas corretivas.
Na sequência do acidente de Adamuz (Córdoba), o Semaf chegou a um acordo com o governo para reforçar a segurança ferroviária, mas voltou a denunciar atrasos na aplicação das medidas acordadas.