Após as intercalares nos EUA, ativistas europeus levam contestação aos centros de dados para a Europa
Mais de 100 organizações de defesa de direitos em 15 países europeus vão protestar contra o rápido desenvolvimento de centros de dados com elevado consumo de energia, pedindo uma moratória imediata sobre novos projetos de grande escala até serem definidas regras mais claras que os regulem.
Os protestos Stop Dirty Data Centres (fonte em inglês) decorrem esta sexta-feira e sábado (6-7 de novembro), com ações previstas na Irlanda, Polónia, Dinamarca, Finlândia, Espanha, Países Baixos, França e Reino Unido.
Os organizadores afirmam que a iniciativa surge “num contexto de preocupações crescentes com o impacto da expansão dos centros de dados nas comunidades locais, nas infraestruturas públicas, no uso do solo, da água e da energia, na habitação, no emprego e no custo de vida”.
“Hoje, comunidades em toda a Europa que têm contestado a imposição, nos locais onde vivem, de centros de dados vorazes em energia, água e solo estão a chegar ao palco político europeu”, afirmou Owen Espley, coordenador de StopDirtyDataCentres.eu.
Os protestos surgem pouco depois das eleições intercalares desta semana nos Estados Unidos, em que os centros de dados e o seu impacto nas comunidades locais e no ambiente se tornaram uma questão decisiva.
Os democratas conquistaram o controlo do Congresso dos EUA com uma vitória esmagadora, após prometerem travar o desenvolvimento de novos centros de inteligência artificial e conter a Big Tech, enquanto os seus homólogos republicanos eram vistos como incentivando as empresas norte-americanas a construir centros de dados em qualquer lugar e de qualquer forma que considerassem adequada.
Eleitores nos EUA, mas também muitos na Europa, estão preocupados com o impacto que os projetos de centros de dados têm nas suas próprias vidas, desde o aumento das contas de energia até à pressão acrescida sobre recursos hídricos já escassos, devido às suas intensas necessidades de energia e água.
Quem vive perto de centros de dados também se queixa do impacto ambiental, com poluição atmosférica proveniente dos geradores de emergência, intenso tráfego de obras, bem como da falta de estética dos edifícios e do zumbido constante das máquinas a funcionar 24 horas por dia.
“Ao unirem-se, as campanhas que enfrentam uma luta difícil contra o poder da Big Tech, muitas vezes apoiada por quem toma decisões, estão a mostrar que conseguem travar a corrida para construir centros de dados”, disse Espley.
“Estão a apelar aos líderes políticos para que imponham moratórias aos centros de dados de grande escala a nível europeu, nacional e local, de modo a que as suas preocupações sejam tidas em conta e os impactos dos centros de dados sejam devidamente examinados”, acrescentou.
Ambientalistas, organizações de defesa dos direitos digitais, associações da sociedade civil e muitos outros participam no protesto, organizando manifestações, reuniões públicas, bancas informativas, petições, visitas guiadas a pé, passeios de bicicleta, leituras de poesia e outras iniciativas.
A Europa está a acelerar a instalação de centros de dados, na tentativa de recuperar terreno face aos Estados Unidos e à China na corrida para desenvolver e aplicar tecnologias de inteligência artificial.
O investimento anual em projetos de centros de dados na Europa aumentou de 12 mil milhões de euros em 2020 para 25 a 26 mil milhões este ano, e o total de gastos deverá atingir 176 mil milhões de euros entre 2026 e 2031, segundo o relatório PwC Global Data Centre Outlook 2026-2050.