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Qatar: falta de hélio coloca em risco serviços de ressonância magnética

Aparelho de ressonância magnética usado em imagiologia médica, que depende de hélio líquido para funcionar
Um aparelho de ressonância magnética utilizado em imagiologia médica, que depende de hélio líquido para funcionar. Direitos de autor  AP Photo
Direitos de autor AP Photo
De Mohamed Elashi
Publicado a Últimas notícias
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Ataques iranianos ao centro de gás de Ras Laffan, no Qatar, perturbam produção de hélio e atingem sectores da tecnologia à saúde

Uma perturbação na produção de hélio do Qatar está a suscitar fortes receios de aperto na oferta mundial, e as consequências estão a alastrar rapidamente.

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O gás é um material de nicho, mas crucial, utilizado em setores que vão da produção de semicondutores à imagiologia médica, e os recentes ataques às instalações de Ras Laffan fizeram soar alertas de maior escassez que se propagaram pelos mercados globais.

O Qatar é responsável por cerca de um terço da produção mundial de hélio. Os danos nas instalações motivaram alertas de maior escassez nas próximas semanas, com cargamentos atrasados e contentores retidos na região.

O hélio é essencial para a fabricação de semicondutores e não tem substitutos viáveis. Mas especialistas do setor consideram que o impacto para os fabricantes de chips poderá ser limitado, graças à diversificação das fontes de abastecimento e à capacidade da indústria para desviar materiais e priorizar utilizações críticas.

A maior preocupação está na saúde. As máquinas de ressonância magnética dependem de hélio líquido para arrefecer os seus ímanes supercondutores, e o setor médico tem menos margem para absorver um choque súbito de oferta.

A grande questão é saber se esses ajustamentos acontecerão com rapidez suficiente, e para os hospitais a resposta poderá ser mais importante do que para os fabricantes de chips.

Um chip semicondutor pousado na ponta de um dedo. O hélio é utilizado no processo de fabrico de chips avançados.
Um chip semicondutor pousado na ponta de um dedo. O hélio é utilizado no processo de fabrico de chips avançados. AP Photo

O hélio desempenha um papel central na produção de chips, sobretudo no arrefecimento das bolachas de silício durante o fabrico, onde é necessário um controlo de temperatura muito preciso.

G. Dan Hutcheson, vice-presidente da TechInsights, afirmou que o gás continua a ser indispensável para o setor. Sublinhou que “o hélio é absolutamente crítico. Sem ele, não se conseguem fabricar chips avançados”.

Acrescentou que não há alternativas se a oferta apertar. “Não existem substitutos para o hélio”, afirmou.

Apesar disso, Hutcheson minimizou a probabilidade de um impacto significativo na produção de chips, argumentando que a indústria se tem adaptado repetidamente a choques de oferta.

“A perturbação no hélio do Qatar provavelmente não terá praticamente efeito nas vendas de semicondutores, porque os gestores da cadeia de abastecimento sempre atuaram rapidamente para resolver problemas”, afirmou.

Apontou crises anteriores, lembrando que o setor já resistiu a grandes choques com impacto limitado a longo prazo, registando apenas quebras marginais nas vendas após perturbações na oferta.

O hélio é produzido como subproduto da extração de gás natural, e o fornecimento não se limita ao Qatar, com produtores nos Estados Unidos, Argélia e Canadá a contribuírem também de forma significativa para a oferta mundial.

Hutcheson afirmou que um impacto prolongado na produção só ocorreria em circunstâncias extremas. “Nunca, a menos que todas as outras fontes sejam cortadas”, acrescentou.

Sistemas de ressonância magnética sob pressão

Embora a indústria de semicondutores possa conseguir absorver o choque, os riscos poderão ser mais imediatos na área da saúde.

Os aparelhos de ressonância magnética dependem de hélio líquido para manter os ímanes supercondutores a temperaturas extremamente baixas, o que lhes permite funcionar de forma eficiente.

Tobias Gilk, consultor de segurança em ressonância magnética, explicou que estas máquinas dependem de manter o hélio a cerca de menos 269 graus Celsius.

“Sem hélio suficiente, o aparelho não consegue funcionar e transforma-se, na prática, num pisa-papéis muito caro”, explicou.

A maioria dos aparelhos de ressonância magnética exige grandes volumes de hélio líquido e, se a oferta apertar, alguns sistemas poderão ser desativados se não forem reabastecidos após avarias ou operações de manutenção.

“Vai haver aparelhos de ressonância magnética que vão parar”, afirmou, acrescentando que a escassez poderá atrasar reparações se os prestadores de serviços não tiverem acesso a hélio purificado em quantidade suficiente.

Qualquer impacto imediato dependerá da duração da situação e da rapidez com que as cadeias de abastecimento se ajustarem.

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