Os mercados mantêm-se em alta, com o preço do petróleo a subir ligeiramente e as bolsas mundiais a registarem ganhos antes das conversações EUA-Irão em Islamabad, no sábado.
As bolsas europeias abriram, esta sexta-feira, maioritariamente em alta, e os preços do petróleo subiam ligeiramente, num contexto de incerteza, já que o cessar-fogo entre os EUA e o Irão parece frágil e o estreito de Ormuz se mantém em grande medida fechado, antes das conversações entre as duas partes previstas para sábado.
As conversações entre EUA e Irão deverão começar no sábado, em Islamabad, no Paquistão, com o objetivo de garantir um cessar-fogo permanente na guerra com o Irão, sendo o vice-presidente norte-americano, JD Vance, o chefe da delegação dos EUA.
Mas, antes dessas conversações, os ataques israelitas mortíferos no Líbano, na quarta-feira, levantaram dúvidas sobre se o cessar-fogo de duas semanas na guerra com o Irão se mantém intacto. A República Islâmica continua também a controlar o estreito de Ormuz, que permanece em grande parte fechado, apesar das exigências norte-americanas para a reabertura desta via marítima crucial para o transporte mundial de petróleo e gás.
O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, afirmou ter autorizado conversações com o Líbano, com negociações previstas em Washington na próxima semana.
Segundo analistas do Deutsche Bank Research, estas conversações são "significativas, porque o Líbano tem sido um potencial ponto-chave de bloqueio em torno do cessar-fogo".
Em nota de análise, acrescentaram que "as expectativas de uma desescalada no Líbano ajudaram a aliviar receios de que o cessar-fogo mais alargado pudesse ruir antes das conversações deste fim de semana".
Mercados: bolsas e petróleo avançam com cautela
O preço do petróleo subia moderadamente esta sexta-feira. O Brent, referência internacional, ganhava 0,8%, para 96,71 dólares por barril, enquanto o crude de referência nos EUA avançava 0,4%, para 98,60 dólares por barril.
Sobre os preços do petróleo, Ajay Rajadhyaksha, do Barclays, escreveu recentemente numa nota de investigação que "os 65-70 dólares por barril não vão voltar", numa referência aos níveis anteriores à guerra com o Irão.
O banco prevê que o preço do Brent se mantenha em média perto de 85 dólares por barril este ano. "Um cessar-fogo não é um reembolso", escreveu. "Os cessar-fogos terminam guerras; não as apagam".
De acordo com analistas do Deutsche Bank Research, as preocupações com a inflação continuam muito elevadas.
Os dados da inflação norte-americana de março, a divulgar hoje, são por isso relevantes; serão os primeiros a abranger o período desde o início da guerra com o Irão, em 28 de fevereiro.
O Deutsche Bank antecipa "um salto significativo, dado o disparo dos preços da gasolina, com o IPC geral mensal a subir 0,95% em março".
Se tal se confirmar, "será o maior valor mensal desde junho de 2022", acrescentaram. Este número deverá também voltar a empurrar a taxa homóloga para 3,4%, segundo os analistas, "um nível que não víamos desde o início de 2024".
Na Europa, os principais índices acionistas abriam sobretudo em alta, com o DAX de Frankfurt e o CAC de Paris a ganharem mais de 0,5%, enquanto o FTSE 100 de Londres recuava ligeiramente, alguns pontos, na abertura.
O índice Euro Stoxx avançava 0,7% na abertura
O sentimento globalmente mais otimista na quinta-feira sustentou ganhos em Wall Street, com os principais índices a valorizarem entre 0,5% e 0,8% no fecho.
Na Ásia, as bolsas negociavam em alta esta sexta-feira, apoiadas em parte por um valor de inflação na China melhor do que o esperado, na segunda maior economia mundial.
A China anunciou esta sexta-feira que o seu índice de preços no consumidor, o principal indicador de inflação, aumentou 1% em março face ao mesmo mês do ano anterior, abaixo do esperado pelos analistas e depois de uma subida de 1,3% em fevereiro.
Na Coreia do Sul, o índice Kospi saltou 1,8%, para 5.879,71 pontos. O Nikkei 225, em Tóquio, ganhou 1,6%, para 56.789,58 pontos.
As ações da Fast Retailing, casa-mãe da retalhista de vestuário japonesa Uniqlo, dispararam mais de 10% depois de o grupo ter revisto em alta as previsões de lucro para o ano.
O Hang Seng, em Hong Kong, avançou 0,7%, para 25.919,12 pontos, enquanto o índice compósito de Xangai subiu 0,6%, para 3.991,14 pontos.
Na Austrália, o S&P/ASX 200 recuou 0,4%. O Taiex, em Taiwan, ganhou 1,3%, enquanto o Sensex, na Índia, avançou 0,7%.
Os preços do ouro caíram 0,8%, para 4.778 dólares por onça, enquanto a prata desvalorizou 1,1%, para 75,6 dólares por onça.
O dólar norte-americano subiu para 159,18 ienes, face aos 158,96 ienes. O euro era negociado a 1,1687 dólares, abaixo dos 1,1699 dólares.