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FMI corta previsão de crescimento da zona euro para 1,1% devido à guerra no Irão

A diretora-geral do FMI, Kristalina Georgieva, fala numa conferência de imprensa em Washington, em 9 de abril de 2026
Diretora-geral do FMI Kristalina Georgieva discursa numa conferência de imprensa em Washington, 9 de abril de 2026 Direitos de autor  AP Photo/Jose Luis Magana
Direitos de autor AP Photo/Jose Luis Magana
De Quirino Mealha com AP
Publicado a Últimas notícias
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O Fundo Monetário Internacional reviu em baixa a previsão de crescimento da zona euro para 2026, de 1,4% para 1,1%, face à inflação e à perda de dinamismo

Perspetivas económicas para a zona euro pioram, com o FMI a rever em baixa a previsão de crescimento do PIB para 1,1 % este ano.

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Esta revisão, face à estimativa anterior de 1,4 %, resulta diretamente da guerra no Irão, que abalou os mercados internacionais.

De acordo com o relatório Perspetivas da Economia Mundial do FMI, divulgado na terça-feira, a perturbação nos mercados de energia, provocada pelo bloqueio do estreito de Ormuz e pelos danos em infraestruturas no Médio Oriente, travou na prática a recuperação das principais economias mundiais.

A escalada das hostilidades fez subir as expectativas de inflação global para 4,4 %.

“Espera-se que grande parte deste choque económico seja temporário, desde que o conflito não se prolongue”, afirmou Lindsay James, estratega de investimentos na Quilter.

“Quanto mais o conflito se prolongar, maior será o risco de uma recessão económica”, acrescentou.

Para a Europa, ainda muito sensível às oscilações do preço do gás natural, o aumento de 19 % nos custos de energia assumido pelo FMI representa um entrave significativo à produção industrial.

O economista-chefe, Pierre-Olivier Gourinchas, sublinhou que, embora a economia mundial tivesse mostrado resiliência face às políticas comerciais protecionistas, a atual crise no Médio Oriente travou esses progressos.

O FMI alerta ainda que os 21 países que partilham o euro estão entre os mais afetados pela escalada de custos, por não terem a mesma independência energética de outras grandes potências.

“As tensões continuam elevadas [apesar do cessar-fogo]... mesmo com uma eventual resolução, é pouco provável que tudo volte ao normal e teremos agora de nos habituar a preços elevados do petróleo e do gás durante um futuro próximo”, continuou James.

A pressão económica é sentida de forma particular na Ucrânia, que tem de resistir à invasão em grande escala da Rússia e onde a inflação atingiu 7,9 % em março.

Segundo o governador do Banco Nacional da Ucrânia, o país está a “caminhar sobre a lâmina de uma faca”, ao tentar equilibrar o esforço de guerra interno com os choques externos de preços.

Estados Unidos e Rússia: desempenhos divergentes

Enquanto a economia abranda na Europa, os Estados Unidos viram também a sua previsão de crescimento reduzida para 2,3 %.

O FMI considera que o impacto das tarifas comerciais norte-americanas foi menos severo do que se temia, mas o choque energético continua a ser o fator dominante.

Em sentido inverso, a Rússia deverá registar uma ligeira revisão em alta, para 1,1 %, beneficiando do aumento das receitas de exportação associado ao petróleo mais caro.

Este quadro cria uma paisagem geopolítica complexa, na qual os exportadores de energia encontram algum alívio temporário, enquanto os importadores, sobretudo na zona euro e em África Subsaariana, veem desaparecer as suas almofadas orçamentais.

O FMI mantém uma postura cautelosa em relação ao futuro e sublinha que, apesar das notícias de um cessar-fogo temporário, os riscos em baixa continuam elevados.

Se a volatilidade nos mercados de energia se prolongar até 2027, o Fundo avisa para um “cenário severo”, em que o crescimento mundial poderá cair para 2 %, obrigando os bancos centrais a manter taxas de juro elevadas para travar uma inflação persistente.

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