Desde o Vaticano, após a oração do Angelus, o Papa agradeceu a Espanha, ao rei Filipe VI e à comunidade religiosa pela calorosa receção na visita de 6 a 12 de junho.
Da janela do Palácio Apostólico, Leão XIV encerrou este domingo o ciclo da sua quarta viagem apostólica internacional, com palavras de gratidão para com Espanha. A visita, que decorreu de 6 a 12 de junho, incluiu paragens em Madrid, Barcelona, Gran Canária e Tenerife, e foi a primeira deslocação de um papa a território espanhol desde que Bento XVI participou na Jornada Mundial da Juventude de Madrid, em 2011.
Antes da oração mariana, a Praça de São Pedro encheu-se com 20.000 peregrinos, ao som de "Alza la mirada", a canção que inspirou o lema da viagem. O Papa agradeceu a forma como o povo espanhol o recebeu e fez um agradecimento explícito a Felipe VI, algo invulgar neste tipo de intervenções. "De modo especial, a sua majestade o rei", disse o pontífice, antes de pedir que Deus abençoe sempre a Espanha.
Ao longo dos sete dias de visita, os eixos do discurso papal passaram pela unidade face à polarização, pela atenção aos migrantes, pela defesa da dignidade humana e pela preocupação com os abusos na Igreja. Em Tenerife, última etapa da viagem, Leão XIV exortou os imigrantes a integrarem-se, aprendendo a língua, respeitando as leis e participando na vida das comunidades de acolhimento.
Eis as palavras do Papa após o Angelus de domingo, a partir do Vaticano:
"Em primeiro lugar, exprimo a minha gratidão ao Senhor pela Viagem Apostólica que me permitiu realizar em Espanha. Agradeço ao povo espanhol, que me acolheu com grande entusiasmo e devoção e, de modo especial, a sua majestade o rei. O meu agradecimento afetuoso dirige-se igualmente aos bispos, às comunidades que visitei e a toda a Igreja que está em Espanha. Que Deus abençoe sempre a Espanha", disse Leão XIV.
Filipinas e os novos mártires: outras mensagens do Angelus
O Papa voltou também o olhar para as Filipinas, onde um terramoto de magnitude 7,8 sacudiu, no passado dia 8 de junho, a ilha de Mindanau, no sul do país, causando mais de 40 mortos, centenas de feridos e mais de 32.000 deslocados. Leão XIV assegurou a sua proximidade à população afetada e pediu orações pelas vítimas e pelas suas famílias.
Em seguida, o pontífice recordou os sacerdotes recentemente beatificados. A 6 de junho, foram elevados aos altares Jan Bula e Václav Drbola, mártires checos do comunismo, em Brno, e Jan Świerc, juntamente com oito companheiros salesianos polacos, vítimas da perseguição nazi, no Santuário de São João Paulo II, em Cracóvia.
Já a 13 de junho, na paróquia de Jaura (Brasil), foi beatificado o missionário italiano Nazareno Lanciotti, assassinado pela defesa dos mais pobres face ao tráfico de droga e à prostituição.
Leão XIV sublinhou que todos morreram por fidelidade a Cristo, sob regimes totalitários, e pediu que o seu exemplo e a sua intercessão sustentem a missão dos sacerdotes e de toda a Igreja.
Diálogo ecuménico e saudação final aos peregrinos de Nova Jérsia
Antes de concluir, o Papa dirigiu algumas palavras em inglês à Comissão Internacional para o Diálogo entre os Discípulos de Cristo e a Igreja Católica, organismo criado em 1977 com o objetivo de avançar na unidade dos cristãos. Leão XIV agradeceu-lhes o trabalho teológico desenvolvido e manifestou o desejo de que as suas reflexões ajudem a aprofundar a comunhão entre as diferentes confissões.
O Angelus terminou com uma saudação aos numerosos peregrinos vindos dos Estados Unidos, em particular do estado de Nova Jérsia, presentes entre as 20.000 pessoas que estiveram este domingo na praça.