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Estados Unidos: juro da dívida a 30 anos ultrapassa 5% com Warsh na Fed e inflação em alta

ARQUIVO. Fachada do edifício do Departamento do Tesouro dos EUA, em Washington, 4 de maio de 2021
ARQUIVO. Fachada do edifício do Departamento do Tesouro dos EUA, em Washington, 4 de maio de 2021 Direitos de autor  AP Photo/Patrick Semansky
Direitos de autor AP Photo/Patrick Semansky
De Quirino Mealha
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Colocou o Tesouro dos EUA na quarta-feira obrigações a 30 anos com rendimento acima de 5% pela primeira vez desde 2007, sinal de maior inquietação entre investidores, no dia em que o Senado confirmou Kevin Warsh como próximo presidente da Reserva Federal.

Os custos de financiamento de longo prazo nos Estados Unidos subiram para níveis não vistos desde antes da crise financeira global, depois de o Tesouro ter colocado 25 mil milhões de dólares (21,3 mil milhões de euros) em obrigações a 30 anos, com uma rendibilidade máxima de 5,058%, na quarta-feira, segundo dados do próprio departamento.

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A operação realizou-se apenas algumas horas depois de o Senado dos EUA ter votado a confirmação do antigo governador da Reserva Federal Kevin Warsh como próximo presidente, em substituição de Jerome Powell.

O resultado do leilão veio complicar de imediato o enquadramento para a chegada de Warsh ao banco central, sublinhando a pressão que recai sobre os responsáveis pela política monetária numa altura de subida da inflação.

À hora de redação deste texto, na quinta-feira, as obrigações do Tesouro dos EUA a 30 anos negociavam a 5,02%, enquanto os títulos a 10 anos ofereciam uma rendibilidade de 4,44%.

Os dados de inflação divulgados nos EUA no início desta semana mostraram que os preços no consumidor subiram 3,8% face a abril de 2025, numa altura em que as dez semanas de guerra no Irão impulsionaram os custos da energia e afastaram a inflação da meta de 2% da Reserva Federal.

Os números dos preços no produtor também apontaram para pressões de custos subjacentes persistentes em toda a economia, reforçando a expectativa de que o banco central poderá ter dificuldades em aliviar rapidamente a política monetária.

A subida das rendibilidades das obrigações do Tesouro tem implicações vastas para a economia, porque influencia os custos de financiamento dos créditos à habitação, da dívida empresarial e de outras formas de crédito.

Rendibilidades de longo prazo mais elevadas podem também aumentar os custos de financiamento do governo dos EUA numa altura em que a dívida pública se aproxima dos 40 biliões de dólares (34,1 biliões de euros).

Os investidores mostram-se cada vez mais preocupados com a possibilidade de uma combinação de crescimento económico resiliente, preços da energia elevados e endividamento público persistente manter vivas as pressões inflacionistas, apesar de dois anos de política monetária restritiva.

O facto de a rendibilidade da obrigação de referência do Tesouro a 30 anos ser colocada acima de 5% representa um limiar simbólico, atingido pela última vez em 2007, antes do início da crise financeira global.

Embora as condições de mercado hoje sejam bastante diferentes das desse período, o movimento sublinha, ainda assim, a forte reavaliação que teve lugar nos mercados obrigacionistas globais ao longo dos últimos dois anos.

Estados Unidos: Kevin Warsh assume a Reserva Federal num contexto de política difícil

Kevin Warsh assume a liderança da Reserva Federal numa fase delicada para a economia norte-americana.

O antigo banqueiro da Morgan Stanley e ex-governador da Fed tem defendido, no passado, a importância de preservar a credibilidade do banco central no combate à inflação, ao mesmo tempo que manifestou apoio a reformas na estratégia de comunicação da instituição e na gestão do seu balanço.

A confirmação de Warsh ocorre numa altura em que os mercados financeiros permanecem divididos quanto ao grau de agressividade com que a Reserva Federal deve responder a pressões inflacionistas persistentes.

Alguns investidores consideram que as taxas terão de permanecer elevadas por um período prolongado, enquanto outros alertam que manter condições monetárias demasiado apertadas durante muito tempo poderá penalizar fortemente o crescimento económico e o emprego.

Kevin Warsh depõe perante o Senado dos EUA durante a audição para presidente da Fed, 21 de abril de 2026
Kevin Warsh depõe perante o Senado dos EUA durante a audição para presidente da Fed, 21 de abril de 2026 AP Photo/Jose Luis Magana

O principal motor da subida da inflação é a atual perturbação dos mercados energéticos globais provocada pela guerra no Irão, que deixa também o banco central à mercê da geopolítica e sem capacidade para controlar eficazmente a situação.

Analistas sustentam que o leilão de obrigações do Tesouro de quarta-feira ilustrou bem o desafio imediato que o novo presidente da Fed enfrenta.

Rendibilidades obrigacionistas elevadas podem contribuir para um aperto das condições financeiras sem novas subidas das taxas diretoras, mas também podem amplificar os riscos para famílias, empresas e o próprio governo federal, todos com níveis elevados de endividamento.

Para Warsh, a reação dos mercados serviu como lembrete precoce de que restaurar a confiança no controlo da inflação poderá revelar-se mais complexo do que simplesmente manter as taxas de juro em níveis restritivos.

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