De data centers a leite de aveia: participações gregas em destaque num dos principais prémios de inovação da Europa.
Europa procura as tecnologias que vão marcar a próxima década e, este ano, duas participações gregas estão no centro de um dos mais importantes prémios de inovação do continente.
Trata-se do Prémio Europeu de Inventor 2026 (European Inventor Award), o concurso anual do Instituto Europeu de Patentes (fonte em grego)(EPO), considerado uma das distinções mais relevantes de inovação tecnológica e industrial na Europa.
Distingue inventores e equipas de investigação cujas patentes têm um impacto significativo na economia, na sociedade e no quotidiano.
Pela primeira vez, dois finalistas gregos (fonte em grego) estão em simultâneo na categoria "Indústria": o investigador greco-suíço Evangelos Eleftheriou e a biotecnóloga greco-sueca Angeliki Triantafyllou.
Os vencedores serão anunciados a 2 de julho, em Berlim, numa cerimónia transmitida internacionalmente, enquanto decorre em paralelo a votação pública para o "Popular Prize", o prémio do público. (fonte em grego)
Porque é que o prémio é considerado tão importante
O European Inventor Award foi criado em 2006 pelo EPO e funciona, na prática, como um "barómetro europeu» da vanguarda tecnológica. Podem candidatar-se apenas inventores que já detenham uma patente europeia concedida, o que significa que a sua tecnologia passou por uma avaliação técnica e jurídica rigorosa.
Os finalistas são escolhidos por um júri internacional independente de especialistas com experiência técnica, empresarial e científica, e as tecnologias distinguidas estão geralmente ligadas a grandes mudanças industriais, económicas ou sociais.
Ao longo dos últimos anos, entre os galardoados encontraram-se inventores de tecnologias que transformaram setores inteiros, desde o USB e as células solares flexíveis até inovações na medicina, na biotecnologia e na eletrónica.
Numa altura em que a Europa procura reduzir a dependência tecnológica dos Estados Unidos e da Ásia e reforçar a sua própria capacidade de inovação, a presença de nomes gregos num prémio tão visível ganha um significado particular.
Investigador grego impulsiona próxima geração de armazenamento de dados
Evangelos Eleftheriou foi selecionado como finalista por um conjunto de tecnologias que melhoram o armazenamento, a leitura e o processamento de dados digitais, uma infraestrutura crucial para a inteligência artificial, a computação em nuvem e os modernos centros de dados.
O trabalho de investigação abrange desde tecnologias de armazenamento magnético e memória flash até ao chamado in-memory computing, isto é, o processamento de dados diretamente na memória, sem transferência contínua para os processadores. Esta abordagem é considerada particularmente importante para aplicações de IA, porque reduz de forma significativa o consumo de energia e acelera o tratamento de grandes volumes de dados.
O momento não é por acaso. Segundo dados da Comissão Europeia citados pelo EPO, as infraestruturas de dados já consomem cerca de 1,5% da eletricidade mundial, e a procura deverá mais do que duplicar até 2030 devido à explosão da IA.
O percurso pessoal lembra também a história da emigração científica da geração grega das décadas de 1970 e 1980. Nascido em Alivéri, na Eubeia, estudou engenharia eletrotécnica na Grécia e prosseguiu estudos de pós-graduação no Canadá graças a uma bolsa obtida por intermédio de um professor. Mais tarde escolheu o IBM Research, em Zurique, em vez de uma proposta profissional vinda dos Estados Unidos e permaneceu na Suíça, construindo uma carreira de várias décadas em investigação de ponta.
Investigadora grega impulsiona sucesso global do leite de aveia
A segunda presença grega no concurso vem de um setor completamente diferente: o da tecnologia alimentar.
Angeliki Triantafyllou é distinguida pelo desenvolvimento de um método enzimático que melhora a estabilidade, o sabor e a funcionalidade das bebidas de aveia, contribuindo decisivamente para a sua transição de produto de nicho para o mercado mainstream global.
A inovação foi inicialmente desenvolvida na sueca Oatly, hoje uma das referências em bebidas de origem vegetal, numa altura em que o mercado via com desconfiança os produtos à base de aveia. Como a própria descreveu, os primeiros protótipos eram considerados quase «imbebíveis» devido ao sabor e à textura.
A tecnologia que desenvolveu aumentou a solubilidade da proteína sem alterar a sua estrutura, melhorando significativamente o sabor, a estabilidade e o comportamento das bebidas em aplicações como o café. Esta evolução abriu caminho à criação das versões «barista» de leites vegetais que hoje dominam cafés e cadeias em todo o mundo.
A própria tem sublinhado ainda quão decisiva foi a concessão da patente para a sobrevivência de uma pequena equipa face às multinacionais da alimentação, algo que evidencia também a importância estratégica da propriedade intelectual para a inovação europeia.
Da "fuga de cérebros" à inovação global
Embora atuem em áreas completamente distintas, as duas candidaturas gregas têm um denominador comum: estão ligadas a tecnologias que já influenciam o dia a dia de milhões de pessoas, desde os centros de dados que suportam a inteligência artificial até aos produtos de origem vegetal que transformam a indústria alimentar.
Ao mesmo tempo, as suas histórias iluminam uma questão europeia mais ampla: como é que cientistas que começaram na Grécia acabaram a liderar ecossistemas de investigação no estrangeiro, contribuindo para tecnologias com impacto global.
Numa fase em que a Europa volta a investir na inovação, na eficiência energética e na competitividade industrial, a presença de dois nomes gregos entre os principais inventores do ano ganha um simbolismo particular.
É possível participar na votação através deste link. (fonte em grego)