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Próximo boom da riqueza: mercados emergentes acrescentam 12 biliões até 2030

Fogo de artifício explode enquanto fãs enchem as areias de Copacabana para ver um concerto gratuito da estrela pop colombiana Shakira, no Rio de Janeiro
Foguetes iluminam o céu enquanto milhares de fãs enchem a orla de Copacabana para assistir a um concerto gratuito da cantora colombiana Shakira, no Rio de Janeiro Direitos de autor  Copyright 2026 The Associated Press. All rights reserved.
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De Piero Cingari
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Os mercados emergentes deverão gerar biliões em nova riqueza até 2030, mas a classe abastada em rápido crescimento que a impulsiona continua em grande parte sem apoio de bancos e consultores financeiros.

2025 ficou marcado, na versão oficial, como um ano excecional para a riqueza mundial.

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A riqueza financeira global cresceu 10,7%, para um recorde de 333 biliões de dólares, a expansão mais rápida desde 2021, de acordo com o mais recente Global Wealth Report da Boston Consulting Group.

A América do Norte e a Europa Ocidental continuam a concentrar a maior parte desse dinheiro, e a manchete do ano foi a disputa de estatuto entre dois centros consolidados: Hong Kong ultrapassou a Suíça como maior centro mundial para registo de ativos transfronteiriços, com cada um a deter cerca de 2,9 biliões de dólares em ativos internacionais.

Já as fontes de nova riqueza que mais crescem deixaram de ser Nova Iorque, Londres ou Zurique. Encontram-se cada vez mais em Mumbai, Jacarta, Riade, Cidade de Ho Chi Minh e São Paulo.

Segundo a BCG, os mercados emergentes, incluindo a China, deverão gerar até 2030 cerca de 12 biliões de dólares adicionais em riqueza financeira.

O segmento de afluentes e acima, ou seja, os agregados com mais de 250 mil dólares em ativos financeiros, deverá crescer cerca de 8% ao ano, criando mais de um milhão de novos milionários em dólares até ao fim da década.

Nova geografia da riqueza

Ao contrário de anteriores ciclos de criação de riqueza, este não fica limitado a um único país ou região.

Prevê-se que a Índia responda pela maior fatia da nova riqueza, acrescentando mais de 2 biliões de dólares até 2030. A expectativa é que o Brasil gere cerca de 1 bilião, enquanto o México poderá somar outros 600 mil milhões.

Mas a história vai muito além das maiores economias.

Vietname, Indonésia, Arábia Saudita e vários estados do Golfo estão a gerar riqueza a ritmos que rivalizam com muitos países desenvolvidos ou os ultrapassam. O que torna esta tendência notável não é apenas a escala, mas também a sua abrangência.

Os ricos do mundo deixaram de surgir quase exclusivamente num punhado de centros financeiros ocidentais. Estão a aparecer novas fortunas em simultâneo no Sul da Ásia, no Sudeste Asiático, na América Latina e no Médio Oriente.

Para investidores, bancos privados e marcas de luxo, a implicação é clara: os clientes do futuro virão cada vez mais de lugares que, historicamente, ficaram fora dos centros tradicionais das finanças globais.

Ascensão dos ultra-ricos

O relatório Wealth Report 2026 da Knight Frank oferece uma ideia de quão rápido esta mudança se está a processar no topo da escala da riqueza.

A população de indivíduos com património ultraelevado na Índia, com ativos superiores a 30 milhões de dólares, aumentou 63% entre 2021 e 2026 e deverá ultrapassar os 25 mil até 2031.

A consultora descreve a Índia como uma economia que está a passar de um dinamismo sobretudo empreendedor para um mercado sustentado por reservas de capital mais profundas, mercados financeiros mais sofisticados e uma classe crescente de fundadores e investidores ligados a nível global.

Mas a Índia não é o mercado que mais cresce.

Prevê-se que a Indonésia registe, nos próximos cinco anos, a maior expansão mundial de ultra-ricos, com um aumento de 82%. Arábia Saudita e Polónia deverão crescer mais de 60%, enquanto o Vietname deverá registar uma subida perto dos 60%.

A região do Golfo está a afirmar-se como um centro de riqueza cada vez mais importante por direito próprio.

A quota do Médio Oriente na população mundial de ultra-ricos aumentou de 2,4% para 3,1% nos últimos cinco anos, e a Arábia Saudita é apontada como o país onde o número de bilionários mais deverá crescer até 2031.

Os bilionários, em particular, estão a dispersar-se. A região Ásia-Pacífico acolhe agora mais bilionários do que qualquer outra, à frente da América do Norte, numa inversão discreta da antiga hierarquia.

Para a Knight Frank, a mudança geracional é parte do atrativo.

Os mais jovens entre os ricos asiáticos, afirma Christine Li, diretora de research para a Ásia-Pacífico na empresa, estão “mais sintonizados com a inovação, a tecnologia e a demografia” e isso orienta os destinos dos seus investimentos.

Mumbai mostra como é o boom

Poucas cidades ilustram melhor esta transformação do que Mumbai.

A Knight Frank descreve a capital financeira da Índia como um “gigante interno”, cujo crescimento é impulsionado sobretudo por riqueza gerada no país, e não por capital estrangeiro.

Os preços do segmento residencial prime subiram 8,7% em 2025, apoiados numa economia que cresceu quase 40% nos últimos cinco anos. A procura por habitação de luxo acelerou, com dezenas de transações acima dos 5 milhões de dólares registadas ao longo do ano.

Ao contrário de muitos mercados imobiliários de luxo globais, o boom de Mumbai está a ser alimentado por empresários locais, fundadores de empresas tecnológicas, industriais e investidores.

“Mumbai tem pela frente um enorme potencial de crescimento”, afirmou Ankita Sood, diretora nacional de research na Knight Frank India, sublinhando a subida constante das vendas no segmento super-prime.

A cidade assemelha-se cada vez mais ao que Nova Iorque, Londres e Hong Kong representaram em fases anteriores de criação de riqueza: um íman para o capital e a ambição domésticos.

Questão para a próxima década

Os números apontam numa direção: o centro de gravidade da criação de riqueza global está a afastar-se dos mercados que a definiram durante décadas.

Mas continua incerto se isto se traduzirá numa reconfiguração duradoura da riqueza global.

As tensões geopolíticas, a fragmentação do comércio, choques energéticos e uma reação política crescente contra a concentração de riqueza podem mudar esta trajetória.

O conflito no Médio Oriente já lembrou os investidores de quão rapidamente as premissas económicas podem mudar.

Por agora, contudo, a tendência é inequívoca.

Os países mais ricos do mundo podem continuar a deter a maior parte do dinheiro de hoje. Mas uma fatia crescente das fortunas de amanhã será criada noutros lugares.

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