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Alemanha: 5.000 super-ricos detêm mais de um quarto do património financeiro

Iates de luxo em Mónaco, 28 de março de 2026
Iates de luxo em Mónaco, 28 de março de 2026 Direitos de autor  2026 Copyright The Associated Press
Direitos de autor 2026 Copyright The Associated Press
De Laura Fleischmann
Publicado a Últimas notícias
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Relatório global da BCG revela aumento acentuado dos super-ricos na Alemanha e agrava desigualdade.

O património financeiro privado mundial aumentou em 2025 7,4%, claramente acima da inflação, que nas principais economias se manteve abaixo dos 3%. Na Alemanha foi de 2,2%. Os dados constam do “Global Wealth Report 2026”, hoje divulgado pela consultora Boston Consulting Group (BCG).

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Fortes mercados acionistas impulsionam crescimento

Motor deste aumento de riqueza foram sobretudo as evoluções nos mercados acionistas no ano passado. Na Alemanha, o património total ascendia, à data de 31 de dezembro de 2025, a cerca de 23,3 biliões de dólares. Mais de metade corresponde a ativos reais, em especial imobiliário.

A BCG classifica como «super-ricos» ou «Ultra High Net Worth Individuals» (UHNWI) as pessoas com um património financeiro superior a 100 milhões de dólares. Na Alemanha, este grupo integra atualmente cerca de 5.000 pessoas, mais 1.100 do que no ano anterior. No mundo, existem perto de 97.000 super-ricos, mais de um terço a viver nos Estados Unidos.

Uma parte significativa da riqueza concentra-se neste grupo reduzido: os cerca de 5.000 super-ricos detêm 27,3% de todo o património financeiro alemão. Para comparação, os cerca de 769.000 milionários em dólares – pessoas com património financeiro entre um e 100 milhões de dólares – possuem, em conjunto, 25,5%, portanto menos do que os super-ricos sozinhos. No outro extremo, há cerca de 66 milhões de pessoas na Alemanha com um património financeiro inferior a 250.000 dólares.

Fosso da riqueza continua a alargar-se

“A concentração da riqueza no topo continua a aumentar”, afirma o sócio da BCG Michael Kahlich, citado pela revista Spiegel. As pessoas mais abastadas conseguem diversificar mais o património e investir com mais força em classes de ativos com maior rentabilidade, como ações ou private equity. “Isso acelera estruturalmente a acumulação de património”, acrescenta Kahlich. Segundo a BCG, a fatia dos super-ricos na riqueza financeira alemã deverá continuar a crescer até 2030.

Apesar de uma tendência ligeiramente decrescente, cerca de um terço do património financeiro alemão continua aplicado em numerário e em contas à ordem, a prazo e de poupança, refere a revista Stern. Outros 25% correspondem a seguros de vida e pensões.

Números politicamente sensíveis

A relativamente fraca cultura de investimento nos mercados de capitais é, segundo a BCG, uma das razões pelas quais o património líquido na Alemanha deverá crescer, nos próximos anos, mais lentamente do que a média da Europa Ocidental e do mundo. Somam-se ainda fatores estruturais como uma economia praticamente estagnada, o envelhecimento demográfico e um fraco crescimento da produtividade.

Os novos dados deverão também alimentar o debate fiscal no seio da coligação. O governo federal procura atualmente forma de financiar um vasto pacote de reformas. Depois de o SPD ter defendido, em primeiro lugar, uma maior tributação dos mais ricos, também responsáveis da União, como o primeiro-ministro da Saxónia, Michael Kretschmer, se mostraram recentemente abertos a impostos mais elevados sobre grandes patrimónios.

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